Algodão brasileiro avança no exterior


Agronegócio

Algodão brasileiro avança no exterior

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Alta nos embarques foi estimulada pela saída da Austrália do mercado, afetada por forte seca. O aumento das exportações brasileiras de algodão ao longo dos últimos dois anos contribuíram para elevar sensivelmente a participação do Brasil no mercado internacional. O País, que em 1998 era grande dependente do mercado externo, importando mais de 300 mil toneladas no ano, conseguiu transformar-se em exportador e vendeu 107,5 mil toneladas em 2002. Um volume que deve crescer 40% este ano, para 150 mil toneladas. O bom desempenho das vendas externas se devem, entre outros fatores, à saída da Austrália do mercado mundial, em decorrência da quebra de safra de 70% no ano passado, em virtude do clima excessivamente seco registrado nas regiões produtoras do país.

"A quebra de 70% deve se repetir este ano. Com isso, o Brasil ainda deterá uma boa fatia do mercado externo", diz Hugo Nieri, da Nieri Corretora. Ainda que o Brasil tenha conseguido ampliar as vendas externas, as importações ainda são necessárias para equilibrar o mercado interno. "E também porque as compras são basicamente de fibras curtas, bastante utilizadas pelas indústrias que as mesclam com as fibras longas produzidas no Brasil", diz João Paulo de Moraes Filho, gerente da área de fibras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Neste ano, as importações devem se situar em 130 mil toneladas, crescimento de 92,3% em relação às compras do ano passado. Entre os motivos do aumento, destacam-se a necessidade de complementar a oferta no mercado interno e os preços competitivos de países vizinhos a exemplo do Paraguai.

"Nos leilões de estoques do governo brasileiro realizados há cerca de um mês, somente 30% do volume ofertado foi comercializado porque os preços mínimos eram mais altos que os praticados no Paraguai", diz Nieri. Com isso, as indústrias preferiram comprar no Paraguai. Nieri acredita que a falta de crédito para a industria e ausência de programas de comercialização vão pressionar ainda mais os preços do algodão, que podem chegar a R$ 1,70 por libra-peso, em comparação com os R$ 1,90 atuais.

"O mercado já está em queda e com a entrada da safra tende a ceder ainda mais", afirma.

Safra brasileira

A safra brasileira de algodão está estimada em 800 mil toneladas, um volume 5,5% maior que a produção do ano passado, quando o País colheu 766,2 mil toneladas. O crescimento se deve principalmente ao aumento de 10,5% da produtividade média obtida, que deve chegar em 2,97 quilos por hectare este ano, em comparação com os 2,69 quilos da safra passada.

A área será reduzida em 4%, para 715 mil hectares. "A queda se deve à competitividade com a soja principalmente na região Centro-Oeste do Brasil", diz o gerente da Conab. A produção de algodão se concentra nos estados de Mato Grosso e Goiás, que juntos respondem por 61% da safra brasileira.

As chuvas registradas nos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul atrasaram a colheita do algodão, que deveria ter sido iniciada em março, mas que começou há uma semana. Na região Centro-Oeste a colheita começa este mês. "As chuvas registradas em grande volume no Mato Grosso provocaram apodrecimento de algumas maçãs", diz Nieri, que estima a produção desta safra em, no máximo, 780 mil toneladas.

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