Agricultura investe na precisão para melhorar resultados

Agronegócio

Agricultura investe na precisão para melhorar resultados

A agricultura de precisão tem a Tecnologia de Informação (TI) como uma das ferramentas para mapear e monitorar a lavoura
Por: -Elaine Utsunomiya
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A vassoura é um dos itens de limpeza da casa mais básicos, mas pode não ser o produto mais eficaz ou de manejo mais fácil, especialmente quando se trata de limpeza de piso como o carpete.

Conhecer cada cômodo da casa permite saber qual o melhor tipo de limpeza, quando e como fazê-lo. É assim também com a agricultura de precisão, que tem a Tecnologia de Informação (TI) como uma das ferramentas para mapear e monitorar palmo a palmo de chão da lavoura.

Colhedoras equipadas com GPS, o GIS (Sistemas de Informação Geográfica), sensores, computadores e softwares, que servem para mapear e monitorar a plantação, bem como identificar as áreas mais ou menos produtivas. Assim, pode-se determinar "quando, quanto e onde" o insumo deve ser aplicado para a correção de fatores limitantes à produção.

"Hoje, a propriedade rural, na sua maioria, é tratada de forma homogênea, com a adubação, por exemplo, feita de forma igualitária. Já vimos áreas bem férteis dentro de uma mesma propriedade, em que a adubação poderia ser reduzida o que geraria uma economia ao produtor e um impacto menor ao meio ambiente", destaca o pesquisador da Embrapa Oeste, Marcos Joaquim Matoso antes de dizer que a agricultura de precisão enfatiza a individualização da produção.

Segundo Luiz Gonzaga, coordenador do curso de gestão do agronegócio do Cesumar, o novo modelo de gestão leva em conta o uso da tecnologia de informação no manejo da variabilidade das áreas cultivadas para o gerenciamento da produção agrícola, com vistas ao aumento da produtividade e redução dos custos.

É justamente esse o desafio constante do agricultor, especialmente depois da globalização da economia e com a alta competitividade do preço do produto agrícola no mercado internacional.

Tecnologia

Entretanto, a tecnologia não é um pacote de soluções mágicas que num toque de automação resolvem todos os problemas no campo, mas é uma das peças desse que permite maior eficiência e controle dos resultados obtidos no campo.

"Há muito a ser discutido e avançado nesse sentido. Acho que a agricultura de precisão é o ajuste fino. Primeiro produtor tem fazer o arroz com feijão bem feito", analisa o agrônomo Leandro Gimenez, da Fundação ABC Paraná.

Lição de casa

Ele estima que pelo menos 70% dos produtores ainda não realizam o monitoramento dos talhões (unidades de produção da lavoura), considerado o arroz com feijão.

"Isso não requer tecnologia de ponta. Pode ser feita no papel", atenta para acrescentar: "Assim, o produtor saberá quais as áreas mais produtivas e quais as menos e então buscar assistência para descobrir a causa para então fazer a intervenção, se for economicamente viável".

Gimenez acredita que a agricultura de precisão, hoje, pouco explorada no Brasil, só deve ser incorporada em massa pela próxima geração de produtores rurais, em 15 a 30 anos. Já o professor do Cesumar, Gonzaga, avalia que os produtores tendem e devem mudar o sistema de gestão agrícola antes desse prazo.

"O uso de tecnologias não pode ser postergada e sim facilitada o quanto antes", opina. "Mas, entendo também que o caminho até o avanço é longo e isso implica também na formação de mão de obra".

O fiel da balança para a adoção da agricultura de precisão está naturalmente na análise econômica, ou seja, na questão se a redução dos insumos acompanhado do aumento de produtividade compensa os investimentos tecnológicos e os demais custos que acompanham sua implantação.

"É claro que para o pequeno produtor os custos de uma colhedora com GPS e monitor (comercializados em média por R$ 500 mil) que indica quanto está sendo colhido naquele trecho de terra são altos, mas só dele fazer o controle dos talhões já poderá ajudá-lo. Pode ser mais compensatório suspender o plantio na área x, porque o custo de produção é maior do que o de plantio", aponta Antônio Marcos Coelho, da Embrapa Oeste. Ele informa que a instituição desenvolve pesquisas de novos equipamentos de precisão (sensores) para democratizar o acesso à tecnologia.

Saiba mais

A agricultura de precisão surgiu nos países europeus e, em seguida, nos Estados Unidos. O surgimento dessa técnica se deu pela necessidade de adaptação à legislação ambiental de alguns países, como a Holanda e Dinamarca, que obrigam o agricultor a controlar os níveis de insumos adicionados ao solo, evitando danos ao meio ambiente. No começo da década de 90, os norte-americanos transformaram a agricultura de precisão em um grande negócio e empresas começaram a colocar no mercado sensores, softwares e serviços.

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