Agraer apresenta ações para o resgate da erva-mate no MS
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Imagem: Marcel Oliveira
AGRICULTURA

Agraer apresenta ações para o resgate da erva-mate no MS

O último painel do evento on-line “Erva-mate XXI: Inovação e Tecnologias para o Setor Ervateiro” foi realizado no dia 17/12
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O último painel do evento on-line “Erva-mate XXI: Inovação e Tecnologias para o Setor Ervateiro”, realizado no dia 17/12, abordou o tema legislação e políticas públicas para a erva-mate. Rogério Guerino Franchini, da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), abordou os projetos e políticas em andamento para a erva-mate no Mato Grosso do Sul (MS).

O palestrante expos as ações para o fortalecimento da cadeia produtiva de erva-mate na região. De acordo com Franchini, esta região de fronteira com o Paraguai, no final do século XIX e começo do século XX, já teve a erva-mate como principal atividade econômica. “As técnicas de exploração e as formas de consumo foram difundidas pelos paraguaios que, por sua vez, herdaram essa cultura da tradição indígena, principalmente, a Guarani. Em função dessas características, a erva-mate possui grande identidade histórica e cultural com a região fronteiriça do sul do Estado do Mato Grosso do Sul”, conta. Essa região onde ela se desenvolveu é a região mais fria do Estado do Mato Grosso do Sul.

Normalmente, a erva-mate consumida no MS é na forma de tereré (temperatura fria) e o mate quente, e seu consumo per capita está em torno de cinco quilos por ano. “Nosso consumo é 71% na forma de tereré; 26% na forma de mate quente, que é diferente do chimarrão, porque é feito com a erva de tereré; 2% na forma de chá e 1% como planta medicinal”, explica. Atualmente, o Mato Grosso do Sul ocupa o 4º lugar em produção de erva-mate, representando apenas 0,16% da produção brasileira. Isso se deve à redução drástica da produção a partir de 2004, em função dos baixos preços praticados no mercado. O Mato Grosso do Sul produz apenas duas mil toneladas das 12 mil que consome, o que obriga as indústrias instaladas no Estado a importarem mais de 85% de matéria-prima de estados vizinhos, principalmente, o Paraná, Santa Catarina e até mesmo o próprio Paraguai e Argentina.

Entre as prováveis causas da diminuição da produção de erva-mate no estado do Mato Grosso do Sul, Franchini destacou o desmatamento dos ervais nativos para dar lugar à cultura da soja e do milho; os latifúndios, cujos proprietários têm desinteresse na produção de erva-mate; o cunho extrativista da colheita que não preserva as árvores nativas e a falta de incentivo para o produtor familiar à produção de erva-mate. “Atualmente, nessa região, que abrange a erva nativa, nós temos em torno de 15 mil famílias de agricultores tradicionais, agricultores assentados e indígenas. Porém, não existe incentivo para o plantio da erva-mate dentro dessa região”, aponta.

Porém, desde 2013, após a elaboração da carta de Ponta-Porã, ocorrida no seminário para o fortalecimento da cadeia produtiva da erva-mate na fronteira do estado do Mato Grosso do Sul, vêm sendo realizadas ações com o intuito de fortalecer essa vocação agrícola regional. Por meio do Plano de Desenvolvimento e Integração da faixa de fronteira do estado do Mato Grosso do Sul, foi realizado um estudo para aprofundar o entendimento do problema junto aos agricultores. Dentre os problemas levantados, o primeiro foi a falta de tradição e conhecimento ervateiro entre os agricultores envolvidos, devido ao recente aumento de assentamentos na região.

Diante dessa constatação, criou-se o projeto de fortalecimento da cadeira produtiva da erva-mate na fronteira do Estado do Mato Grosso do Sul, contemplando dez municípios. Ele tem como objetivo também o estímulo à cadeia produtiva da erva-mate e a capacitação técnica dos extensionistas, agricultores familiares e indígenas envolvidos no projeto. Os recursos alocados foram em torno de R$2,7 milhões. “Na seleção dos produtores, foram priorizados os que se enquadram dentro do programa Brasil sem Miséria, selecionando famílias com renda mensal per capita menor do que R$70,00, ou seja, indígenas e agricultores familiares”, explica.

O projeto iniciou com uma capacitação técnica dos 43 extensionistas envolvidos, e em seguida, voltada para os agricultores. “Eu gostaria de agradecer à Embrapa Florestas que realizou esse trabalho, que já capacitou, em uma primeira etapa, 210 agricultores e indígenas, através desse curso, principalmente. Numa segunda fase, haverá visitas técnicas e dias de campo”, conta. Para a implantação, foram custeadas, além de 2400 mudas de erva-mate por produtor, óleo diesel, adubos, coquetelaria? Ou seriam plantas sombreadoras? para proporcionar sombra e manejo de solo.

Este evento on-line foi organizado pela Embrapa Florestas e contou com a parceria do IDR-Paraná, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A gravação está disponível no Canal da Embrapa no Youtube.


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