Aplicação da edição gênica na agricultura é tema de live da Embrapa
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Imagem: Pixabay
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Aplicação da edição gênica na agricultura é tema de live da Embrapa

A live foi transmitida pelo Canal da Embrapa no YouTube no último dia 15
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Para atender à demanda mundial de alimentos, a prática da agricultura encara alguns desafios: continuar produzindo mais, com menos uso de insumos – como agrotóxicos e fertilizantes -, diante de um cenário de mudanças climáticas e da busca pelo consumidor por produtos de melhor qualidade. Nesse sentido, o melhoramento das espécies, seja para se tornarem mais resistentes a pragas ou a estresses, seja para serem mais produtivas, é fundamental. “De certa maneira a gente já vem fazendo a edição gênica, com a modificação de genomas, há muito tempo, por meio de diferentes ferramentas, como cruzamento e seleção, hibridação, mutagênese, transgenia e, agora, temos o sistema CRISPR/Cas9, que é o que temos de mais revolucionário no momento”, afirma o pesquisador Jean Araújo, da Embrapa Agrobiologia, que ministrou a live Edição gênica: como a inovação que ganhou o Nobel pode revolucionar a agricultura?, transmitida pelo Canal da Embrapa no YouTube no último dia 15. 

Jean informa que o CRISPR foi descoberto em bactérias, sendo um sistema de defesa da bactéria contra a infecção viral, baseado em algumas sequências do DNA chamadas de CRISPR e em uma enzima chamada Cas9. “Basicamente o homem copiou o que a natureza já havia inventado. Em um primeiro momento, a bactéria integra pequenas sequências do vírus no seu genoma, seria, entre aspas, uma bactéria transgênica porque ela está adquirindo pedaços do vírus; em um segundo momento esses pequenos fragmentos de DNA do vírus vão fazer parte do genoma da bactéria e, então, em uma terceira etapa serão usados para produzir pequenos fragmentos de RNA que chamamos de guia, que vão se associar à enzima Cas9, que tem capacidade de reconhecer o RNA viral e então cortar o DNA do vírus”, explica.

Segundo Jean, o sistema já estava sendo estudado há tempos, mas duas cientistas – Emanuelle Charpentier e Jennifer Doudna – conseguiram identificar e descrever o sistema através da caracterização de sua enzima. “Além disso, elas conseguiram fazer com que o sistema fosse reproduzido in vitro, o que permitiu que a técnica fosse utilizada para a edição de genes”, sentenciou Jean, acrescentando que a tecnologia pode ser aplicada para fazer modificações no genoma de qualquer espécie, inclusive em vários genes simultaneamente. 

Mas e como essa tecnologia pode e vem sendo aplicada no campo? Jean diz que algumas das características em que o CRISPR tem sido usado é para o aumento da produtividade, aumento do bem-estar animal, melhor qualidade dos produtos para a saúde humana e desenvolvimento de plantas mais resistentes. Assim, pode-se atuar no aumento da produção de grãos ou da produtividade, na qualidade do grão, no tempo de florescimento ou de colheita, no aumento do tempo de prateleira, entre outros aspectos. “Diversas características interessantes do ponto de vista agronômico têm sido trabalhadas em produtos como arroz, trigo, soja, tomate, milho, banana, melão, entre outros”, destaca o pesquisador. Atualmente, dentre os pedidos para regulamentação de uso no mundo, aproximadamente 60% estão relacionados a características agronômicas, qualidade do alimento e tolerância ao estresse.

Um ponto importante que ele ressalta, entretanto, é que, apesar de serem geneticamente modificados, os produtos que passaram por edição gênica não são necessariamente transgênicos, pois não trazem material genético de outras espécies. Ainda assim, a aceitação pelo mercado consumidor e pela opinião pública pode ser um dos gargalos para a efetiva aplicação da edição gênica no cotidiano, além da regulamentação, que sempre foi bastante demorada e cara. No Brasil, para fins de regulamentação, essa tecnologia está sendo chamada de TIMP – Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão. Apesar desses gargalos, Jean é categórico: “Acredita-se que muito em breve teremos várias espécies de plantas com genoma editado que potencialmente poderão estar no mercado brasileiro”, opina. Clique aqui para ver a palestra completa. 


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