Álcool desbanca o açúcar e fica mais remunerador
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Agronegócio

Álcool desbanca o açúcar e fica mais remunerador

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Depois de três safras consecutivas altamente remuneradoras para o açúcar, o álcool voltou a ficar mais atraente para os empresários do setor sucroalcooleiro. Levantamento da Job Economia e Planejamento mostra que o álcool anidro está pagando mais que o açúcar negociado no mercado interno há duas semanas.

"É uma situação nova, se considerarmos que desde a safra 2000/01 o açúcar estava mais atraente para as usinas", afirmou Júlio Maria Martins Borges, diretor da consultoria.

Os preços do açúcar no mercado interno são negociados entre R$ 19,50 a R$ 20 a saca de 50 quilos, com desvalorização de quase 50% em relação aos últimos 12 meses. O álcool anidro, usado na mistura com a gasolina, é negociado entre R$ 0,66 e R$ 0,67 o litro, com imposto (PIS/Confins), com elevação de 4,7% sobre outubro do ano passado. O hidratado, utilizado direto no tanque, está cotado a R$ 0,56 o litro (com PIS/Confins), praticamente o mesmo preço negociado no mesmo período do ano passado. Pelos dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o açúcar ainda estava 6% mais remunerador na semana encerrada no dia 24 de outubro.

"Há um equilíbrio melhor entre a oferta e demanda para o álcool. O mesmo não ocorre com o açúcar, com os estoques carregados", afirma Martins Borges. "Essa inversão de preços favorável ao álcool sinaliza uma mudança estrutural que veio para ficar".

Nas últimas semanas, a compra de álcool por parte das distribuidoras estava lenta, "da mão para boca", de acordo com fontes do setor. As distribuidoras estavam na expectativa de que os preços baixassem mais.

Para José Pessoa de Queiroz Bisneto, presidente do Grupo J. Pessoa, a demanda por álcool combustível voltou a crescer no segundo semestre e deve se consolidar no curto prazo. "Os preços do hidratado estão mais vantajosos na bomba", observa.

O empresário acredita que com a aprovação do projeto de lei 554/2002, na noite da quinta-feira passada, que reduz a alíquota do ICMS de 25% para 12% no Estado de São Paulo, o preço do hidratado deverá baixar entre R$ 0,13 e R$ 0,15 por litro na bomba, o que deverá estimular mais o consumo. "Cabe agora ao consumidor fiscalizar a redução nas bombas de combustível". O projeto, de autoria do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ainda deverá ser sancionado por ele, antes de entrar em vigor, a partir de janeiro do próximo ano.

Para o setor, a redução do ICMS para o hidratado foi bem recebida. "A medida vai inibir a sonegação", afirma Martins Borges.

O consumo mensal de álcool estava em 900 milhões de litros entre maio e junho deste ano e já ultrapassa 1 bilhão de litros mensais em agosto no Centro-Sul. A expectativa é de que o consumo do álcool combustível aumente nos próximos meses.


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