Agro nas alturas
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Agro nas alturas

Nem crise faz demanda dos emergentes arrefecer, dizem economistas como Larry Summers
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Nem crise faz demanda dos emergentes arrefecer, dizem economistas como Larry Summers 

Nos últimos anos, o eixo do consumo de produtos do agro (alimentos, energia, fibras) virou-se para o mundo emergente, leia-se, principalmente China e adjacências, e a tendência é de que este cenário se consolide cada vez mais, se sustentando por muito tempo. Como um dos protagonistas do agro mundial, o Brasil tem uma grande chance de aproveitar esta oportunidade como uma alavanca de geração de riqueza e consequentemente desenvolvimento para o País.

Esta é a síntese da avaliação de um conjunto de especialistas ouvidos pelo Sou Agro. De acordo com Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos e ex-reitor da Universidade de Harvard, a China cresceu em média 7% ao ano nas últimas três décadas. “Crescer 7% ao ano por 70 anos, que é o tempo médio de uma vida humana, é multiplicar o PIB por 100”, disse em evento, realizado na semana passada, em São Paulo (SP), acrescentando que “a Ásia é restrita em recursos naturais e a presença global da China é uma maneira de garantir acesso a commodities”.
A manutenção da demanda chinesa encontra respaldo nas estimativas de aumento do PIB local, que segundo Osmar Roncolato, diretor do Bradesco, deve crescer 7,5% neste ano e algo parecido em 2013. “A agricultura sempre vai se sustentar em torno do processo de urbanização na China e sua periferia”, afirma. “Até porque, não vejo nos próximos cinco anos uma demanda vibrante dos países ricos.” Roncolato avalia como correta a posição brasileira de focar nos emergentes.

“Vendemos para os que mais crescem, para os mercados mais dinâmicos. Não vejo como uma estratégia inadequada.” Segundo o diretor do Bradesco, aproximadamente 65% do que exportamos vai para os emergentes, com um grande destaque para os agroprodutos.

Para Delfim Netto, economista e ex-ministro da Fazenda e da Agricultura, mesmo o efeito de uma eventual desaceleração da China sobre o consumo de alimentos, por exemplo, será pequeno, porque os chineses vão continuar comendo, se urbanizando e enfrentando escassez de água, problema crônico para a produção agropecuária local.

O avanço persistente da demanda encontra respaldo em números divulgados por Robert Hoff, ministro conselheiro da embaixada dos Estados Unidos e chefe das operações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos no Brasil (USDA, na sigla em inglês). Ele prevê que o comércio agrícola mundial deve crescer para US$ 1 trilhão em 2020, com a América do Sul liderando a expansão de oferta.

Alexandre Figliolino, diretor do Itaú BBA, destaca que poucos setores da economia têm potencial para crescer como o agro e que os investidores devem olhar com muito carinho para os negócios no setor. “Vamos assumir a liderança em soja, o milho vai crescer ainda mais, a demanda por produtos sucroenergéticos só aumenta, e assim vai.”

Preços e custos

A demanda aquecida e os desafios de oferta funcionarão como um trampolim para os preços agrícolas mundiais, dizem os especialistas. De acordo com João Pacheco, vice-diretor da Diretoria Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural da União Europeia, temos assistido a inversão de uma tendência de mais de 100 anos de redução dos preços agrícolas.

“Na nossa análise, essa inversão veio para ficar”, frisou ao palestrar em evento, realizado na semana passada, na capital paulista. “Se nos últimos 20 anos, os preços agrícolas puxaram a inflação para baixo, nos próximos 20 anos isso vai ser diferente”, endossa Reinhold Stephanes, deputado federal (PMDB-PR) e ex-ministro da Agricultura.

Já Regina Couto Silva, economista do Bradesco, salienta que as cotações das commodities devem se acomodar um pouco, devido à expectativa de safras recordes, mas num patamar elevado, bem acima das médias históricas. “Vivemos uma relação estoque-consumo global baixa.”

Hoff pontua que, além da acentuada demanda, os preços das carnes e grãos continuarão subindo nos próximos 10 anos também, em razão, da elevação dos custos, sendo um dos mais relevantes à alta do petróleo. “Tivemos um bom ano na safra de grãos, mas estamos sofrendo uma pressão generalizada de custos dos insumos”, alerta João Sampaio, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp.

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