Alta da arroba consegue superar expressiva elevação dos custos

Agronegócio

Alta da arroba consegue superar expressiva elevação dos custos

Essa foi uma das maiores altas já verificadas para um ano
Por: -Marianna
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O Custo Operacional Total (COT) e o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária de corte subiram expressivamente no acumulado de 2010 (de janeiro a dezembro), conforme pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Considerando-se a média Brasil (GO, MT, MS, PA, RO, RS, MG, PR, TO e SP), o COT teve aumento de 20,9% e o COT, de 21,9%.

Essa foi uma das maiores altas já verificadas para um ano. Se observada toda a série de custos do Cepea, iniciada em 2004, a alta do COT registrada em 2010 só foi menor que a de 2008.

Apesar desse cenário, os preços da arroba subiram ainda mais: 40,4% no acumulado do ano – média ponderada de 10 estados. De modo geral, 2010 surpreendeu todos os agentes do setor pecuário, com os preços da arroba e da carne atingindo patamares recordes, em termos reais. Conforme dados do IBGE, de janeiro a setembro daquele ano, o volume de abate foi maior que o do mesmo período de 2009. Assim, apesar de a percepção de agentes de mercado ter sido de oferta enxuta ao longo de todo o ano, constata-se que a força motriz do mercado foi mesmo a demanda, sobretudo a do brasileiro.

Quanto às exportações, o volume embarcado de janeiro a dezembro de 2010 foi 2,72% maior que o do mesmo período de 2009. A oferta, portanto, foi coadjuvante. Ainda que crescente, aparentava ser pequena dado o comparativo com o ritmo de vendas.

Em relação aos custos, o COT e o COE subiram de janeiro a novembro de 2010; somente em dezembro deram trégua, com o COT caindo 1,07% e o COE, 1,3%. No correr de 2010, empresas de insumos acompanharam a forte recuperação nos preços da arroba e reajustaram os preços de seus produtos. Assim, o COT foi impulsionado, principalmente, pela valorização do sal mineral (de 15% de janeiro a dezembro de 2010), que representa 21,22% do COT.

A semente forrageira, apesar de representar apenas 2,33% do COT, valorizou 37,51% no acumulado do ano. Essa forte alta da semente se deve ao grande volume de chuvas no período de plantio e de colheita, que ocasionou quebrou de safra.

Outro item que teve forte valorização no ano foi o bezerro, que elevou os gastos de produtores de recria, recria-engorda e confinadores. De janeiro a dezembro/10, o preço do bezerro subiu quase 20% – este insumo representa quase 30% dos custos do boi gordo. A mão-de-obra, que corresponde a 22,65% dos custos, foi reajustada em 9,68%, em acordo com a variação do mínimo.

Em relação aos estados acompanhados nesta pesquisa, Goiás registrou o maior aumento do COT, de 26,6% em 2010, seguido por Mato Grosso do Sul (24,45%) e Mato Grosso (22,77%).



Dólar cai 12% em 2010, mas sal mineral encarece 15%

Em períodos de valorização do dólar, notava-se forte alta do sal mineral, tendo em vista que importantes ingredientes que o compõem são importados, como o fosfato bicálcico. Esse cenário foi bastante sentido pelo produtor em 2007 e 2008, por exemplo. Em 2010, no entanto, apesar da forte queda do dólar – a média anual recuou 12% frente à de 2009 –, o sal mineral ficou 15% mais caro. Vale lembrar que esse insumo corresponde, em média, a 22% dos gastos totais.

Conforme pesquisadores do Cepea, a alta nos preços do sal pode estar atrelada à demanda. A forte seca registrada em meados de 2010 impulsionou as vendas do sal, como forma de complementar a alimentação do animal.

De modo geral, os maiores gastos de pecuarista sempre foram com a suplementação mineral, a reposição de animais e a mão-de-obra. Considerando-se o histórico de preços, esses três itens sempre se alteram como o que mais pesa no bolso do produtor (ver Gráfico 2).

De 2004 para cá, a reposição tem ocupado o topo da lista de principais dispêndios, com exceção do período entre meados de 2008 e início de 2009, quando o sal mineral tomou esse lugar – ao longo de 2008, a suplementação mineral valorizou quase 92%.

Quanto aos gastos com a mão-de-obra, que, em janeiro/04 representavam 15,63% dos custos, em dezembro/10 passaram para 22,65%, ocupando o segundo lugar entre as maiores despesas para a produção de um boi.


Nota: “Outros” é um grupo criado especificamente para alimentar esta tabela; não são apresentadas as variações porque são distintas para cada um dos itens que estão agrupados nesta ocasião
 


As informações são da assessoria de imprensa do Cepea.
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