Agronegócio revê conceitos e aposta na sustentabilidade

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Agronegócio revê conceitos e aposta na sustentabilidade

Setor tem desafios como a questão ambiental e as práticas trabalhistas, mas empresas já mostram avanços
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O agronegócio brasileiro, cuja cadeia responde por 30,2% do PIB do país, é também um setor com grandes desafios a enfrentar no campo da responsabilidade corporativa, como as questões trabalhistas, a degradação ambiental e a falta de qualificação da mão-de-obra rural. No entanto algumas empresas do setor já passam a incorporar os princípios da sustentabilidade nos negócios e investem em programas sociais, atentas aos ganhos competitivos que essa nova atitude pode trazer.

Um exemplo é a Perdigão, que já pensa na sucessão familiar nas propriedades rurais responsáveis pelo suprimento de matérias-primas essenciais como aves, suínos e milho. A empresa, que fechou 2004 com um aumento de 132% no valor de suas ações, começou um trabalho de capacitação em gestão do agronegócio voltado para os filhos dos produtores, com o objetivo de garantir a continuidade dos negócios.

"O segredo do sucesso do modelo produtivo da Perdigão é a parceria com os produtores integrados", afirma Ricardo Menezes, diretor de relações institucionais da Perdigão. São 6 mil parceiros em quatro Estados - Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "Precisávamos assegurar um meio de continuar com esse modelo", diz, referindo-se ao sistema de minifúndios fornecedores de matérias-primas para a indústria. As parcerias, que começaram a ser tecidas na década de 1960, foram aperfeiçoadas ao longo dos anos e hoje são a base de fornecimento do frigorífico.

No início deste ano, foi inaugurada uma escola em Videiras (SC) em parceria com o governo catarinense. "O objetivo é capacitar os filhos dos produtores dentro de um contexto de competitividade, do agronegócio moderno", frisa Menezes. A primeira turma, cujas aulas começaram no mês passado, tem 35 alunos e conteúdos que abrangem economia rural, fruticultura, silvicultura, saúde animal e preservação ambiental. "Todas as vertentes do agronegócio estão sendo contempladas na escola, não somente os tópicos pertinentes ao negócio da Perdigão", diz.

Agora, o próximo passo será a contratação de uma consultoria especializada em sucessão familiar para auxiliar no trabalho com as famílias dos alunos. "O papel da consultoria será atualizar os pais sobre a sucessão e as formas de se gerir o agronegócio familiar", diz Menezes. "Pois os filhos vão voltar para o sítio com outra cabeça".

Suinocultura:

A AgCert, empresa de origem canadense especializada em certificação de créditos de carbono para o agronegócio, está apostando no potencial de geração de créditos da suinocultura brasileira. Tradicionalmente uma cultura com grande impacto ambiental - dado o volume e potencial poluente dos dejetos que gera -, agora os criadores também podem se adaptar aos novos tempos.

A empresa investiu perto de US$ 400 mil em projetos de diminuição da poluição nos criadouros. Para isso, está construindo biodigestores em 60 propriedades rurais. A tecnologia, simples, consiste em um tanque coberto, para onde os dejetos são encaminhados e a fermentação da matéria orgânica é feita por bactérias. Nos biodigestores, o gás metano proveniente da decomposição dos resíduos deixa de ser liberado na atmosfera e é canalizado para queimadores específicos, onde pode ser convertido em eletricidade.

"Estes liberam para a atmosfera apenas o gás carbônico, que, embora seja um gás causador de efeito estufa, é cerca de 20 vezes menos poluente do que o metano", explica a veterinária Josefa Garzillo, gerente de operações ambientais para a Amércia Latina da AgCert. Já são sete equipamentos em funcionamento, e os produtores parceiros da AgCert receberão 10% dos ganhos obtidos com a negociação dos certificados de emissões reduzidas, ou créditos de carbono. Entre os compradores, estão os governos do Japão e Holanda.

A indústria de açúcar e álcool também está atenta à questão da responsabilidade social. Em Mato Grosso do Sul, um grupo de empresas, lideradas pelo grupo José Pessoa, firmou um acordo com o Instituto Ethos para propagar esse modelo de gestão para toda a cadeia que envolve o setor. "No quesito responsabilidade social, o setor sucroalcooleiro ainda é introspectivo. Precisamos avançar na proliferação desse comportamento", afirma José Pessoa de Queiróz Bisneto, presidente do Grupo José Pessoa. Uma das grandes dificuldades do setor, empregador intensivo de mão-de-obra, é o cumprimento estrito das leis trabalhistas. Segundo Bisneto, a questão ambiental já está bem resolvida.


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