Algodão decora o campo

Agronegócio

Algodão decora o campo

O grande diferencial de mercado do algodão colorido está mesmo no apelo ecológico
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A Produtividade atual do algodão colorido é semelhante à do produto tradicional, de cor branca

CAMPINA GRANDE - O lançamento de dois novos cultivos na semana passada faz avançar a produção e utilização industrial do algodão colorido, produto desenvolvido na Paraíba pela Embrapa Algodão e diferencial da agroindústria brasileira, com crescente aceitação de mercado dentro e fora do país. As variedades BRS Safira e BRS Rubi, de coloração marrom avermelhada, se somam às duas já existentes, BRS 200 Marrom, lançada em 2000, e a BRS Verde, em 2003, ampliando as possibilidades de aplicação na indústria têxtil.

Empresas como a Karsten e a Braseda, presentes ao lançamento, na Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep), em Campina Grande, já se articulam com Embrapa e cooperativa de produtores para o uso das novas fibras em seus produtos. Testes realizados pela Karsten em toalhas produzidas a partir do novo algodão demonstraram a resistência das cores à luz e água clorada, fator importante para a indústria.

O grande diferencial de mercado do algodão colorido está mesmo no apelo ecológico. Fibras que dispensam o processo químico de tingimento, evitam o lançamento de efluentes tóxicos ao meio ambiente, enquanto reduzem o custo de produção dos tecidos e agregam valor em torno de 30% para o produtor.

- A Embrapa está colocando as novas sementes no mercado, num volume suficiente para o cultivo de cerca de 50 hectares cada - diz o pesquisador Luiz Paulo de Carvalho, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Algodão, acrescentando que a produtividade do colorido hoje é semelhante a do algodão branco e as duas novas variedades já são mais avançadas que as anteriores.

Segundo Luiz Paulo de Carvalho, a preocupação maior agora é organizar a cadeia produtiva e obter uma certificação de qualidade para o algodão colorido, com um selo de origem.

A indústria de confecções de roupas a partir do algodão colorido já envolve um total de 22 pequenas empresas de Campina Grande, reunidas numa cooperativa, a Coopnatural. Os tecidos são fabricados pela Matesa Têxtil e a fiação desenvolvida pela indústria Coteminas. A princípio, as confecções se organizaram no Consórcio Natural Fashion.

- Mas foi necessário criar uma cooperativa, para permitir a participação de maior número de empresas - onta a diretora de Produção e Marketing da Coopnatural, Maysa Motta Gadelha. A produção teve um crescimento anual de 300% e a cooperativa que produz hoje 10 mil peças por mês. Há capacidade instalada para 50 mil peças e o desafio agora é abrir mercado fora do Brasil.

- Temos um produto de grande aceitação nacional e internacional, com identidade cultural e grande diferencial na questão ecológica e social - avalia Maysa.

Além do algodão especial, as peças agregam valor com detalhes em artesanato, num processo que envolve 800 artesãs de outras cooperativas e associações locais. A Coopnatural já exporta para países como França, Alemanha, Portugal e Suécia, mas as vendas externas representam apenas 5% do total produzido.

Para os próximos quatro anos, a meta, além de atingir a produção de 50 mil peças por mês, é exportar 40% da produção.


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