Alta produtividade derruba preços e tira espaço nos armazéns

Agronegócio

Alta produtividade derruba preços e tira espaço nos armazéns

De safra desacreditada, Mato Grosso contabiliza a melhor performance de rendimento por hectare na atual temporada
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A safra mato-grossense de milho não chega a ser recorde, apesar de faltado muito pouco para essa conquista. Mas, a produtividade foi a maior da história, surpreendendo até mesmo os mais otimistas: 77 sacas por hectare, 10% acima da média registrada no ano passado, 70 sacas. Este desempenho garante a Mato Grosso - se não o maior – um dos melhores índices de produtividade do Brasil na safra 08/09.

Pelo levantamento da AgRural, Mato Grosso deverá colher este ano o melhor resultado em termos de rendimento médio por hectare, que deverá saltar de 4,24 mil quilos para 4,60 mil quilos. Um alento aos produtores, que enfrentam momentos de instabilidade no mercado com a queda abrupta dos preços.

A extraordinária performance do milho é atribuída a três fatores: plantio em época certa, chuva no momento certo e uso de sementes de alta tecnologia. "Se tivermos tudo isso em uma mesma safra, o resultado será sempre positivo a cada ano", avalia Eduardo Godoy, analista de Mercado da AgRural, em Cuiabá.

Segundo ele, este ano tudo corroborou para que a cultura do milho avançasse, apesar do susto no começo do plantio devido à escassez de crédito.

"Tudo ajudou. Tivemos chuvas surpreendentes nos meses de maio e junho, que alavancaram o bom desenvolvimento das lavouras. Em algumas regiões do Estado, chegou a chover até 50 milímetros no mês de junho, que é algo muito improvável e difícil de acontecer. Além deste fator, os produtores mato-grossenses plantaram o milho no período ideal, até 25 de fevereiro. Isso favoreceu a boa desenvoltura da planta. Além disso, em quase sua totalidade os produtores utilizaram sementes de alta tecnologia. A soma desses três fatores fez com que Mato Grosso atingisse o recorde de produtividade", salientou Godoy.

De acordo com o analista, a safra 08/09 "era uma safra que pouca gente acreditava". Algumas entidades chegaram a prever queda de até 50% na produção, no início da primeira safra, plantada em novembro.

Pela projeção da AgRural, Mato Grosso deverá colher 6,5 milhões de toneladas, apenas 7,15% a menos que a produção do ano passado, de 7,01 milhões de toneladas.

Já a área plantada foi de 1,41 milhão de hectares, contra 1,65 milhão de hectares na safra anterior, queda de 14,55%.

Em Mato Grosso, o plantio deverá ser concluído até meados de agosto. Noventa por cento da colheita, entretanto, estarão concluídos ainda neste mês.

51 MILHÕES – De acordo com os últimos levantamentos, a safra brasileira de milho deve ficar em 28,7 milhões de toneladas. Já a safrinha deverá atingir 17,2 milhões de toneladas, fechando a estimativa total em 51 milhões de toneladas, cerca de 4 milhões de toneladas a menos do que o colhido na safra anterior.

A previsão é que a demanda mundial por proteínas animais - principais consumidores do milho produzido no mundo - não seja muito afetada, devido ao crescimento populacional. Além disso, os Estados Unidos não paralisaram seus programas de etanol, o que mantém a demanda pelo grão. A tendência é que os norte-americanos aumentem a produção de álcool a partir do milho para 9 bilhões de galões neste ano, podendo chegar a 13 bilhões de galões de 2012.

A produção estimada de milho nos Estados Unidos (principal país exportador) nesta safra é de 311 milhões de toneladas, o que deverá reduzir o estoque de 44 milhões de toneladas para 37 milhões de toneladas. Já a Argentina (segundo maior exportador de milho) vai colher apenas 13 milhões de toneladas nesta safra.


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