Área de cana pode aumentar no cerrado

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Área de cana pode aumentar no cerrado

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Além de celeiro de grãos do País, o cerrado poderá se transformar em um grande canavial. A área dedicada à lavoura pode dobrar nos próximos cinco anos, segundo estimativas do setor agrícola.

Apesar da abertura de novas fronteiras para a cana, acredita-se que ela pode ser insuficiente para atender à demanda futura de álcool combustível. Estima-se que, para atender ao consumo dos próximos 10 anos, o Brasil precisará aumentar em 75% a área cultivada, passando para 9,4 milhões de hectares.

Para especialistas, o cerrado - principalmente os estados do Centro-Oeste e parte de Minas Gerais - é atrativo porque tem terras baratas e virgens. Um termômetro desse interesse é que existem pelo menos sete projetos de instalação de novas usinas na região.

Expansão no Centro-Oeste:

A área com cana vem crescendo nos últimos anos. Apenas no Centro-Oeste, o cultivo aumentou 37% nos últimos quatro anos, passando de 373,4 mil hectares para 512,5 mil hectares. No cerrado mineiro, o aumento na última safra foi de 10%. Juntos, os estados do Centro-Oeste e parte de Minas Gerais respondem por quase 15% da cana-de-açúcar moída no Brasil.

"Temos que acompanhar com atenção as fronteiras agrícolas e a cana-de-açúcar vai começar a se mover para lá", afirma Antônio Carlos Zem, presidente da multinacional americana FMC Agricultural Products para a América Latina. De olho nesse mercado, a empresa pretende ampliar seus centros de distribuição, abrindo unidades no norte do Mato Grosso e também no Maranhão. Atualmente, a FMC tem cinco centros de distribuição no Centro-Sul do País, além da unidade fabril em Minas Gerais. Segundo ele, as empresas de defensivos agrícolas têm de estar atentas para as regiões de expansão e se antecipar ao mercado.

Na estimativa de Zem, a região aumentará em 2 milhões de hectares o cultivo de cana-de-açúcar em cinco anos. Para Zem, esse crescimento está diretamente ligado à exportação de álcool. Ele acrescenta que, para isso, a região precisará investir na instalação de usinas e, somente em mais de duas décadas, superará São Paulo. A cana-de-açúcar responde por 22% das vendas da FMC no Brasil, atrás apenas do algodão.

Luís Custódio Martins, presidente do Sindicato do Açúcar e Álcool de Minas Gerais, diz que o aumento do consumo de álcool fará com que o Brasil precise duplicar sua produção na próxima década. No mercado interno, esse aumento é alavancado pelo lançamento dos carros bicombustíveis. No mercado externo, pela assinatura do protocolo de Kyoto, acordo mundial que visa reduzir a emissão de poluentes no meio-ambiente. Signatários do protocolo estão buscando combustíveis alternativos, como o álcool, para sua frota de automóveis.

De olho no potencial de expansão do cultivo, em Goiás quatro novos projetos de usinas estão em andamento e um está em implantação. O estado conta atualmente com 14 usinas instaladas.

"O grande desafio do cerrado não é a agricultura, mas a comercialização", afirma José Pessoa de Queiroz Bisneto, presidente do Sindicato do Açúcar e Álcool de Mato Grosso do Sul. Ele diz que a logística para o escoamento da produção é muito cara e, além disso, a cana-de-açúcar teria que competir com os grãos. Além do cerrado, Queiroz Bisneto acredita que há espaço para expansão da lavoura no oeste paulista, Paraná e no Triângulo Mineiro.

Para o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, o cerrado tem espaço para crescer, mas ele não acredita que a área registre forte crescimento em pouco tempo. Ainda assim, a região tem áreas novas com preços competitivos para a atração de investimentos.


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