Alerta sobre adubação nitrogenad?a em trigo e qualidade industrial
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Agronegócio

Alerta sobre adubação nitrogenad?a em trigo e qualidade industrial

Pesquisadores da Embrapa alertam
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Pesquisadores da Embrapa alertam sobre questionamentos que têm surgido sobre o uso da adubação nitrogenada no trigo visando a qualidade industrial

Recentemente, através de palestras, dias de campo e publicações, tem sido preconizada a adubação nitrogenada de cobertura na fase de espigamento do trigo com o objetivo de aumentar a qualidade industrial dos grãos para todas as cultivares de trigo atualmente disponíveis no mercado.

Visando dar subsídios aos triticultores para tomada de decisão coerente com a tecnologia vigente e baseada nas indicações técnicas da V Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (2011), a Embrapa, no intuito de evitar erros técnicos e desperdício de recursos, esclarece que:

É sabido, por meio de revisão de literatura, principalmente a partir de trabalhos realizados na Europa e América do Norte, que, quando se aplica adubo nitrogenado em estádios mais tardios da planta de trigo (fasereprodutiva) há aumento na porcentagem da proteína total do grão e, na maioria das vezes, há aumento da força de glúten (valor de W). No entanto, nas condições ambientais do Brasil isso não tem acontecido. Para a formação da porção proteica dos grãos de trigo, a maior parte do nitrogênio (N) é remobilizada de outros órgãos da planta no decorrer da fase de enchimento de grãos. Portanto, eventos pós-espigamento, tais como, elevadas temperaturas, deficiência hídrica, oferta de nutrientes, etc., podem influenciar a composição proteica e/ou amilácea do trigo.

No que diz respeito à adubação nitrogenada, ressalta-se que as repostas do trigo ao N variam intensamente em razão do ambiente e da cultivar, ou seja, são comuns resultados contraditórios devido à variação climática. Além disso, é primordial distinguir cultivares, pois, a qualidade industrial dos grãos guarda forte relação com o genótipo e considera-se imprescindível que a adubação nitrogenada com vista à qualidade de farinha seja calibrada especificamente para cada cultivar, em interação com o ambiente, ou seja, nem todas as cultivares respondem à adubação nitrogenada tardia visando o aumento da força de glúten.

Análises de qualidade industrial efetuadas em amostras obtidas de inúmeras cultivares, em experimentos, em diversos anos e locais, nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul, mostram que não há correlação entre % de proteína total do grão e valor de W. Para todas as cultivares as correlações são muito baixas e não significativas estatisticamente.

As correlação não permitem, com segurança, que se faça a recomendação de adubação nitrogenada na fase de espigamento. Em 2011, em experimentos conduzidos no Paraná pela Embrapa, utilizando duas cultivares e aplicações de N em diversas fases do trigo, foram estudados diversos atributos ligados à qualidade industrial do grão.

Considerando os dois atributos mais relacionados com a polêmica em questão, % de proteína total e valor de W, os resultados mostraram que o adubo nitrogenado aplicado em fases mais tardias da cultura proporcionaram aumento da % de proteína. É bem provável que esse aumento da proteína não tenha influência no valor de W, porque o glúten é composto por proteínas dos grupos das gliadinas e gluteninas e, no entanto, pode ter havido aumento de proteínas dos grupos das albuminas e globulinas que, também, compõem o grão de trigo e não interferem na qualidade industrial.

Os resultados mostram que aumento da porcentagem de proteína não altera, necessariamente, o valor de W e nem a classificação de qualidade industrial da cultivar. Portanto, a adubação nitrogenada de cobertura nas fases mais tardias da cultura, nas nossas condições, nem sempre levará a um aumento da força de glúten. Ademais, existem no mercado cultivares que geneticamente apresentam altos valores de W sem a necessidade de adubação nitrogenada em fases mais tardias da cultura.

Texto elaborado pelos pesquisadores Manoel Bassoi e José Salvador Foloni, da equipe de trigo da Embrapa Soja.

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