Algodão: além do branco e sustentável
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Agronegócio

Algodão: além do branco e sustentável

Roupas, acessórios e brinquedos feitos com a pluma colorida ganham cada dia mais espaço
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Roupas, acessórios e brinquedos feitos com a pluma naturalmente colorida ganham cada dia mais espaço no Brasil


Esqueça aquela cena clássica de plantação de algodão: arbustos secos com plumas brancas nas extremidades. Na Paraíba, os campos da fibra são coloridos nos tons de creme, marrom, verde e vermelho. A nova paisagem é fruto de anos de pesquisa da Embrapa Algodão, que culminou com o lançamento da primeira cultivar naturalmente colorida em 2000, a BR Marrom.


Doze anos depois, a instituição está com cinco variedades: quatro em nuances de marrom e uma de verde. Na realidade, espécies silvestres nas tonalidades creme e marrom foram encontradas na década de 80, mas a fibra era de pouca resistência e, por isso, não tiveram viabilidade comercial. A guinada se deu em 1994, quando pesquisadores da Embrapa trouxeram dos EUA sementes nas cores marrom avermelhado e verde e começaram o melhoramento genético para adaptá-las ao Nordeste.

Atualmente, cerca de 120 agricultores da Paraíba produzem algodão colorido. A cultura se mostrou uma ótima alternativa aos pequenos produtores região. “A remuneração é mais que o dobro da pluma convencional”, diz Maysa Gadelha, diretora-presidente da CoopNatural, cooperativa que surgiu em função do algodão colorido e que hoje reúne 35 cooperados, sendo 25 fabricantes do ramo têxtil.
Flávio Tôrres de Moura

A pluma com coloração natural é produzida no sistema orgânico e tem a certificação do Instituto Biodinâmico (IBD). Além disso, as roupas confeccionadas com a matéria-prima são uma saída às pessoas alérgicas ao tingimento artificial. O processo todo, da semeadura aos produtos acabados, envolve mais de 800 pessoas. O grande número é justificado pela riqueza de detalhes das peças, que trazem muitos elementos do artesanato nordestino, como o macramê, a renda e o crochê.


Por sinal, a localidade é outro diferencial dos produtos da Natural Fashion, consórcio formado por empresas têxteis integrantes da CoopNatural. Tanto é que a empresa está prestes a obter a certificação de identificação geográfica para o algodão colorido da Paraíba.

Atualmente, o portfólio da Natural Fashion engloba moda feminina, masculina, infantil, brinquedos, acessórios e artigos de decoração. No passado pré-crise, 45% do faturamento era proveniente das vendas externas, principalmente para Europa e EUA. Atualmente, as remessas ao exterior representam apenas 10%.
Divulgação

Repaginação

Uma série de fatores, como crise financeira, câmbio, carga tributária e aumento de importações no setor têxtil, levaram a Natural Fashion a mudar o foco. “Queremos fortalecer o nosso produto no Brasil”, diz Maysa. Antes, o público da empresa era o turista estrangeiro. “Mas hoje o Brasil está caro, eles não estão vindo para cá e o brasileiro com dinheiro prefere viajar para fora”, explica a presidente.


A nova conjuntura fez a Natural Fashion rever seus planos. Atualmente, o público alvo da empresa é brasileiro com escolaridade superior e mais de 25 anos. Em outras palavras, a classe social mais consciente e disposta a pagar o preço de um produto ecologicamente correto.

Mensalmente, a empresa fabrica cinco mil peças. “Produzimos para o Instituto E da Osklen e para outras marcas que, por contrato, não podemos revelar o nome”, diz Maysa. Os produtos também são comercializados no Duty Free e em diversos pontos de venda no interior do Brasil.

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