Aprendizagem Rural: ganho para todos

Agronegócio

Aprendizagem Rural: ganho para todos

A contratação de aprendizes pelas empresas é prevista em lei e sua não observância acarreta multa.
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A contratação de aprendizes pelas empresas é prevista em lei e sua não observância acarreta multa. No entanto, ainda hoje há empresas que preferem pagar as pesadas multas do Ministério do Trabalho e Emprego do que abrir suas portas para jovens que, formados na casa, podem resultar em profissionais dedicados e especializados exatamente no que o empregador precisa.

No meio rural, algumas empresas estão mudando isso e procurando o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Minas Gerais (SENAR/MG) para implantar o programa Aprendizagem Rural em suas unidades. Por meio dele, jovens recebem capacitação para ingressar no mercado de trabalho com atividades teóricas e práticas compatíveis com o seu desenvolvimento físico, psíquico e social.


Em Frutal, região do Triângulo Mineiro, a Usina Cerradão e a Sucocítrico Cutrale, gigantes da produção de cana-de-açúcar e de laranja, respectivamente, estão desenvolvendo o programa, que também conta com a parceria do Sindicato Rural de Frutal. A turma da Usina, formada por 44 aprendizes divididos em dois grupos, começou em outubro de 2015; a da Cutrale tem 10 aprendizes, que iniciaram as aulas em abril deste ano.

Função social

A partir de 1988 foram criadas leis que disciplinam o trabalho de menores e hoje eles só podem trabalhar a partir dos 14 anos, desde que como aprendizes. A cota de aprendizes é definida pelo Ministério do Trabalho (Lei 10.097/2000).

“Com o programa, o SENAR cumpre sua função social no mercado de trabalho e as empresas têm a oportunidade de mudar de visão e suprir sua necessidade de mão de obra qualificada exatamente para as necessidades deles, com um profissional moldado por eles”, afirma Cristiane Trigueiro, pedagoga e assistente pedagógica da Assessoria

Pedagógica do SENAR.

Na Usina Cerradão já se observa a mudança nos jovens. Hoje vários já assumem parte das despesas da família e já sabem o que querem para o futuro, como detalha Cristiane. “Estamos fazendo reuniões constantes com os envolvidos e o desempenho dos alunos tem sido muito bom. Conseguimos ver a mudança de atitude pelos relatórios dos instrutores, mas os depoimentos das famílias nos mostram isso ainda melhor”.

Famílias comemoram

Para Alciane Ávila de Paula, mãe de Maria Eduarda Ávila Oliveira, 15 anos, o ingresso da filha na Usina Cerradão significou um ganho em responsabilidade. “Ela amadureceu e está muito motivada. Ela também assumiu alguns pequenos gastos da casa”.

A filha conta que resolveu participar do programa para conhecer a área agrícola e também para ajudar a família financeiramente e endossa a satisfação da mãe. “Está sendo uma ótima experiência. Aprendi a ter comprometimento, responsabilidade, pontualidade e respeitar a todos. Com o curso mudei minha escolha para o futuro – eu pretendia ser pediatra, mas agora quero algo na área da agricultura.”

Outro aluno da turma da Usina, Felipe Leonel dos Santos, 17 anos, também está empolgado. “Tenho muitos parentes que têm fazenda, então eu sempre gostei da área. O curso me aproximou mais do meio rural e estou aprendendo muito. Quero fazer Engenharia Agrícola, já que a agricultura é o que mais cresce e move o mundo”, opina. A mãe de Felipe, Marta Janete Leonel, não poderia estar mais feliz. Marta no momento não está trabalhando e apenas ela e Felipe moram na casa. Assim que começou na Usina, o filho assumiu várias despesas domésticas, o que deixa a mãe emocionada: “Ele sempre foi responsável e fez tudo pra mim, e agora ainda mais. Estou muito feliz.”

Ganham as empresas

As empresas que abriram suas portas para os aprendizes também percebem as vantagens. Na Sucocítrico Cutrale o programa ainda está no início, mas, para Carlos Otero de Oliveira, diretor de relações trabalhistas, já é possível ver que a turma tem interesse no aprendizado e está entusiasmada. Além disso, a presença do SENAR também é um diferencial.

“O SENAR é uma instituição de reconhecida capacidade técnica e o aprendizado desses jovens, aliados à prática desenvolvida na empresa, acaba completando o ciclo de sucesso do programa, preparando-os para o mercado de trabalho”, acrescenta.

Como funciona

Flávio Henrique Silveira, gerente do Escritório Regional do SENAR em Uberaba, explica que, para desenvolver o programa, as empresas devem entrar em contato com o gerente regional responsável pelo seu município e, a partir daí, ele e a Assessoria Pedagógica vão avaliar a demanda. “Somos uma das poucas instituições que fazem o programa de acordo com a atividade da empresa” - o que se traduz como um diferencial e uma vantagem para o empregador.

Para atender à empresa, o SENAR leva em conta a própria capacidade operativa, um mínimo de 10 aprendizes na turma e a consonância entre as atividades desenvolvidas pela empresa e a área de atuação do SENAR. A empresa também deve ser contribuinte da entidade.

Quem participa

Adolescentes ou jovens com idade entre 14 a 24 anos, preferencialmente, de famílias de trabalhadores ou produtores rurais, que tenham concluído ou estejam cursando o ensino fundamental ou médio, que passam a ter vínculo empregatício por contrato de trabalho especial, por tempo determinado, registrado na carteira profissional: a empresa se compromete a dar qualificação profissional e o jovem recebe remuneração proporcional à sua carga horária, como funcionário.

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