Ajustes do USDA provocam alta dos grãos
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Agronegócio

Ajustes do USDA provocam alta dos grãos

Para soja e milho, pesaram as projeções de demanda maior; no trigo, a queda da produção global
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São Paulo - As revisões promovidas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em suas estimativas para a oferta e a demanda de soja, milho e trigo no país e no mundo resultaram em forte valorização das três commodities na quinta-feira bolsa de Chicago. Com os ganhos, as quedas acumuladas de soja e milho em 2010 naquele mercado foram praticamente zeradas, enquanto a alta do trigo já se aproxima de 35%, de acordo com o Valor Data.

No caso do trigo, o salto observado era uma "barbada". Sobretudo em consequência da severa estiagem na Rússia e em países vizinhos, o USDA reduziu sua projeção para a produção mundial do cereal nesta safra 2010/11, que está em desenvolvimento no Hemisfério Norte, para 645,73 milhões de toneladas. O volume é 2,3% menor que o previsto em julho para a atual temporada e quase 35 milhões de toneladas mais magro que o total colhido em 2009/10.

Ainda que a produção dos EUA tenha sido revisada para cima pelo USDA, prevaleceu entre os traders de Chicago o sentimento de que poderá haver algum desabastecimento no mercado global, daí a alta de preços. Os contratos com vencimento em dezembro, que ocupam a segunda posição de entrega (normalmente a de maior liquidez), subiram 17 centavos de dólar por libra-peso e fecharam a US$ 7,2675 por bushel. Em agosto, o salto acumulado chega a 7,21%; em 2010, a valorização dos futuros de segunda posição já é de 34,01%.

Não é uma boa notícia para o Brasil, um dos principais importadores mundiais da commodity e onde as cotações já começaram a refletir a tendência global. Ainda assim, segundo análise divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), a reação doméstica tem sido lenta até agora e em algumas praças ainda não houve mudanças significativas. E apesar da quebra global, lembra o Cepea, os estoques no mundo seguirão acima da média histórica.

"As estimativas apontam que a menor oferta e o maior consumo reduzirão os estoques, mas ainda devem ser de 174,76 milhões de toneladas, um dos maiores do histórico", diz Lucilio Rogerio Alves, professor do Cepea, em análise publicada na quinta-feira. Em 2009/10, os estoques finais globais foram de 193,97 milhões de toneladas, de acordo com as estatísticas do USDA.

Nos mercados de soja e milho, as altas de preços refletiram ajustes para cima promovidas pelo USDA no lado da demanda, ainda que também tenham sido realizadas correções para cima na produção - que nos EUA, por exemplo, deverá ser ainda mais vasta do que o anteriormente previsto para ambos os grãos.

Com os problemas do trigo, analistas esperavam que o USDA fosse elevar ainda mais sua previsão para a demanda global de milho, já que em países europeus o segundo comumente substitui o primeiro na fabricação de rações. Mas, mesmo com uma correção de apenas 0,06% em relação à estimativa de agosto, para 831,42 milhões de toneladas, e principalmente em virtude da elevação da projeção do USDA para as exportações americanas, os contratos para dezembro subiram 10,75 centavos em Chicago e fecharam a US$ 4,2175 por bushel. Trata-se do o maior valor para a segunda posição de entrega desde 11 de janeiro deste ano, segundo o Valor Data.

"Foi o relatório da demanda", constatou Renato Sayeg, da Tetras Corretora, sobre os números do USDA para a soja. Para a demanda mundial, o aumento em relação ao relatório de julho do órgão foi superior a 3 milhões de toneladas, para 250,92 milhões de toneladas em 2010/11, ante as 237,44 milhões de 2009/10. Para as exportações dos EUA, o ajuste para cima superou 2 milhões de toneladas.

"Mesmo com o novo número para a produção americana ter vindo acima das previsões mais otimistas e da relação entre estoques e demanda nos EUA ser a maior desde 2006/07, a expectativa de crescimento da demanda prevaleceu", afirmou Sayeg. Em Chicago, os papéis do carro-chefe do agronegócio brasileiro - inclusive na exportação - para setembro subiram 9,50 centavos de dólar, para US$ 10,26 por bushel.

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