Ativistas impedem entrada de navio com soja transgênica no Porto de Paranaguá
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Agronegócio

Ativistas impedem entrada de navio com soja transgênica no Porto de Paranaguá

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Ativistas do Greenpeace bloquearam ontem (03-05) pela manhã a entrada de um navio carregado de soja transgênica no porto de Paranaguá (PR). O navio Global Wind, carregado com 30 mil toneladas de soja transgênica proveniente da Argentina, iria completar a carga, com soja convencional, no porto paranaense. Esta é a primeira vez que o Greenpeace faz uma manifestação desse tipo no Brasil. A ação em Paranaguá é parte da expedição "Brasil Melhor sem Transgênicos", que o grupo vem realizando desde meados de abril a bordo do navio Arctic Sunrise.

O protesto começou quando o ativista Pablo Toranzi Rozzi, 26 anos, se acorrentou à âncora do navio, por volta das 10 horas. Outros membros do grupo acompanham o protesto com barcos ao redor do navio e desde então estão se revezando no protesto. Segundo Gabriela Vuolo, que integra a campanha da Campanhia de Engenharia Genética do Greenpeace, a intenção é manter o protesto até que o governo federal declare o Paraná área livre de transgênicos e proíba a complementação de cargas de navios carregados de soja modificada em Paranaguá. "É preciso que o governo não só apoie a proibição paranaense, mas também que inclua nessa proibição os navios carregados de soja transgênica que vêm para Paranaguá para operações de "top-loading", ou seja, serem completados com soja não transgênica", afirma.

O Greenpeace entende que a operação pode comprometer as vantagens comerciais do Brasil por ser o principal exportador mundial de soja não transgênica. "No caso desse navio, a soja transgênica iria contaminar a convencional", afirma.

Por uma decisão do governo do Paraná, Paranaguá é o único terminal portuário no Brasil a barrar os embarques de soja transgênica, posição que vem sendo duramente criticada. Com a proibição, a soja em grão passou a ser submetida a testes de transgenia antes de ser embarcada. A intenção do governo é tornar o porto de Paranaguá conhecido internacionalmente como um terminal livre de transgênicos. Mesmo assim, a restrição aos produtos modificados limita-se apenas ao grão. O farelo de soja não é submetido a análises de transgenia.

O Paraná reivindica há tempos ao governo federal ser declarado área livre de trasngênicos. O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), editou lei proibindo o plantio, a manipulação, a comercialização e o transporte de soja modificada no estado. A lei estadual foi derrubada no pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no final do ano passado. Para a União, o estado não pode ser declarado livre porque 500 proprietários rurais no Paraná assinaram o termo de compromisso para plantar soja transgênica nessa safra.

A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) informou que manifestação não prejudica as operações do porto, já que o navio bloqueado pelos ativistas está ao largo. O Greenpeace vem intensificando sua campanha global contra os transgênicos. Na semana passada, bloquearam em Melbourne (Austrália) um carregamento de soja transgênica vindo dos EUA.

China

O governo brasileiro vai intensificar as inspeções das exportações de soja que saem dos estados do sul do país depois da informação de que autoridades chinesas recusaram um carregamento de soja por conter níveis inaceitáveis de contaminação de fungicidas, informou o Ministério da Agricultura.

Inspetores do porto foram instruídos a reter os certificados de exportação para carregamentos de soja que contenham grãos, que por causa do tratamento com fungicidas são inadequados ao consumo humano e animal, disse Girabis Evangelista Ramos, diretor do Departamento de Saúde Vegetal do Ministério.

O foco da controvérsia é um carregamento de soja de 58 mil toneladas, que partiu do porto de Rio Grande, em 12 março, e chegou a Xiamen, no sul da China, em 18 de abril, segundo traders locais. O governo brasileiro advertiu exportadores porque está empenhado em evitar a interrupção de embarques do grão para a China.


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