Agronegócio mostra mudanças no mercado profissional

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Agronegócio mostra mudanças no mercado profissional

Produção requer técnicos com visão de gestor e agroindústria exige especialistas
Por: -Maria José Braga
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O número de empregos formais na agropecuária goiana caiu e o número de contratados na agroindústria subiu entre os meses de janeiro e outubro deste ano. Segundo a pesquisa de flutuação do emprego formal, do Ministério do Trabalho e Emprego, o saldo negativo no campo foi de 35 empregos, enquanto a agroindústria criou, no mesmo período, 1.483 novas vagas em Goiás.

Os dados revelam mudanças no mercado profissional do agronegócio. Elas começam com a diminuição da utilização de mão-de-obra nas atividades produtivas (um efeito da mecanização) e chegam à incorporação de novos profissionais, que antes não tinham ligação com o setor. Uma agroindústria, por exemplo, pode empregar engenheiros de alimentos, biólogos, químicos, nutricionistas e gestores ambientais. Do mesmo modo, uma grande propriedade rural voltada para a produção florestal pode empregar um engenheiro florestal ou uma fazenda exportadora de produtos orgânicos vai ter de contratar uma certificadora.

A ampliação do número de profissões absorvidas pelo agronegócio é conseqüência da própria amplitude do setor. Da produção de insumos para o produtor rural à indústria da transformação, passando pelas atividades rurais propriamente ditas, tudo cabe na definição de agronegócio. “Não por acaso, ele (o agronegócio) é responsável por cerca de 27% do PIB nacional e por quase 60% do PIB goiano”, lembra o agrônomo e economista José Ferreira Noronha, professor da escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás.

Agroindústrias

Em Goiás, a agroindústria está em expansão e seu crescimento criou novas demandas para o mercado profissional. A maioria numérica dos empregados das indústrias de transformação são operários da linha de produção, mas ampliou-se também o número de vagas para técnicos de nível superior – dando preferência para os especialistas –, além dos administradores e demais profissionais necessários à qualquer empresa.

Para se ter idéia da ampliação de mercado que a agroindústria vem provocando basta citar que, somente em sua unidade de Rio Verde, a Perdigão gera cerca de 6,4 mil empregos diretos e outros 32 mil indiretos. Na unidade de Mineiros, a ser inaugurada em março, devem ser empregados aproximadamente 2,7 mil trabalhadores.

A empresa não quis informar qual a composição de seu quadro de funcionários em Goiás. Mas é certo que o número de operários supera o de técnicos de nível médio e nível superior. Também é certo que a agroindústria em geral contrata pessoal de profissões consolidadas do agronegócio, como agronomia, veterinária e zootecnia, e também de profissões emergentes, como a engenharia de alimentos. “Os estagiários do nosso curso de engenharia de alimentos estão saindo da faculdade empregados”, informa o professor Noronha.

Gestão

Do lado de dentro das porteiras, a demanda ainda é por profissionais com conhecimentos técnicos. No Brasil, apenas 16,7% dos pequenos proprietários e 43,5% dos grandes produtores contam com assistência técnica direta. Isso demonstra que ainda há mercado para as mais tradicionais e abrangentes profissões do campo: a agronomia, a veterinária e a zootecnia.

A diferença atual é que os proprietários rurais precisam contar com a assistência de profissionais com conhecimento técnicos e com visão geral de gestor. Se a tecnologia empregada à agricultura e pecuária promoveu uma verdadeira revolução no campo no que diz respeito ao aumento da produção e da produtividade – ainda que nem todos os produtores tenham acesso a ela –, o bom desempenho econômico dos produtores depende de outra revolução: a administrativa.

“O produtor acha que pode administrar seu negócio sozinho e muitas vezes consegue isso. Mas, no futuro, a empresa rural terá de ter administrador ou pelo menos um consultor para auxiliar na gestão”, afirma Noronha. Já para o agrônomo Antônio Carlos de Souza Lima, professor de planejamento rural do curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Goiás e diretor de qualidade da Leitbom, não dá para esperar o futuro. “Atualmente, qualquer atividade precisa ser trabalhada com visão gerencial. As decisões precisam ser tomadas com base em tecnologia de gestão”, disse.

Os dois afirmam que dificilmente o produtor rural vai investir na contratação de um profissional que cumpra apenas a função de gestor. Primeiramente pelas dificuldades financeiras, mas também por questões culturais; ele está acostumado a gerir sua propriedade. Por isso, ambos afirmam que têm mais chances no mercado os profissionais com conhecimentos técnicos, mas que também tenham a visão gerencial.

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