Arroz: em direção preços mundiais mais firmes?

Agronegócio

Arroz: em direção preços mundiais mais firmes?

No início de dezembro, os preços de exportação começaram a se estabilizar com a chegada da nova colheita asiática, exceto na Tailândia, onde os preços continuam subindo
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Análise de mercado internacional - por Dr. Patricio Méndez del Villar - InfoArroz - Cirad (FR)

No início de dezembro, os preços de exportação começaram a se estabilizar com a chegada da nova colheita asiática, exceto na Tailândia, onde os preços continuam subindo

Em novembro, os preços mundiais subiram novamente. As incertezas persistem ainda sobre a oferta futura, devido às inundações que afetaram duramente várias regiões arrozeiras da Ásia. No início de dezembro, os preços de exportação começaram a se estabilizar com a chegada da nova colheita asiática, exceto na Tailândia, onde os preços continuam subindo. Em 2011, as perspectivas podem ser menos tensas que o previsto, com a entrada de novos atores no mercado, como o Camboja que aponta ambições de aumentar suas exportações arrozeiras nos próximos anos, competindo assim diretamente com a Tailândia e o Vietnã.

Em novembro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) subiu 13,1 pontos para 241,6 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 228,5 pontos em outubro. No início de dezembro, o índice IPO marcou 248 pontos.

Produção e comércio mundiais

Segundo as últimas estimativas da FAO, a produção mundial em 2010, apesar das más condições climáticas, pode aumentar 2,4% em relação à temporada 2009/2010. A produção alcançaria 698 milhões de toneladas (465,4Mt base arroz branco) contra 682Mt em 2009. Este incremento se deveria principalmente à recuperação da produção na Índia, que voltaria a seu nível de produção de 2008. Nos demais países do mundo, as colheitas se anunciam globalmente favoráveis, exceto no Paquistão, onde a produção caiu um terço, mas sem maiores consequências para o mercado mundial.

Em 2010, apesar das restrições de exportação na India e no Paquistão, as projeções de comércio mundial indicam um leve incremento para 30,8Mt contra 30,5Mt em 2009, graças às reservas exportáveis da Tailândia e Vietnã. Em 2011, o comércio pode cair levemente para 30,3Mt.

Os estoques mundiais terminando em 2010 devem se manter em torno de 125Mt. Estas reservas representam 28% das necessidades mundiais. Em 2011, se espera um incremento dos estoques mundiais para 133Mt. Mas esses podem ser menores se os países estiverem obrigados a utilizar suas reservas para atender suas necessidades de consumo.

Mercado de exportação

Na Tailândia, os preços aumentaram 5% em novembro, exceto para os arrozes de baixa qualidade, que subiram apenas 2%. No início de dezembro, os preços se mantinham firmes devido à forte demanda de importação, especialmente do Oriente Médio. Ainda persistem incertezas acerca do tamanho das perdas nas áreas arrozeiras causadas pelas intempéries. Deve-se esperar, contudo, algumas semanas antes de se ter uma estimativa mais precisa das próximas safras. Em novembro, o Thai 100%B subiu para US$ 533/t Fob contra US$ 504 em outubro. No início de dezembro, este marcava US$ 565. O quebrado A1 Super, em troca, se manteve relativamente estável passando para US$ 432/t contra US$ 431/t em outubro.

No Vietnã, os preços de exportação aumentaram em média 7%. Apesar da chegada da nova colheita, os preços devem se manter firmes sob a pressão de demanda asiática. As autoridades estão concluindo um acordo com Bangladesh para vender entre 300 e 500.000 toneladas de arroz. Em novembro, o Viet 5% registrou US$ 495/t contra US$ 466/t em outubro. O Viet 25% foi cotado a US$ 460/t US$ 428 anteriormente.

No Paquistão, as graves inundações afetaram cerca de um terço da produção arrozeira. Esta chegaria a apenas 4,2Mt contra 6,7Mt em 2009. Esta queda deve refletir nas exportações de 2011, que estima-se que caiam 25% em relação à safra anterior. O Pak 25% foi cotado a US$ 428/t contra US$ 395/t em outubro. No início de dezembro, o
produto havia recuado e marcava US$ 420/t.

Na Índia, a produção aumentou 12,5% para 99Mt contra 89Mt em 2009. As medidas de restrição das exportações de arroz não aromático, em vigor desde o final de 2007, tendem a ser menos rígidas. Novos contratos de exportação poderiam ser lançados, incluindo alguns países africanos.

Nos Estados Unidos, os preços de exportação subiram 12% em novembro. Desde o inicio de agosto, o preço indicativo do arroz Long Grain deu um salto de 40%. Em novembro, este registrava US$ 608/t contra US$ 544 em outubro. A demanda de importação continua forte ainda que as disponibilidades exportáveis sejam menores este
ano. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros para novembro de 2010 e janeiro de 2011 também aumentaram 5% em relação ao mês anterior.

No Mercosul, os preços de exportação aumentaram 4% em novembro. As previsões de exportação do Mercosul para 2010/2011 indicam um incremento de 25% graças a uma melhora na produção de toda a região. No Brasil, os preços internos aumentaram depois de 3 meses de quedas consecutivas. Vendas públicas têm reativado o mercado. Não obstante, ol mercado deve continuar relativamente calmo durante as próximas semanas.

Na África, a produção aumentou 1% em relação a 2009, sobretudo na África do Oeste, graças a melhores rendimentos. Ainda assim, esta será insuficiente para compensar o crescimento constante do consumo interno, de 5% a 6% ao ano.
 
 
Em Milhões      Produção
de toneladas    beneficiado               Exportações             Estoques
                            2009       2010         2009          2010            2010

Mundo                 455,6       465,4       30,8           30,5             126,2

China                   134,8        135,6       0,8               1,1               70,6
Índia                        89,1          99,0       2,3               2,6               15,0

Indonésia               40,6           41,0       0,1              0,1                  4,9
Vietnã                      25,9           26,1       7,0              6,5                  3,1

Tailândia                 20,8          20,5        8,3             9,0                  5,9
Brasil                          8,4             7,5       0,4             0,6                  0,3

EUA                             6,9             7,4       3,5             3,6                  1,2
Paquistão                   6,7             4,2       3,1             1,8                  0,9

Fontes: FAO & USDA, Novembro 2010/Elaborado por Patrício Méndez Del Villar/InterArroz

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