Agronegócio

Agricultura de Ponta Grossa (PR) tem boas perspectivas

Sinais de recuperação do mercado agrícola trazem novo ânimo aos produtores da região
Por: -Luciana R. Brick
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Depois de meses amargando os prejuízos deixados no campo pela estiagem e desvalorização do dólar, os produtores da região de Ponta Grossa (PR) começam o ano bastante esperançosos. A primeira boa notícia envolvendo a agricultura é o aumento da produção de grãos. Nesta safra 2006/2007 a previsão é de que sejam colhidas aproximadamente 2,9 milhões de toneladas de grãos. No ano passado, os Campos Gerais colheram cerca de 2,6 milhões de toneladas. Das lavouras deverão ser retiradas agora 1,35 milhão de toneladas de soja e 1,30 milhão de toneladas de milho. De feijão da águas e secas serão colhidos perto de 204 mil toneladas. As estimativas são do Departamento de Economia Rural do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Deral/Seab).

A área plantada nesta safra (2006/2007) deverá chegar a 698,5 mil hectares, com incremento de 28,5 mil hectares em relação ao ano passado. A expectativa é que a maior parte desta área seja ocupada com soja. Os produtores destinaram aproximadamente 417 mil hectares. Para o milho foram reservados 173 mil hectares e para o feijão (águas e secas) 93,5 mil hectares.

Para o agrônomo do Deral, José Roberto Tozato, o clima quente e chuvoso é a garantia da boa produtividade das lavouras. “Estamos tendo sol e chuvas e isto é muito bom”, diz. As perspectivas para este e para os próximos anos são bastante animadoras, segundo o agrônomo. Ele lembra que os Estados Unidos estão utilizando o milho para a produção do álcool e isto deverá fazer com que aquele país deixe de exportar o cereal. “Isto abrirá espaço para o Brasil no mercado internacional. O nosso País tem condições de suprir a demanda dos outros países. O aumento das exportações brasileiras pode melhorar os preços para os nossos produtores”, observa.

Quanto a soja, que está sendo utilizada na fabricação do biocombustível, ele acredita que a medida pode aumentar a demanda interna e trazer expectativa de melhora do preço. A segunda grande notícia para o setor, neste ano, é reação do mercado agrícola. O operador de Mercado da Safra Sul, José Gilmar Carvalho de Oliveira, já vê sinais de melhora. “O custo de produção reduziu bastante no final de 2006, o clima está ajudando o produtor a fazer uma boa lavoura e o mercado internacional reagiu com a soja sendo utilizado não só como alimento, mas energia (foco no biodiesel)”, diz Gilmar.

Para ele os doze meses passados foram complicados porque o custo de produção da lavoura continuava alto a exemplo de 2005 e os preços internacionais não estavam nada atraentes. “Os preços reagiram no finalzinho de 2006 e então os produtores aproveitaram para traçar valores agora para este ano”, observa o operador, que cita como exemplo o milho. “O melhor preço do milho durante todo o ano passado ficou na casa de R$ 20 a saca e agora para março a cotação mais baixa varia de R$ 18,50 a R$ 19 a saca. Isto quer dizer que podemos passar dos R$ 20 a saca”, comemora Gilmar.

O presidente da Sociedade Rural dos Campos Gerais, Luís Eduardo Pilati Rosas, diz que as perspectivas para a região são boas. “Temos que lembrar que nesta mesma época em 2006 a seca havia comprometido toda a safra de milho. Neste ano, a safra está pronta. O preço para venda é 50% melhor que no ano passado. As soja também está bem encaminhada. Estamos tendo muita chuva, mas o clima deve melhorar na semana que vem”, fala Pilati. Para ele, “o segmento de grãos está bom, o de carne e leite também. Podemos pensar nesta safra em ter uma remuneração condizente com o nosso trabalho”, observa Pilati.

Clima traz novo ânimo ao mercado

Atento à meteorologia, o operador de Mercado da Safra Sul, José Gilmar Carvalho de Oliveira destaca que os bons resultados para a agricultura neste ano dependerão muito do tempo. “Não adianta os preços reagirem no mercado agrícola e o clima não colaborar para o desenvolvimento das culturas. Até agora, pelo menos, o tempo está favorável”, comenta o operador.

Para o presidente da Co­ope­rativa Castrolanda, Frans Borg, as perspectivas para os próximos meses são melhores. “O custo de produção está um pouco mais ameno, entre 10% e 15%, além disto os preços dos produtos também estão melhores. Assim, o que se espera é que o produtor tenha uma melhor rentabilidade com a safra de 2007”, fala Frans.

O presidente lembra que entre os anos de 2005 e o passado o grande problema do setor foi a valorização do Real frente a moeda norte-americana. “A queda do dólar trouxe muito descontentamento para o setor”, observa. O presidente acredita também no aumento de consumo do milho e da soja, culturas utilizadas para a produção do biocombustível. “Tudo leva a crer que o consumo destes produtos será maior e com isto os preços tendem a melhorar”, atenta Frans.

O secretário municipal da Agricultura, Laertes Bianchesi, diz que os produtores esperam uma melhor rentabilidade, principalmente, das commodities em relação à safra passada. “A agricultura vem há dois anos tendo muita dificuldade em função de problemas climáticos e da valorização do dólar. A expectativa é melhorar a rentabilidade porque o plantio foi feito com o dólar em torno de R$ 2,15 e este valor vem se mantendo”, diz Laertes. “A agricultura hoje não está tendo renda para se manter. Temos acompanhado a descapitalização dos agricultores que vêm acumulando dívidas. Precisamos da manutenção da renda e da reação dos preços internacionais”, completa o secretário.

Laertes chama a atenção ainda para a necessidade de aperfeiçoamento da política agrícola. “O governo que está se iniciando precisa aprimorar as políticas agrícolas para que o produtor tenha mais segurança e possa trabalhar protegido”, atenta o secretário.

Exportação - O agronegócio brasileiro respondeu por 73% do superávit (saldo positivo) comercial alcançado pelo País no ano passado, que chegou a US$ 46 bilhões. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luiz Carlos Guedes Pinto, anunciou que o agronegócio, sozinho, registrou saldo de US$ 42,726 bilhões, com crescimento de 13,04% sobre o superávit do agronegócio em 2005. O ministro disse que as perspectivas para este ano são ainda melhores, uma vez que os preços mundiais da soja e do milho estão se recuperando, e as condições climáticas no Brasil são favoráveis.

Recuperação deve influenciar o comércio

O presidente da Associação Co­mer­cial, Industrial e Empre­sarial de Ponta Grossa (Acipg), Jor­dão Bahls de Almeida Neto, acredita que 2007 será um ano bom tanto para a agricultura como para o comércio. “Se melhorar para os agricultores melhorará também para os lojistas”, diz ao comentar sobre a cotação de soja. “O preço da soja hoje está bom. O que está ruim é o dólar desvalorizado”, fala.

Para ele, os produtores que não fizeram grandes empréstimos bancários entre 2005 e início de 2006 estão numa situação confortável. “Quem não adquiriu dívidas está bem desde meados do ano passado”, observa. O empresário acredita ainda nos incentivos do governo federal para a agricultura. “Este ano as perspectivas não são espetaculares, mas boas. O governo está apontando com alguns incentivos e, portanto, devemos ter um ano bom na agricultura”, acredita.

O presidente aposta em números positivos também no comércio. “No ano que passou o comércio no Estado teve um incremento de 6%. Na nossa região poderia ter sido melhor se a agricultura não tivesse tido este colapso, principalmente no setor agropecuário”, considera.

Ele lembra ainda os transtornos provocados em função do anúncio de possíveis focos de Febre Aftosa no Estado. “Isto também acabou influenciando e trazendo alguns transtornos para todos nós”, fala. Para o empresário, apenas o setor madeireiro de compensado ainda deve continuar em crise em 2007. “Para esta área ainda de continuar ruim até que o dólar volte a subir”, fala.

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