América Central se mobiliza para combater ferrugem do café
Perdas já são estimadas em US$ 420 milhões e 441 mil postos de trabalho
Segundo o diretor-geral do IICA, Víctor Villalobos, em artigo publicado recentemente na imprensa mexicana, “a depender das medidas tomadas agora, os problemas podem ser maiores na colheita 2013-2014”. Villalobos informou que a ferrugem já atinge 54,8% da área cultivada na América Central. “São quase 600 mil hectares. Mais de 16% do total da safra 2011-2012 já se perdeu, um prejuízo estimado em US$ 420 milhões”, estima o diretor.
A agência espanhola de notícias EFE divulgou avaliação da Organização Internacional do Café que aponta para a perda de 441 mil postos de trabalho em decorrência da ferrugem do café nos países afetados. “Calcula-se que a vida de cerca de 1,9 milhões de pessoas depende do café”, agrega Villalobos.
Participaram da videoconferência o representante do IICA no Brasil, Manuel Otero, e os secretários-executivos do Programa Cooperativo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Agrícola para os Trópicos Sulamericanos (Procitrópicos), Jamil Macedo, e do Programa Cooperativo Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Modernização do Cultivo de Café (Promecafé), Armando Garcia, desde a Guatemala. Ambas as secretarias-executivas são exercidas pelo IICA.
Durante a videoconferência, Garcia solicitou apoio à representação brasileira para o estabelecimento de um sistema de alerta rápido para combater a ferrugem, que tem gerado problemas econômicos, políticos e sociais. “Por isso é importante alertar e tomar as medidas necessárias o quanto antes”, relatou Garcia.
O secretário afirmou ainda que solicitará material genético do café utilizado no Brasil e que pretende analisar medidas tomadas pelo país para lidar com o problema nos anos 70. A intenção é estudar a aplicação de medidas semelhantes em outros países, utilizar as variedades de café que resistiram à ferrugem e discutir alternativas compatíveis com os fatores climáticos e ambientais de cada região.
O representante do IICA no Brasil, Manuel Otero, informou que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) conhecem soluções que podem ser analisadas pelos governos da América Central. Jamil Macedo anunciou que promoverá o diálogo entre o Procitrópicos e o Promecafé com a Embrapa para o encaminhamento de sugestões que auxiliem os países afetados pela ferrugem do café.