ALGODÃO: importações de produto americano chegam a 45% da pauta

Agronegócio

ALGODÃO: importações de produto americano chegam a 45% da pauta

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O Brasil importou durante o último mês de janeiro 7.425 ton de algodão, um volume 14% inferior ao mês anterior, mas com um aumento superior a 130% em relação a janeiro/2002. Apesar do dólar e dos preços internacionais significativamente mais valorizados, as importações nos últimos três meses totalizaram cerca de 23 mil ton, contra apenas 10 mil ton no mesmo período da safra passada.

Além da baixa demanda industrial têxtil neste início de ano, percebe-se que bons estoques foram formados com algodão importado nos últimos meses. Os altos preços da pluma no mercado interno durante a entressafra proporcionaram o aumento da competitividade do algodão importado.

O interessante neste ano foi o aumento da participação do algodão americano na pauta das importações brasileiras de algodão. Nos últimos três meses, cerca de 45% do volume importado pelas indústrias se originou dos Estados Unidos, com boa parte destinada ao Nordeste, em especial para o Estado do Ceará.

Algodão - importações brasileiras (kg)

Período TOTAL EUA Participação (%)

nov/02 6.806.985 3.178.827 47

dez/02 8.610.714 4.712.400 55

jan/03 7.425.002 2.577.987 35

Nos mesmos três meses da safra passada, a participação do algodão americano nas importações não ultrapassou 6% do volume total. Segundo informações, as operações de draw back favoreceram as compras do algodão americano neste ano, através das quais as indústrias se beneficiam da isenção da tarifa de importação quando comprovadamente utilizam a matéria-prima para a produção e posterior exportação de produtos acabados.

Outro ponto a destacar é o valor FOB origem. No período entre novembro/2002 a janeiro deste ano, segundo divulgações da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o algodão americano foi importado a um custo médio de US$ 0,42/lp FOB, enquanto o produto paraguaio obteve um custo de US$ 0,46/lp.

As primeiras informações da balança comercial deste mês de fevereiro, também divulgadas pela SECEX, indicam um possível aumento mensal nas importações de algodão. Na média diária das três primeiras semanas de fevereiro, as importações fecharam em US$ 0,696 milhões FOB, cerca de 71% acima do mês de janeiro, mas 32% inferior a fevereiro/2002.

O Brasil que foi o vigésimo primeiro país na pauta das exportações americanas na safra 2001/02, segundo informações do USDA, ficou entre os primeiros 15 países de destino do algodão americano neste mês de fevereiro.

Com os atuais níveis em Nova York e mantendo-se o patamar cambial, nossa paridade de preços para julho deste ano está em R$ 54,48/@ posto São Paulo/SP, o que indica uma margem técnica de queda de apenas 3,6% nos preços até a entrada no mercado da safra proveniente do Centro-Oeste.

Já é muito provável que os preços no mercado interno durante a colheita permanecerão em níveis abaixo da paridade de exportação.

Mas tecnicamente, há uma baixa margem de queda para o indicador da Esalq/BM&F nos próximos meses, o qual já atinge R$ 56,50/@. Acreditamos que a continuidade do forte recuo dos preços no Brasil e de níveis muito abaixo da paridade com o mercado internacional estimada acima somente seria explicado por estoques de algodão além dos estimados no setor têxtil ou por um consumo real muito abaixo do esperado para este ano.

Com certeza, ambas as hipóteses estão influenciando para que os negócios continuem fracos no mercado interno. Mas certamente, o aumento das importações do algodão americano favoreceu uma certa tranqüilidade no abastecimento das indústrias neste final de entressafra.


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