Anticorpo cura gripe aviária em roedor
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Anticorpo cura gripe aviária em roedor

Técnica serviu tanto para prevenir quanto para tratar infecção, mas requer mais testes
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As amostras de sangue doadas por quatro vietnamitas que resistiram à infecção pela gripe aviária podem conter o material necessário para combater a doença caso ela se transforme numa pandemia humana. Um grupo de cientistas anunciou nessa segunda-feira (28-05) ter conseguido isolar anticorpos -moléculas de "ataque" do sistema imunológico- capazes de destruir o temido vírus H5N1.

Os pesquisadores relataram como conseguiram usar o sangue doado para desenvolver células produtoras de anticorpos capazes de neutralizar a doença em camundongos infectados. Se a estratégia der certo em humanos, poderá ser possível armazenar esses anticorpos para combater ou até prevenir uma eventual epidemia global.

O método de selecionar os anticorpos foi desenvolvido por Kanta Subbarao, do NIH (Instituto Nacional de Saúde do EUA) que analisou milhares de moléculas para descobrir apenas um punhado aproveitável. A técnica para reproduzir os anticorpos em laboratório foi desenvolvida pelo grupo do pesquisador Antonio Lanzavecchia, do Instituto para Pesquisa em Biomedicina da Suíça.

O sucesso experimental da técnica está descrito em estudo na edição de ontem da revista "PLoS Medicine" (http://medicine.plosjournals.org), A pesquisa começou em 2004, quando os pacientes vietnamitas concordaram em doar sangue ao Hospital de Doenças Tropicais da cidade Ho Chi Minh para fins de pesquisa.

Subbarao também foi responsável pelos testes em camundongos infectados pelo H5N1. Os roedores que receberam o novo tratamento sobreviveram, enquanto outros -que receberam anticorpos comuns para efeito de comparação- sucumbiram ao vírus.

Segundo os pesquisadores, a técnica funcionou tanto para prevenir quanto para tratar o mal e conseguiu neutralizar vírus de duas "safras" diferentes: uma do surto de gripe aviária de 2004 e outra do de 2005.

Eficácia secular

A técnica usada pelos pesquisadores, conhecida na biomedicina como "imunoterapia passiva", já era usada para outros tipos de vírus, mas ainda não havia sido demonstrada para o H5N1. Antes de existir a vacina contra hepatite A, por exemplo, era comum médicos recomendarem injeções de anticorpos a pessoas que viajavam para áreas endêmicas.

O método foi testado até mesmo de maneira mais rudimentar -e arriscada- em 1918, durante a pior pandemia de gripe da história. Na época, médicos fizeram transfusões de sangue diretas de sobreviventes para outros infectados, algumas vezes com sucesso.

Na opinião de William Schaffner, especialista em gripe da Universidade Vanderbilt, de Nashville (EUA), porém, a técnica testada agora em roedores é "uma prova de princípio muito elegante". Antes de poder ser usada em humanos, contudo, precisará passar por mais testes. Só depois de eficácia e segurança comprovadas em animais o método pode ser testado em pessoas.


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