Amorim pede fim de embargo russo à carne brasileira

Agronegócio

Amorim pede fim de embargo russo à carne brasileira

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Tornou-se motivo de desentendimento político entre o Brasil e a Rússia a demora do governo russo em retirar totalmente o embargo à carne brasileira, motivado pela notificação de um caso de febre aftosa no Amazonas. Em carta enviada nesta semana ao ministro dos negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que as dificuldades para os exportadores brasileiros já causa " grande preocupação " ao governo.

Amorim cobrou do colega russo a ampliação das cotas de exportação de carne brasileira para o país, e acusou de inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) as salvaguardas impostas pela Rússia a importações de carne.

A Rússia não é sócia da OMC, mas negocia com os outros países - inclusive o Brasil - seu ingresso na organização. A forma como os russos vêm manejando as salvaguardas, com promessa de ampliação de cotas para países como os Estados Unidos e os sócios da União Européia e redução do acesso ao Brasil é " injusta " e premia nações responsáveis por subsídios á produção que distorcem as condições de comércio, acusou o ministro.

O ministro brasileiro afirma que " ainda mais sério " é a quantidade de problemas com medidas sanitárias - como o embargo a pretexto do caso de febre aftosa. " As condições sanitárias do rebanho bovino brasileiro não justificam tal medida " , afirma Amorim, que cita o grande número de missões técnicas, com " total transparência e massivas evidências " da qualidade da carne brasileira, enviadas à Rússia para esclarecer as dúvidas das autoridades sanitárias do país.

O Brasil é grato ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que em sua visita ao país, em novembro passado, anunciou o levantamento do embargo para os exportadores de Santa Catarina, afirma Amorim. Entretanto, diz ele, o governo brasileiro imaginou que Santa Catarina seria apenas " o primeiro passo em um processo de liberação gradual " das exportações dos outros estados brasileiros, " igualmente distantes " do foco da aftosa, a quatro mil quilômetros das principais áreas produtoras.

Na carta, em que trata o ministro pelo primeiro nome, Serguei, evocando os quatro anos em que ambos representaram, juntos, seus respectivos países, em Nova York, Amorim - que assina " Celso " na carta - cobra de Lavrov medidas para permitir " competição mais justa " dos exportadores brasileiros no mercado russo. Ele pede, também, em curto prazo, a concessão de uma cota ao Brasil " correspondente à sua capacidade de produção " , de acordo com os níveis registrados em 2002 e 2003. Amorim diz, ainda, esperar a intervenção de Lavrov no governo russo, para " propostas construtivas " em relação ao embargo à carne bovina.

" Esperamos a solução técnica do problema, agora o tema tornou-se assunto de estado, na esfera política " , enfatizou o porta-voz do Itamaraty, Ricardo Neiva Tavares. A Rússia é um dos principais importadores de carne do Brasil, com compras de 83 mil toneladas de carne bovina, 300 mil de carne suína e 212 mil de carne de frango, em 2003. Em 2004, contrariamente às expectativas dos exportadores, o volume de vendas para os russos cresceu mais de 40%, segundo os dados disponíveis até novembro.

A ação do Itamaraty, em seguida a uma nota oficial do Ministério da Agricultura anunciando o fim dos esforços técnicos de negociação, foi de um modo geral bem recebida pelos exportadores, mas considerada tardia pelo presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo Neto. " Antes tarde que nunca " , afirmou Camargo Neto, que acusa a Rússia de desrespeitar as normas da Organização Internacional de Epizootias (OIE). " O governo não reagiu à altura no inicio do problema; deixou que o Presidente Putin fizesse escala no Brasil sem equacionar o problema " , criticou.


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