Arroz custa mais barato que o milho no Sul e Centro-Oeste

Agronegócio

Arroz custa mais barato que o milho no Sul e Centro-Oeste

Inversão ocorre pela primeira vez desde 2000; arrozeiros querem intervenção oficial
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Inversão ocorre pela primeira vez desde 2000; arrozeiros querem intervenção oficial. Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul e Mato Grosso estão recebendo menos pelo grão do que pelo milho. Desde 2000 que essa diferença não ocorria. Hoje as cotações do arroz estão muito abaixo do custo de produção. No Rio Grande do Sul, o grão é comercializado a R$ 18 a saca (50 quilos) e em Mato Grosso, R$ 9 a saca (60 quilos) para um custo de cerca de R$ 29 a saca nas duas localidades. Nestes estados, o milho, no entanto, é vendido a valores de R$ 18,50 e R$ 12 a saca (60 quilos), respectivamente.

Excesso de produção

Dois anos de safras recordes para o arroz e a quebra de produção no milho explicam a gangorra dos preços dos dois produtos. Desde o início da safra, as cotações do arroz caíram 44,7% no Rio Grande do Sul e cerca de 50% em Mato Grosso. Há indícios de que hoje, a (Companhia Nacional de Abastecimento Conab) divulgue uma produção de arroz de cerca de 13 milhões de toneladas, superior ao consumo, de 12,8 milhões de toneladas (ver matéria ao lado).

Além de um excedente de produção, analistas de mercado e produtores dizem que as importações estão afetando os preços. Na safra passada, foram internalizadas 1,1 milhão de toneladas no País e sobraram 1,5 milhão de toneladas de estoque de 2004 para este ano.

Com isso, as indústrias já estão abastecidas, apesar de a colheita estar se encerrando. O secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Arroz do Rio Grande do Sul (Sindarroz), César Gazzaneo, explica que grande parte dos produtores não tem armazéns, nem estrutura de secagem e por isso é obrigada a vender a safra rapidamente.

Importações

Segundo Gazzaneo, as indústrias gaúchas são obrigadas a importar do Mercosul porque parte da safra do Rio Grande do Sul, cerca de 1,2 milhão de toneladas, é vendida para beneficiadoras em outros estados.

Não só os gaúchos reclamam das importações. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Arroz do Mato Grosso, Angelo Maronezi, nos últimos 30 dias, indústrias da região também têm recebido grãos do Mercosul. No estado, além do excedente de produção, outro motivo apontado para a queda no preço é a reclassificação da cultivar Cirad, que responde por 60% da safra. Como a variedade passou a ser considerada longa e não mais longa-fina, por problemas de qualidade, a cotação caiu.

Segundo o analista Carlos Cogo, da Cogo Consultoria Agroeconômica, devido aos baixos preços, o mercado está praticamente paralisado. "Vender nesse patamar é um prejuízo irrecuperável", diz Valter Pötter, presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz).

Para analistas de mercado, produtores e industriais, a solução para a crise por que passa a orizicultura é uma intervenção direta do governo, dando suporte ao mercado. "As opções privadas não tiram o produto do mercado", diz Gazzaneo. O mecanismo garante um preço mais alto, mediante pagamento de ágio.


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