Agroenergia para a agricultura familiar é tema de dia de campo em SP

Agronegócio

Agroenergia para a agricultura familiar é tema de dia de campo em SP

O cultivo de soja e outras oleaginosas para produção de biodiesel é alternativa à produção de cana-de-açúcar
Por: -Joana
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Assentados da reforma agrária de Motuca (SP) estão investindo no cultivo de soja e outras oleaginosas para produção de biodiesel como alternativa à produção de cana-de-açúcar. A experiência piloto vem sendo desenvolvida com o suporte da Embrapa em conjunto com a Fundação de Estudos de Pesquisas Agrícolas, e Florestais (Fepaf- Botucatu) outras instituições de pesquisa como a Unesp, tem potencial de expansão. Um dia-de-campo marcado para sexta-feira (29/4) divulgará a iniciativa junto a agricultores e empresários do setor de bioenergia na região.


A usina para a qual os assentados da Fazenda Monte Alegre vendiam sua produção foi desativada e os trabalhadores foram obrigados a buscar alternativas para o uso da terra. Em 2009, a associação dos agricultores e a prefeitura local procuraram o apoio da Embrapa, que realizou a avaliação das condições gerais de clima, qualidade da terra, oferta de água, infraestrutura e mercado, apresentando, ao final, uma proposta.

“O levantamento apontou para a manutenção dos assentados no atendimento ao setor energético, mas agora na cadeia produtiva das oleaginosas”, explica o gerente local do Escritório de Negócios de Campinas, Fernando Matsuura, da Embrapa Transferência de Tecnologia, Unidade da Empresa responsável pela análise. 

Articulação
Durante o levantamento, foi detectado gargalo também junto à indústria fabricante de biodiesel, obrigada a buscar na produção gaúcha parte da matéria prima necessária. “A ideia, então, foi fazer com que os dois elos dialogassem, promovendo inovação na gestão do arranjo produtivo para benefício de toda a cadeia e da região”, argumenta o coordenador do estudo, pesquisador Pedro Abel, do Escritório de Negócios da Embrapa no Estado.
O uso do selo social é uma das vantagens para a indústria de processamento que a pesquisadora Júnia Rodrigues de Alencar, da Embrapa Transferência de Tecnologia, apresentará em palestra sobre o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel durante o dia de campo da sexta-feira. 

Organização
Como a cultura da soja exige produção em escala, foi preciso contar com a organização dos agricultores. Cerca de 30 famílias do Assentamento I da Monte Alegre aceitaram integrar o projeto piloto. Durante o dia de campo, iniciam a primeira colheita da soja, diz Abel - que durante o evento falará sobre a iniciativa.

A área ocupada com o cultivo da oleaginosa é de cerca de 200 hectares, “mas há potencial para chegar a mil hectares”, ressalta o pesquisador. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Meio Ambiente de Motuca, Jair dos Santos, acrescenta que o desejo de adesão dos assentados tem sido maior do que a capacidade de investimento da prefeitura – que atualmente oferece o maquinário. 
 
Também o secretário tem planos de ampliação da iniciativa com envolvimento da totalidade das 408 famílias da Fazenda Monte Alegre que ocupam um total de 7 mil hectares e planeja a construção de uma usina de pequeno porte para o processamento de até 5 milhões de litros por ano com a produção local.
No dia de campo, o secretário faz palestra sobre Associativismo e Cooperativismo e o prefeito de Motuca João Ricardo Fascineli Santos falará sobre o apoio à agricultura familiar. As culturas de girassol e crambe também começam a ser testados nos assentamentos.

A importância da diversificação das matérias primas para a produção de biodiesel será tema dos professores da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Unesp, Carlos Alexandre Crusciol e Rogério Peres Soratto. Já o melhoramento genético de oleaginosas não alimentares estão na programação e vai ser tratado pelo também professor da FCA Unesp Maurício Dutra Zanotto.

Hortaliças
No momento, o cultivo de oleaginosas ocupa apenas cerca de 10% da área de produção dos assentamentos por isso o estudo do Escritório de Negócios de Campinas sugeriu ainda o cultivo de hortaliças. Um levantamento sobre as variedades mais adequadas à região está sendo feito e a produção deverá ser destinada tanto ao consumo das famílias como à merenda das escolas públicas locais, segundo Pedro Abel.

O dia-de-campo Desenvolvimento Sustentável da Agroenergia na Agricultura Familiar conta com o apoio da Fundação de Estudos de Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf- Botucatu), da Faculdade de Ciências Agrárias de Unesp Botucatu/SP e da Cooperativa dos Agricultores Familiares da Região Centro Paulista (Coorpefasc).

As informações são da Embrapa Transferência de Tecnologia


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