Análise Semanal do Mercado de Trigo
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Agronegócio

Análise Semanal do Mercado de Trigo

Comentários referentes ao período entre 26/04/2013 a 02/05/2013
Por:
Comentários referentes ao período entre 26/04/2013 a 02/05/2013    

Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Emerson Juliano Lucca²

As cotações do trigo igualmente subiram durante a semana, fechando em US$ 7,18/bushel no dia 02/05, após US$ 7,01 uma semana antes. A média de abril ficou em US$ 6,99/bushel, enquanto a de março passado registrou US$ 7,25. 

As inspeções de exportação estadunidenses de trigo alcançaram a 839.751 toneladas na semana encerrada em 25/04, acumulando no ano comercial, iniciado em 1º de junho/12 um total de 24,6 milhões de toneladas, contra 25 milhões um ano antes. Por outro lado, as condições das lavouras de trigo de inverno nos EUA voltaram a
piorar, com 33% em estado bom a excelente, 32% regulares e 35% entre ruins a muito ruins. Já o trigo de primavera alcançava um plantio de 12% até o dia 28/04, sendo que a média histórica para esta época do ano é de 37% de área plantada.

Por sua vez, a Ucrânia suspendeu as restrições às exportações de trigo, introduzidas ainda no ano passado. Isso significa que o país deverá colocar mais trigo no mercado externo, pode fazer alguma pressão baixista adicional sobre os preços mundiais. 

Já o Conselho Internacional de Grãos aumentou a sua estimativa de safra de trigo para 2013/14. A mesma agora está em 680 milhões de toneladas o que representa 4% acima do indicado anteriormente.

Enquanto isso, no Mercosul os preços se estabilizaram, porém, em queda em relação há um mês. No porto argentino de Bahia Blanca, mesmo com oferta limitada, a tonelada na compra ficou em US$ 320,00, sendo 8,6% abaixo do registrado no mês. No Uruguai, a tonelada na compra ficou em US$ 295,00, enquanto no Paraguai a mesma recuou para US$ 285,00. Já o trigo para exportação, no Brasil, ficou ao redor de US$ 300,00/tonelada FOB.

No Brasil, os preços médios estacionaram, com o balcão gaúcho registrando R$ 30,85/saco, enquanto os lotes ficaram em R$ 660,00/tonelada. No Paraná, os lotes giraram entre R$ 720,00 e R$ 728,00/tonelada. Mas no interior se negocia o produto a R$ 715,00 no Paraná e a R$ 650,00 no Rio Grande do Sul, sendo estes os mais baixos preços do ano. Mesmo com a tendência de baixa, o mercado não espera que o preço mínimo, fixado em R$ 531,00/tonelada para a próxima safra, seja atingido, já que existe escassez do cereal no Mercosul.

Vale lembrar que a comercialização pelos produtores está encerrada, sendo que o plantio da nova safra é que concentra as atenções dos produtores rurais. No Paraná o mesmo chegou a 12%, contra a média histórica de 25% para esta época do ano. Ou seja, o plantio dos 850.000 hectares projetados está bastante atrasado. Neste momento, apenas 5% da futura safra teria sido negociada antecipadamente pelos paranaenses. Em clima normal, espera-se uma safra de 2,57 milhões de toneladas de trigo no Paraná.

Paralelamente, as indústrias já iniciaram pressão para que o prazo final de importação de trigo, isento da TEC, seja estendido para além do dia 31/07, sob a alegação de que não há tempo hábil para se dar conta de toda a logística. Em isso ocorrendo, a pressão baixista sobre o cereal nacional poderá aumentar no segundo semestre.
Enfim, na paridade de importação, o trigo argentino chega posto nos moinhos paulistas, a um câmbio atual de R$ 2,00, ao valor de R$ 751,00/tonelada. Para chegar ao mesmo patamar competitivo o produto do norte do Paraná teria que ser vendido a R$ 643,00/tonelada. Esse pode ser o padrão de pressão baixista que o mercado venha a praticar para o final do ano, caso a futura safra nacional seja cheia. Nesse caso, o produto gaúcho pode sofrer um revés de preço mais importante quando da colheita, particularmente se a qualidade do produto não corresponder o suficiente.


¹Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
²Economista, Mestre em Desenvolvimento, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.

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