Agricultores do Vale do Ivaí conhecem tecnologias usadas na produção de frutas

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Agricultores do Vale do Ivaí conhecem tecnologias usadas na produção de frutas

A comitiva foi integrada por 82 pessoas
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O núcleo regional da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de Apucarana organizou uma excursão ao Circuíto das Frutas, em São Paulo, para dar sequência à implantação do projeto de ampliação e melhoria da fruticultura nos 28 municípios que integram o programa Território do Vale do Ivaí, .

A viagem técnica teve como destino os municípios paulistas de Valinhos, Jundiaí e Louveira, tradicionais produtores de goiaba, uva e vinho, com alto padrão de tecnologia. A comitiva foi integrada por 82 pessoas, entre agricultores, representantes de associações rurais, Emater, Secretaria da Agricultura e Abastecimento, prefeituras, entidades de ensino superior e gestores do Território, com interesse na implantação de um polo de produção de frutas de qualidade e de turismo rural na região Norte do Paraná.

Os integrantes da Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi) já produzem frutas em escala comercial, como uva de mesa, banana, abacate, laranja, maracujá, goiaba, caqui, uva para vinho, morango e limão. No ano passado registraram um Valor Bruto da Produção – faturamento bruto pago aos produtores – de R$ 45,6 milhões, o que representou 1,51% sobre o VBP total da região (incluindo todas as culturas) que somou R$ 3 bilhões.

“O objetivo agora é ampliar a participação da fruticultura comercial no Vale do Ivaí e o faturamento dos produtores”, disse o chefe do núcleo regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento em Apucarana, Mário Bezerra Guimarães. Para isso, ele articulou a viagem técnica onde os produtores tiveram acesso a novas tecnologias de produção de frutas, legislação e novas formas de empreendedorismo.

A realização da viagem técnica representa um novo passo rumo à profissionalização da fruticultura no Vale do Ivaí. Antes disso, o núcleo regional da Secretaria da Agricultura em Apucarana já havia patrocinado a realização do 1º Seminário de Fruticultura e Conservação de Solos e Água do Vale do Ivaí, que motivou produtores e profissionais para o aperfeiçoamento técnico e exploração das potencialidades com o cultivo de frutas.

Segundo Bezerra, no Paraná a produção de frutas precisa evoluir, principalmente na questão da agregação de valor e comercialização. Outro ponto a ser destacado – salienta – refere-se à legislação de incentivo aos agricultores. Ele apontou como exemplo a legislação vigente no Circuito das Frutas, em São Paulo, que instituiu o programa de pagamentos por serviços ambientais no município de Louveira.

A lei, sancionada em 2013, teve como objetivo a implantação de ações para proteção dos recursos hídricos, sua qualidade e quantidade para proteção e formação de fragmentos de vegetação nativa e para adequação ambiental da propriedade.

Bezerra disse que vai distribuir cópia do texto da lei paulista para ser distribuída aos prefeitos e vereadores das cidades que compõem a Amuvi, na intenção de fazê-los conhecer a sincronia que predomina entre os poderes públicos e os interesses dos pequenos produtores do Circuito das Frutas, que foi relevante para a organização local.

Segundo o gerente regional da Emater de Apucarana, Cristovon Videira Ripol, a excursão técnica realizada nos municípios integrantes do Circuito das Frutas foi mais um passo importante, visando implementar um trabalho semelhante no Território do Vale do Ivaí. “Os participantes do evento, na sua maioria lideranças municipais e produtores, trouxeram muitas lições, entre elas a que precisamos valorizar nossos produtos e torná-los únicos e atrativos”, afirmou.

Para Ripol, “é preciso ter a coragem de empreender, organizar-se para bem receber turistas nas propriedades rurais, pois estamos próximos disso. Agora precisamos de foco, interesse e participação das administrações municipais como apoiadoras, para as vocações locais se consolidarem em oportunidades”, acrescentou ele.

Segundo a engenheira agrônoma da Emater Lúcia Socoloski, coordenadora do Território Vale do Ivaí, os participantes ficaram muito impressionados com as propriedades visitadas, considerando a possibilidade de implementação e ampliação de ações voltadas à produção de frutas e a expectativa de, num futuro, terem suas propriedades em condições também de receberem turistas.

POLO DE FRUTAS - Conhecido em todo o País, o Circuito das Frutas em São Paulo foi instituído em 2002, através de decreto do governo paulista. É um polo formado pelas cidades de Atibaia, Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Morungaba, Valinhos e Vinhedo, no Sudeste do Estado de São Paulo. O trecho proporciona diversas atividades que deixam o turista em contato com a natureza através de trilhas, cavalgadas e cachoeiras; passeios e visitas a adegas de vinhos e licores, fazendas históricas de café, engenhos de cachaça, apiários e ainda, acesso à gastronomia típica.

Em Valinhos, a comitiva paranaense foi recepcionada no sítio Kusakariba, pequena propriedade de 60 mil metros quadrados que recebe, em média, 5.000 visitantes por ano, o que representa 30% do faturamento do sítio. Nessa propriedade, a goiaba é a principal cultura com predominância das variedades Tailandesa e Cascuda, ambas vermelhas. São 1.400 pés de goiaba instalados que proporcionam uma produção de 160 toneladas por ano. A comercialização é feita no Ceagesp e complementada com a venda direta ao consumidor, cujo valor da fruta varia de R$1,50 a R$ 5,00 por unidade.

Dotado de excelente infraestrutura, o local abriga espaço para seleção e embalagem das frutas, estacionamento, ambiente para recepção e alimentação de turistas, técnicos e estudantes que visitam constantemente o sítio em busca de lazer e conhecimento. O atendimento é feito pelos proprietários, além de seis funcionários fixos que cuidam da produção.

Em Jundiaí, o grupo fez parada na Adega Beraldo di Cale, onde os proprietários cultivam uva, fabricam vinho artesanal e cachaça, além de oferecer serviço de restaurante com comida italiana da fazenda. No ponto de venda, anexo, são ofertados todos os rótulos da adega, licores, queijos e produtos típicos da região. Também ofereceram palestra e degustação aos paranaenses. Chamou a atenção dos visitantes a existência de um caminhão de envase de vinho adquirido pelo consórcio do Circuito para atender os associados.

No município de Louveira, a comitiva visitou os parreirais do sítio Santa Rita, onde o empresário Daniel Micheletto apresentou um histórico da implantação e evolução do cultivo de videiras na região, cujo início deu-se com os imigrantes italianos que vieram substituir a mão de obra escrava na cultura do café no início do século 20.

“Em 1933 apareceu, em Louveira, na vinha de Antônio Carbonari, uma cepa de Niagara Branca, ostentando em alguns ramos cachos de bagas vermelhas e que foram descobertos pelo viticultor Aurélio Franzini. Nasceu assim a mutação somática Niagara Rosada, que se tornaria a uva de mesa mais cultivada no Estado. Na época o bairro de Traviú, onde ocorreu o fato, estava ligado a Louveira e ambos pertenciam ao município de Jundiaí”, disse o palestrante sob a sombra das videiras da pequena propriedade de dois alqueires, que também abriga a fábrica e Adega de Vinhos Micheletto.

Após a palestra no parreiral, os visitantes seguiram para a vinícola onde conheceram o processo de elaboração de diferentes tipos de vinhos ali fabricados.

Em seguida, o grupo foi conduzido até a loja onde são comercializados artigos artesanais produzidos no território do Circuito das Frutas, dentre eles salames, queijos, compotas, doces e geleias. Houve degustação de vinhos, suco de uva e grapa. Cerca de 80% da renda do sítio Santa Rita provem do turismo rural.

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