ARTIGO: Quem é esse vilão?

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ARTIGO: Quem é esse vilão?

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Os primeiros relatos de influenza são de aproximadamente 2,5 mil anos atrás pelo médico grego Hipócrates. A palavra influenza tem sua origem no latim medieval e posteriormente italiano, e significa influência. O nome foi criado porque se achava que a doença era causada pela influência das estrelas, possivelmente atribuída às noites frias de céu estrelado. Posteriormente, sua causa foi atribuída a bactérias ou ao ar maléfico que poderíamos estar respirando. Somente em 1933 é que a causa foi atribuída a um vírus. Descobriu-se que esse vírus promíscuo podia sofrer pequenas ou grandes mudanças na sua estrutura e até mesmo trocar seus componentes genéticos com outros vírus influenza. Além dos humanos, o vírus apresentava a capacidade de infectar outros animais, como aves e porcos. No caso do influenza A (H1N1), o vírus possui componentes genéticos do influenza humano, suíno e aviário. Durante os meses de inverno, ocorre a influenza sazonal, que pode ser evitada pelas vacinas que são aplicadas anualmente no início do outono. As vacinas contra gripe são produzidas a partir da identificação dos principais tipos de vírus influenza que circulam anualmente no nosso meio. As principais pandemias, decorrentes de grandes modificações na estrutura do vírus e para as quais não existe uma vacina disponível para prevenção, foram a gripe espanhola, com aproximadamente 20 a 40 milhões de mortos em 1918-19; a gripe asiática, com 70 mil mortes em 1957; a gripe de Hong Kong, com 34 mil mortos em 1968, e a atual A (H1N1) com 1.154 mortes até o momento. A influenza é uma doença mais acentuada que o chamado resfriado, pois as pessoas sentem-se muito debilitadas, com febre alta, dores de cabeça e no corpo, com manifestações respiratórias que incluem tosse e espirros. O influenza aviário é muito mais agressivo (60 em cada cem pes- soas morrem) que o A (H1N1) (cinco em cada mil pessoas morrem), porém não se espalha com facilidade, pois só se transmite de aves para humanos, e não de humanos para humanos como A (H1N1). Apesar da ocorrência de mortes e casos graves, principalmente em gestantes, pacientes com doenças crônicas e ocasionalmente em adultos jovens sadios, a maioria das pessoas que se infectam com A (H1N1) apresentam sintomas leves. Nossa sorte é que o influenza A (H1N1) não apresenta resistência a antivirais como o Tamiflu, que melhoram os sintomas e parecem prevenir complicações mais graves quando prescritos pelo médico nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.

Nossos hábitos de higiene devem ser rigorosos em uma epidemia como esta, e incluem a constante lavagem de mãos, principalmente antes das refeições, a proteção de espirros e tosse com lenço, além de procurar não levar a mão nos olhos, nariz e boca, sempre procurando colocar lenços e máscaras descartáveis em um lixo apropriado. Evitar, dentro do possível, ambientes fechados com grande aglomeração de pessoas e, se estiver gripado, ficar em casa. O mais importante é que precisamos evitar alarmismos e levar uma vida normal, com alimentação adequada, beber bastante líquidos, sempre bem agasalhados e com uma atividade física regular. Estamos passando pelo pior momento da epidemia no nosso Estado, mas a tendência será a diminuição da disseminação do vírus e do número de pessoas infectadas com aumento da temperatura a partir de setembro. Certamente teremos uma vacina disponível para o nosso próximo inverno, que já começa ser testada no Hemisfério Norte. Ficam as lições e os ensinamentos para o aperfeiçoamento do nosso sistema de saúde para prevenção e instituição de estratégias de controle de doenças infecciosas potencialmente ameaçadoras como a influenza.

*Presidente da Sociedade Rio-Grandense de Infectologia

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