Agricultores maranhenses encontram dificuldades para retomar a produção

Agronegócio

Agricultores maranhenses encontram dificuldades para retomar a produção

Falta semente e o dinheiro do seguro safra não saiu
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Agricultores do Maranhão que perderam as lavouras por causa das enchentes de maio não estão conseguindo retomar a produção. Falta semente e o dinheiro do seguro safra não saiu.

Uma época que seria de fartura agora é de escassez para a agricultora Martinha Freire. Ela e a família perderam toda a lavoura de arroz por causa da inundação, que durou cerca de dois meses no Maranhão. Só restaram alguns cachos numa área de dois hectares.

“Isso não da para passar o verão. O do ano passado deu pra gente comer até agora. Terminou na semana passada”, contou dona Martinha.

A água em excesso prejudicou 465 mil hectares de lavouras de arroz, milho, mandioca em 125 municípios do Estado. Para tentar amenizar o drama dos agricultores o governo está distribuindo sementes de feijão. Cada agricultor recebe seis quilos.

O agricultor Antônio Oliveira foi um dos primeiros a serem beneficiados pela ajuda. Ainda não começou a plantar, mas fez as contas e acha que é pouco feijão pelo tamanho da família. “Eu tenho cinco filhos homens. Todo mundo trabalho. Só que isso aqui de feijão não da”, avaliou.

O agricultor Benedito Lopes tem um terreno de dois hectares em Arari, no norte do Maranhão, onde costuma plantar arroz, milho, feijão e mandioca. Ele também está insatisfeito com a quantidade de semente que recebeu. “Não da nada de jeito nenhum. Eu tenho que arrumar feijão para jogar bem jogado”, falou.

O governo do Estado reconhece que está distribuindo pouca semente, mas disse que a quantidade foi estipulada visando garantir assistência técnica.

“A característica da área plantada nessa região é de uma linha. Então, calculamos seis quilos por linha, que corresponde à exploração de uma unidade familiar. Não seria o suficiente, mas seria a capacidade que o Estado tem para dar assistência técnica. Se distribuísse mais sementes sem capacidade de assistência técnica haveria uma perda de produção”, explicou Francisco Fernandes, secretário-adjunto da Agricultura do Maranhão.

A esperança dos agricultores é a liberação do Seguro Safra, uma ajuda que ainda não saiu. Os recursos deveriam amenizar perdas nas lavouras, mas até agora nenhum agricultor do Vale do Mearim recebeu dinheiro.

O agricultor Cláudio Almeida plantou um pouco mais de um hectare de arroz no vale do Rio Mearim. Ele perdeu tudo com a enchente e agora não consegue ter acesso ao dinheiro. “Até o momento o seguro está fazendo muita falta. Se chega agora, a gente poderia aproveitar para comprar o arroz, que está com menor preço”, disse.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Maranhão, os agricultores já tiveram as perdas reconhecidas pelo governo federal. Os municípios atingidos pela enchente repassaram a parte que devem para o pagamento do Seguro Safra. O governo estadual afirmou que o dinheiro do benefício deve começar a sair nos próximos dias.


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