Ameaça do governo faz preço do álcool cair nas usinas

Agronegócio

Ameaça do governo faz preço do álcool cair nas usinas

Na última semana, o preço do combustível caiu 1,98% nas usinas paulistas
Por: -Neila Baldi
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A ameaça do governo de intervir no mercado de álcool surtiu efeito. Na última semana, o preço do combustível caiu 1,98% nas usinas paulistas. Apesar disso, abastecer com álcool não é mais rentável em 11 estados e no Distrito Federal. De acordo com a pesquisa semanal da Agência Nacional de Petróleo (ANP), nestas localidades o valor cobrado pelo produto ultrapassa a margem de 70% do preço da gasolina. Segundo especialistas, o álcool só é competitivo quando fica abaixo deste patamar. Na semana anterior, em oito unidades da federação não valia a pena o uso do combustível. Agora, além destas, o produto perdeu a competitividade também no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Maranhão.

Segundo a nova pesquisa, outros dois estados estão no limite do percentual - Acre (com 69,83%) e Rio de Janeiro (68,71%). O levantamento da ANP mostra ainda que na última semana os preços estiveram em alta em 12 estados, enquanto em outros seis as cotações caíram e nos demais ficaram praticamente estáveis. A pesquisa aponta também que os maiores preços do produto são praticados no Amapá (85,64% do valor da gasolina), no Pará (83,08%) e Piauí (81,12%) - mesmas localidades que lideravam na semana anterior.

"O governo ameaçou intervir e, além disso, a demanda caiu", diz Gil Barabach, analista da Safras & Mercado. Apesar da variação negativa da semana passada, desde o início de dezembro, quando começou a entressafra, as cotações já subiram 16% para o álcool hidratado - usado nos veículos flex - abaixo da entressafra anterior quando acumularam 20% no período. A pesquisadora Marta Cristina Marjotta Maistro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), diz que contribuiu para a queda das cotações na semana passada um volume de negócios maior, além da acomodação do mercado.

Analistas e o próprio governo acreditam que as altas registradas em dezembro foram atípicas, devido à demanda maior em virtude das festas de final de ano. "A disparada abria uma perspectiva de que podia repetir 2005, o que não vai acontecer", acredita Barabach.

Abastecimento:

Angelo Bressan, diretor do Departamento de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento afirma que há álcool suficiente para o abastecimento em toda a entressafra. O ano iniciou com um estoque de 5 bilhões de litros - em 2005 o volume era 1 bilhão de litros inferior. "Diante deste quadro, o governo não precisará tomar alguma medida", avalia Bressan. Bressan acredita que os preços podem ter uma pressão, normal para a entressafra, mas que não devem ficar em patamares tão elevados quanto na temporada passada. Na entressafra anterior, as cotações se elevaram em mais de 60%. Nesta mesma época do ano o álcool hidratado era cotado a R$ 1 o litro.

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