Análise Semanal do Mercado de Trigo
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Agronegócio

Análise Semanal do Mercado de Trigo

Comentários referentes ao período entre 19/10/2012 a 25/10/2012
Por:
Comentários referentes ao período entre 19/10/2012 a 25/10/2012

Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Emerson Juliano Lucca²


As cotações do trigo em Chicago subiram novamente nesta semana, particularmente após o anúncio de que a Ucrânia deverá bloquear suas exportações do cereal a partir de 15 de novembro devido a safra reduzida. Tal comportamento poderá ser seguido pela Rússia. A Ucrânia teria produzido apenas 15,5 milhões de toneladas, contra 22,1 milhões um ano antes. Assim, o fechamento desta quinta-feira (25) ficou em US$ 8,72/bushel, após US$ 8,84 na véspera e US$ 8,68 uma semana antes.


Paralelamente, as vendas líquidas de trigo por parte dos EUA, na semana encerrada em 11/10, ficaram em 410.000 toneladas para o ano comercial 21012/13, iniciado em 1º de junho. O principal comprador foi Filipinas com 87.900 toneladas. Por sua vez, as inspeções de exportação, na semana encerrada em 18/10, chegaram a 446.314 toneladas. No acumulado do ano comercial iniciado em 01/06 as inspeções somam 10,7 milhões de toneladas, contra 12 milhões no mesmo período do ano anterior. Enquanto isso, a colheita do trigo de inverno nos EUA alcançou a 81% da área estimada, até o dia 21/10. A média histórica nesta época é de 80%.

Por outro lado, na Argentina, se confirma a tendência de uma produção de 11,5 milhões de toneladas, com  exportações de apenas 5 milhões, porém, esses volumes podem ser menores ainda. Segundo a Bolsa de Buenos Aires, a produção final poderá ficar em tão somente 10,1 milhões de toneladas devido ao excesso de chuvas sobre as regiões produtoras do vizinho país, algo se repete no sul do Brasil.


No Mercosul, as cotações junto aos portos argentinos oscilou entre US$ 327,00 e 340,00/tonelada para novembro. Em Baia Blanca, para janeiro, a compra ficou em US$ 330,00/tonelada. No Uruguai, a indicação de compra esteve a US$ 325,00/tonelada, enquanto no Paraguai o valor ficou o mesmo, para embarque em dezembro.

No Brasil, os preços se mantiveram firmes, porém, estacionários pela pressão da colheita que ocorre nesse momento. Assim, o balcão gaúcho fechou na média de R$ 29,92/saco nesta semana, enquanto os lotes giraram entre R$ 580,00 e R$ 640,00/tonelada, para o produto superior. No Paraná, os lotes estiveram entre R$ 640,00 e R$ 680,00/tonelada.


Importante se faz destacar que os moinhos, no momento, além do produto nacional, importam o cereal do Paraguai e da Argentina, a preços interessantes.

Quanto à colheita, a quebra de safra no Rio Grande do Sul vai se confirmando e o percentual de 40% poderá ser ampliado, especialmente em se somando o fator qualidade ao trigo colhido. A produtividade média do que já foi colhido gira entre 1.500 quilos a 3.600 quilos/hectare (25 a 60 sacos por hectare), havendo muita disparidade regional. O PH tem variado entre 70 e 82, havendo casos abaixo de 70. No caso da qualidade, o problema já está se refletindo nas exportações, onde 100.000 toneladas em contratos já teriam sido canceladas. As indicações de preço para exportação, no FOB Rio Grande, ficaram em US$ 325,00/tonelada, o que corresponderia a R$ 585,00/tonelada no interior do Estado. (cf. Safras & Mercado)

No Paraná, a produção de trigo está estimada em 2,21 milhões de toneladas, sendo que até o dia 15/10 cerca de 72% das lavouras já estavam colhidas.

Enfim, hoje o trigo argentino chega aos moinhos paulistas a US$ 396,00/tonelada, correspondendo a R$ 803,00/tonelada ao câmbio atual. Com isso, para chegar ao mesmo valor desse produto o trigo do norte do Paraná teria que ser vendido a R$ 694,00/tonelada (com frete e ICMS incluídos). Segundo ainda Safras & Mercado, isso estaria mostrando que a paridade de exportação não está longe dos preços pagos pelos moinhos neste momento.


Abaixo segue o gráfico da variação de preços do trigo no período entre 28/09 e 25/10/2012.



1 Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2 Economista, Mestre em Desenvolvimento, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.


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