Arroz em queda, apesar do recorde de exportações e da safra menor
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Agronegócio

Arroz em queda, apesar do recorde de exportações e da safra menor

Cotações iniciam o mês em leve queda, provocada pelo cenário internacional e, principalmente, a expectativa pelos leilões de repasse e recompra
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Cotações iniciam o mês em leve queda, provocada pelo cenário internacional e, principalmente, a expectativa pelos leilões de repasse e recompra. As exportações brasileiras de arroz alcançam o recorde de 1,6 milhão de toneladas, em base casca, e a safra 2011/12 será ainda menor que o limite mínimo previsto pela Conab em novembro



Depois de acumular uma alta de 3,5% e finalizar novembro com referencial de preços de R$ 25,70, a saca de arroz em casca no Rio Grande do Sul vem perdendo fôlego na primeira semana inteira de comercialização. Em novembro, as cotações chegaram a superar o preço mínimo de garantia do governo federal, de R$ 25,80, mas por poucos dias e poucos centavos.

Apesar de um conjunto de boas notícias divulgadas nesta quinta-feira, como os editais de recompra e repasse de contratos de opções (editais em nossa área de downloads), o recorde de exportações e uma safra ainda menor do que o previsto em novembro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o mês de dezembro a trajetória do arroz é de desvalorização de 0,74%, ou R$ 14,05 dólares, pela cotação do dia. Em dólar a saca de arroz também barateou em dezembro, em 35 centavos de dólar. Na média da semana, de segunda a quinta, o arroz gaúcho vale R$ 25,61, segundo o Cepea.

O setor ainda espera reação, já que a alta do dólar tem compensado parcialmente a desvalorização dos preços internacionais, mas não aposta em valores muito acima do preço mínimo. Os agricultores chegaram a ter esperanças era de que o mercado fosse balizado pelos valores de exercício dos contratos de opção de arroz em casca, em torno de R$ 29,00 em dezembro.

No entanto, um conjunto de fatores, como o aumento da pressão de oferta do Mercosul, o mercado interno travado com expectativa de retração do consumo entre dezembro e fevereiro, indústrias abastecidas, a proximidade da próxima safra, a falta de armazéns credenciados, que pode forçar o arrozeiro a jogar sua produção no mercado, vêm determinando um cenário de leve baixa nas cotações. Os leilões da próxima semana devem assegurar maior tranquilidade e a estabilidade das cotações. Sem contar que nesta quinta-feira, muitos municípios brasileiros fizeram feriado religioso.


No mercado livre, as cotações variam referenciais entre R$ 25,00 e R$ 26,00. Mas, obviamente, o valor líquido que chega à mão do produtor é muito menor. O Cepea/Esalq emitiu uma análise de mercado, indicando que as negociações envolvendo o arroz em casca estiveram instáveis no Rio Grande do Sul nos últimos dias. Cita, o relatório, que este cenário esteve atrelado, especialmente, ao resultado de venda de 89% do leilão de recompra, ocorrido na segunda-feira, 28.

Nos dois primeiros dias da semana passada, indústrias tentaram reduzir as cotações pela expectativa de mais um leilão de recompra ainda em dezembro, conforme foi anunciado nesta quinta-feira, o que aumentará a disponibilidade de arroz no mercado interno. Apesar disso, a maior parte de produtores segue limitando a pressão exercida por compradores. Já a partir da quarta-feira, 30, mesmo com a possibilidade de um novo leilão de recompra em dezembro, parte das indústrias afirmava que a queda no preço do arroz em casca poderia dificultar as compras.

SAFRA

A lavoura gaúcha já está praticamente plantada, segundo a Emater/RS, apesar de indicativos de problemas em regiões isoladas, como na região metropolitana de Porto Alegre, algumas cidades da Campanha e da Depressão Central, por estiagem ou alta infestação de ervas daninhas, como o arroz vermelho e plantas aquáticas. O estio preocupa e lavouras da Fronteira-Oeste, Zona Sul e Campanha, especialmente esta, já são banhadas para garantirem a emergência, o que pode provocar falta de água para irrigar mais à frente.

O terceiro levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2011/12 foi anunciado nesta quinta-feira, e a queda produtiva deve ser maior do que o previsto inicialmente. É prevista a produção de 11,93 milhões de toneladas, o que indica uma queda 12,4% sobre 13,61 milhões/t colhidas em 2010/11. No levantamento anterior, eram esperadas de 11,97 a 12,52 milhões de toneladas. A área plantada com arroz na temporada 2011/12 deve beirar a 2,59 milhões de hectares, perante os 2,82 milhões semeados no ciclo 2010/11. A produtividade média das lavouras brasileiras deve alcançar 4,643 mil quilos ao hectare, com diminuição de 3,8% sobre os 4,827 mil kg/ha colhidos em 2011.


Para o Rio Grande do Sul, principal produtor brasileiro, a Conab estima uma safra de 7,87 milhões de toneladas, o que equivale ao recuo de 11,6%. A área prevista é de 1,08 milhão/ha, com redução de 8% sobre os 1,17 milhão/ha semeados em 2010/11. Para o rendimento são esperados 7,3 mil quilos por hectare, diante dos 7,6 mil kg/ha da outra temporada. Em Santa Catarina, a produção avançará 4,6%, gerando 1,042 milhão de toneladas. Já o Maranhão se tornará o terceiro maior produtor nacional, com safra de 644,9 mil toneladas. Apesar do recuo diante das 734,6 mil/t de 2010/11, o estado do Nordeste reduzirá sua produção menos do que o Mato Grosso.

INTERNACIONAL

Os preços mundiais continuam baixando exceto na Tailândia, relata o Informativo Mensal do Mercado Mundial do Arroz (InterArroz), elaborado pelo analista internacional Patricio Méndez del Villas, do Cirad, da França. Segundo a publicação, em novembro, os preços mundiais continuaram caindo em todos os mercados, exceto na Tailândia, onde a nova política de preços e as graves inundações do mês de outubro contribuíram para manter os preços bastante altos em relação a seus principais competidores asiáticos. Estes últimos seguem baixando seus preços e, assim, ampliando ainda mais a diferença com a Tailândia. Inclusive os preços norte-americanos acompanham a tendência asiática e se encontram abaixo dos preços tailandeses.

Para Patrício Méndez del Villar, nos próximos meses, os preços mundiais devem continuar em tendência baixista, devido aos excedentes na oferta de exportação e ao declínio previsto para o comércio mundial de arroz em 2012. Esta é a conseqüência lógica do aumento da produção mundial e das reservas mundiais, que provavelmente alcançarão o nível mais alto dos últimos dez anos.

Em novembro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu levemente 0,5 pontos para 266,6 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 267,1 pontos em outubro. No início de dezembro, o índice IPO marcava
264 pontos, mantendo a tendência de queda.

A FAO estima que a produção mundial em 2010 alcançou 700 milhões de toneladas (base casca) contra 683Mt em 2009, aumento de 2,3%. As colheitas têm melhorado em quase todas as regiões arrozeiras do mundo graças a uma ampliação das áreas de cultivo. As projeções para a temporada 2011 indicam um novo recorde da produção em 723Mt, alta de 3,4%.


Em 2011, o comércio mundial poderá subir 8%, atingindo um volume recorde de 34Mt contra 31,5Mt em 2010. Em 2012, os fluxos comerciais poderiam cair 1,5% para 33,5Mt, em função de
uma menor demanda de importação em certos países asiáticos. O levantamento pode ser baixado em nossa área de downloads.


EXPORTAÇÕES

O analista Tiago Sarmento da Barata, da Agrotendências Consultoria em Agronegócios, divulgou em seu relatório semanal (agrotendencias.com.br) que o Brasil exportou em novembro 223,7 mil toneladas (base casca) de arroz, com destaque para 35 ml toneladas de arroz branco ao Haiti, 28 mil toneladas de grão parboilizado à Nigéria e 33 mil toneladas de arroz em casca para a Venezuela. “Apesar da redução de 23,4% em relação ao volume exportado no mês anterior, trata-se de um desempenho excelente”, destaca o consultor.

Desde o início do ano comercial, já foram exportadas 1,621 milhão de toneladas, significando um crescimento de 158% (em apenas nove meses) em relação às vendas externas no último ano comercial.

IMPORTAÇÕES

Já quanto as importações, o volume indicado para o mês de novembro foi de 95,8 mil toneladas (base casca), retomando ao padrão de volume importado entre julho e setembro. A Argentina foi a origem de 55,5% do volume internalizado no último mês. Desde março, foram importadas 635,5 mil toneladas, sendo 45% deste volume oriundo da Argentina. Paraguai e Uruguai representam respectivamente 30,2% e 24,7% do arroz importado nos últimos nove meses, segundo Tiago Sarmento Barata, da Agrotendências.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios estáveis esta semana no Rio Grande do Sul, com a saca de arroz em casca de 50 quilos (58x10) cotada a R$ 26,30 e R$ 52,00 para a saca de 60 quilos de arroz branco. Nos quebrados de arroz a novidade é a desvalorização em 20 centavos da quirera, que chegou a ser cotada a R$ 32,00 (60kg/FOB-RS) na semana passada, valorizando 50 centavos, e caiu para R$ 31,80. O canjicão manteve o referencial de R$ 34,00 e o farelo de arroz em R$ 270,00 por tonelada/FOB no RS.

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