Análise semanal do mercado do trigo
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Agronegócio

Análise semanal do mercado do trigo

As cotações do trigo foram as que mais caíram durante a semana
Por:
Comentários referentes ao período entre 04/05/2012 a 10/05/2012

Por Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Emerson Juliano Lucca²
 
As cotações do trigo foram as que mais caíram durante a semana, rompendo no dia 09/05 o piso dos US$ 6,00/bushel e fechando naquele dia a US$ 5,91. Na sequência, no dia 10/05 o fechamento melhorou um pouco, ficando em US$ 5,94/bushel.

No geral, o relatório do USDA, anunciado neste dia 10/05, foi o esperado pelo mercado. O mesmo apontou uma área total semeada nos EUA, com o cereal, de 22,6 milhões de hectares, sendo 2,7% acima do registrado no ano anterior. Com isso, a produção total dos EUA está projetada, para 2012/13, em 61,1 milhões de toneladas, após 54,4 milhões no ano anterior. Mesmo assim, os estoques finais estadunidenses, ao serem projetados em 20 milhões de toneladas, ficariam 4,3% abaixo do que deve ser registrado no atual ano comercial. Dessa forma, o parâmetro de oscilação dos preços, para o novo ano, está indicado entre US$ 5,50 e US$ 6,70/bushel, situação na qual Chicago já se encontra.

Em termos mundiais, a produção global de trigo está projetada em 677,56 milhões de toneladas, com estoques finais em 188,1 milhões de toneladas para 2012/13. Em relação ao ano anterior, isso representa um recuo de 2,4% na produção e de 4,5% nos estoques finais respectivamente, em relação ao atual ano comercial. A produção da Argentina está projetada, nessa nova safra, em 14,5 milhões de toneladas, com exportações 9,8 milhões.
Enquanto isso, a produção do Brasil é esperada em 5,8 milhões de toneladas e importações de 7,3 milhões de toneladas, sendo que nosso país ainda deverá exportar 2 milhões de toneladas de trigo. Vale destacar que a FAO projeta uma safra mundial 2012/13 de 675 milhões de toneladas em trigo.

Por outro lado, o plantio do trigo de primavera, nos EUA, alcançava a 84% da área no dia 06/05, contra 49% na média histórica. As condições das lavouras do cereal, naquele país, estavam em 63% entre boas e excelentes, 25% em situação regular e 12% em condições ruins e muito ruins.

Paralelamente, as vendas líquidas por parte dos EUA, na semana encerrada em 26/04, ficaram em 256.700 toneladas para o ano comercial 2011/12. Já as referentes ao novo ano comercial, que se inicia em 1º de junho, ficaram em 454.800 toneladas. O México foi o maior comprador, com 215.400 toneladas.

Quanto às inspeções de exportação estadunidenses, o volume atingiu a 655.102 toneladas na semana encerrada em 03/05. No acumulado do atual ano comercial, o volume alcança 25,6 milhões de toneladas, contra 31,8 milhões em igual momento do ano anterior.

Apesar deste quadro de menor oferta no futuro, os preços internacionais do trigo não devem subir para além dos atuais patamares, salvo quebras de safra importantes. Pesa para a baixa dos preços, por exemplo, além do retorno em força da Rússia ao mercado, o anúncio de que a Índia estuda a possibilidade de exportar 10 milhões de toneladas de seus estoques visando abrir espaço para a nova safra.

No Mercosul, os preços continuaram recuando, com o Up River argentino, para maio/junho, registrando US$ 239,00/tonelada (-2% no mês). Em Bahia Blanca, os preços ficaram a US$ 250,00/tonelada, também com perda mensal de 2%. Já emNecochea o valor da tonelada esteve a US$ 235,00, com -2,1% sobre o mês anterior.

No Uruguai a compra esteve em US$ 240,00/tonelada, com recuo mensal de 4,4%, enquanto no Paraguai a tonelada ficou em US$ 220,00, perdendo 21,7% num mês.

No mercado brasileiro, os preços pouco se alteraram. O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 23,95/saco, enquanto os lotes oscilaram entre R$ 460,00 e R$ 465,00/tonelada, em completa estagnação. No Paraná, os lotes igualmente estacionaram entre R$ 500,00 e R$ 502,50/tonelada.

No Rio Grande do Sul, a falta de chuvas vem atrasando o plantio e preocupando os produtores, embora a tendência continue sendo de uma área importante, com avanço de 10% a 15% pelo menos. No Paraná, o plantio chega a 45% da área e todas as lavouras estão em boas condições, sendo que 25% das mesmas estão em
germinação.
 
Enfim, com o dólar a R$ 1,96 a paridade de importação da tonelada de trigo da Argentina praticamente se iguala ao valor do produto nacional com base no Paraná. O produto chega CIF São Paulo ao redor de R$ 540,00/tonelada, mas não há vendedores.

Vale ainda destacar o anúncio do plano safra para o trigo, o qual mais uma vez veio atrasado. Segundo o plano haverá R$ 430 milhões para a comercialização da safra 2012/13, pois os produtores irão precisar dos leilões de PEP para escoar a sua produção e, pelo menos, receber o preço mínimo. Quem não conseguir participar de
tais leilões mais uma vez deverá alcançar preços entre R$ 20,00 e R$ 24,00/saco caso a safra vem a ser cheia.

Abaixo segue o gráfico da variação de preços do trigo no período entre 13/04 e 10/05/2012.
 
 
 
1_Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2_Economista, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.

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