Análise semanal do mercado do trigo
CI
Agronegócio

Análise semanal do mercado do trigo

Mercado se mostra baixista, puxado pela retração do capital especulativo nas bolsas
Por:
Prof. Dr. Argemiro Luís Brum1
Emerson Juliano Lucca2

Comentários referentes ao período entre 25/11 a 01/12/2011
 
As cotações do trigo em Chicago fecharam a semana (dia 1º de dezembro) em US$ 6,02/bushel, contra US$ 6,12 na média de novembro/11 e US$ 6,74/bushel na média de novembro de 2010. O mercado segue a linha da soja e do milho, se mostrando baixista no momento, puxado pela retração do capital especulativo nas bolsas.

Enquanto isso, as vendas líquidas estadunidenses de trigo, para o ano comercial 2011/12 iniciado em 1º de junho, na semana encerrada em 17/11, ficaram em 614.500 toneladas, contra 317.100 toneladas na semana anterior. A Coreia do Sul foi o principal comprador na semana, com 188.300 toneladas.

Por sua vez, as inspeções de exportação de trigo, por parte dos EUA, chegaram a 418.882 toneladas, na semana encerrada no dia 24/11. Na semana anterior haviam atingido a 373.407 toneladas (volume revisado). No acumulado do ano comercial iniciado em 1º de junho, as inspeções somam 14,09 milhões de toneladas, contra 15,07 milhões no acumulado do ano anterior.

Por outro lado, a produção de trigo dos EUA deve ficar em 54,4 milhões de toneladas neste ano comercial, sendo cerca de 5 milhões a menos do que em 2010/11. Todavia, essa redução na oferta deverá ser compensada pelo aumento na produção dos países da ex-URSS.
 
As lavouras de trigo nos EUA estão com 52% entre boas a excelentes condições, 35% regulares e 13% entre ruins e muito ruins.

Na Austrália, a produção final está agora projetada em 26,6 milhões de toneladas, contra 25 milhões anteriormente, segundo o National Australian Bank (NAB). A maioria das projeções locais dá conta de uma produção entre 25 e 26 milhões de toneladas.

Na Argentina, outra notícia baixista foi colocada no mercado, na medida em que o governo local anunciou a iminência de emitir permissão para exportar 2,7 milhões de toneladas que sobraram do ano comercial 2010/11. Da próxima safra, 3 milhões de toneladas já foram liberadas para exportação. Como se sabe, o governo local estabelece cotas de exportação visando manter baixos os preços do cereal aos consumidores. Nestas condições, não há como o preço do trigo brasileiro subir para os produtores locais. Afinal, nos nove primeiros meses do ano, a Argentina exportou 6,4 milhões de toneladas do cereal, sendo 3,4 milhões (53%) para o Brasil.

Para complicar o quadro, novas estimativas de produção corrigem para cima a nova safra argentina. Segundo o Ministério da Agricultura local, a produção está agora projetada em 13,5 milhões de toneladas, graças ao retorno das chuvas em novembro, contra uma expectativa inicial de 12 milhões de toneladas. No ano anterior a produção total ficou em 15 milhões de toneladas.

Ainda no Mercosul, as cotações do trigo junto aos principais produtores registraram retração na semana. Na Argentina, o trigo com embarque em dezembro/janeiro no Up River tem indicação de US$ 220,00/tonelada na compra, com baixa de 6,4% em comparação ao mesmo período do mês anterior. No porto de Necochea, o cereal para embarque em dezembro/janeiro está sendo cotado a US$ 215,00/tonelada na compra, o que representa uma baixa de 6,5% em relação ao mês passado. Em Bahia Blanca o cereal apresenta indicação de US$ 230,00/tonelada na compra e a US$ 233,00/tonelada na venda. No Uruguai, o trigo da nova safra, com embarque previsto para dezembro de 2011 e janeiro de 2012, está cotado a US$ 210,00/tonelada na compra e US$ 215,00/tonelada na venda. Já o Paraguai está Indicando preços de US$ 205,00/tonelada na compra e US$ 210,00/tonelada na venda.

Esta realidade afeta diretamente o mercado brasileiro já que o cereal proveniente da Argentina segue com valor mais baixo do que o nacional, mesmo com o recuo dos preços brasileiros. Pela paridade de importação, para que o trigo paranaense chegue a São Paulo CIF com o mesmo valor do argentino, ele deveria estar sendo vendido na origem por cerca de R$ 450,00/tonelada, contra os atuais R$ 465,00 existentes na prática. E a recente desvalorização do Real, agora já revertida parcialmente, pouco ajudou a mudar esta situação.

No mercado brasileiro, portanto, os preços do trigo continuam péssimos, com os produtores não encontrando compradores e, em muitos casos, quando os encontram os preços ficam entre R$ 20,00 e R$ 23,00/saco. Ou seja, muito abaixo do preço mínimo que é de R$ 28,62/saco para o produto pão Tipo 1. A média semanal gaúcha, no balcão, ficou em R$ 24,20, porém, apenas como referência para troca. Nos lotes, o produto gaúcho ficou entre R$ 415,00 e R$ 425,00/tonelada, enquanto no Paraná a tonelada se estabilizou em R$ 465,00.
 
Nesse sentido, o mercado local continua dependendo dos leilões de PEP e PEPRO realizados pelo governo. Aliás, nesse sentido, após os leilões do dia 23/11 o Ministério da Agricultura negociou com o setor produtivo e prometeu investir R$ 200 milhões na comercialização de trigo nos próximos dias. O acordo, firmado incluía a realização de leilão extraordinário em 30 de novembro, onde deveriam ter sido comercializados 350.000 toneladas do cereal.
 
Seguindo o cronograma do governo, o próximo leilão, previsto para o dia 7 de dezembro, também envolve 350.000 toneladas de trigo. O total dos dois leilões soma 300.000 toneladas para Paraná e 300.000 no Rio Grande do Sul. Além dos leilões de PEP e Pepro, no montante de 700.000 toneladas nos dois leilões (30/11 e 07/12), o governo disponibilizará R$ 110 milhões em dezembro/11, para a aquisição de 230.000 toneladas por AGF (Aquisição do Governo Federal). O limite será de mil sacos por CPF para pulverizar os recursos entre o maior número de produtores. (cf. Safras & Mercado)

Enfim, vale destacar que a principal reivindicação dos produtores, e difícil de ser atendida, é de aumentar para 35% a alíquota da Tarifa Externa Comum (TEC) aplicada sobre o trigo que procede de fora do Mercosul. Além disso, foi solicitado o aumento do preço mínimo do trigo pão Tipo 1, dos atuais R$ 477,00/tonelada (R$ 28,62/saco ) para R$ 512,00/tonelada (R$ 30,72/saco), algo igualmente de difícil realização.

O encerramento da colheita no Paraná permitiu ao Deral avançar estimativas próximas das definitivas. A área semeada em 2010/11 teria ficado 12% menor, recuando para 1,03 milhão de toneladas. O rendimento médio caiu para 2.410 quilos/hectare (perda de 18,03% sobre a safra anterior), enquanto a produção final recuou 30%, se estabelecendo em 2,41 milhões de toneladas. Mesmo com tudo isso, e também graças a excelente performance da produção gaúcha, dentre outros fatores, o preço do trigo nacional não reage.

Abaixo segue o gráfico da variação de preços do trigo no período entre 04/11/2011 e 01/12/2011.
 
 
 
1 Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2 Economista, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.

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