Aquecimento global afetará culturas em Minas Gerais
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Agronegócio

Aquecimento global afetará culturas em Minas Gerais

Se a temperatura da terra aumentar as culturas de milho, feijão, café e soja do Estado sofrerão queda de 15% a 20% na produção até 2080
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As culturas de milho, feijão, café e soja em Minas Gerais sofrerão queda de 15% a 20% na produção até 2080 se a temperatura da terra aumentar conforme prevê o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU). As projeções são de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que participam da elaboração do inventário mineiro das fontes emissoras de gases causadores do efeito estufa, divulgados ontem, durante uma conferência para especialistas, em Belo Horizonte.

Segundo o professor Luiz Cláudio Costa, chefe do Departamento de Engenharia Agrícola da UFV e membro da Organização Mundial de Meteorologia, a situação será mais grave no Norte de Minas, onde o semi-árido corre o risco de se tornar árido, com a redução extrema dos recursos hídricos e a conseqüente desertificação.

Pior do que o aumento médio da temperatura do planeta serão os extremos, de secas intensas a enchentes graves, que acabarão com as culturas. Mas este quadro trágico poderá ser evitado, desde que haja uma mudança imediata, que ele chama de "nova agricultura". "As universidades têm de produzir e repassar técnicas que minimizem o uso da água na agricultura e racionalizem as culturas, indicando as melhores épocas para se plantar e os tipos de culturas mais adequadas", disse Costa. Ao Estado, segundo ele, cabe fomentar e levar a informação aos agricultores.

Os especialistas indicam ainda a necessidade de se colocar em prática os bons projetos que existem na academia, visando reduzir os gases causadores do efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. O coordenador do Grupo Temático Especial de Mudanças do Clima da Agenda 21 Mineira, Odair Santos Júnior, defende que o Brasil, sobretudo Minas, têm tudo para ser modelo mundial no desenvolvimento e aplicação de instrumentos que evitem o aquecimento global, pois há recursos que geram energia limpa, como sol, água e ventos.

Para o diretor da Plantar, empresa de reflorestamento e produção de carvão vegetal que teve o primeiro Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) certificado internacionalmente, Geraldo Alves de Moura, todas as empresas poderão lucrar com o comércio de créditos de carbono (volume de gases reduzido que é "vendido" a países que não conseguem diminuir suas emissões), reduzindo, ao mesmo tempo, as emissões de gases. O evento foi promovido para o lançamento do tema da 7ª Conferência Latino-Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social (Ecolatina), "Mudanças climáticas: Tempo de Ação", que será realizada de 16 a 19 de outubro, em Belo Horizonte (MG).


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