Agronegócio

Atraso na implantação do sistema Sisbov

Produtores rurais já vêm sentindo prejuízos para o cumprimento das regras da nova norma em função do sistema ainda não ter ido ao ar
Por: -Talita Ormond
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Apesar de o dia 30 de novembro do ano passado ter sido estabelecido pela Instrução Normativa nº 17 como data limite para os produtores com animais cadastrados no Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov) realizarem o cadastramento dos novos animais na Base Nacional de Dados pelas regras do Sisbov antigo, o novo sistema ainda não foi implantado. Há 40 dias, produtores rurais já vêm sentindo prejuízos para o cumprimento das regras da nova norma em função de o sistema ainda não ter ido ao ar.

Segundo a normativa, no período compreendido entre 1º de dezembro de 2006 e o final deste ano é possível que se abatam ou comercializem os animais cadastrados na Base Nacional de Dados sob as regras antigas, sem perder a rastreabilidade dos animais. Mas os novos rebanhos a serem cadastrados para abate nos primeiros meses deste ano ainda estão na lista de espera e os pecuaristas já amargam prejuízos.

O sócio-proprietário da Pantanal Certificadora, Nelson Costa, revelou que houve uma orientação por parte da certificadora no que diz respeito à programação de cadastramento dos rebanhos para abate. Depois disso, a carne deve passar por um período de espera de 90 dias, para enfim ser exportada. “A Europa exige isso”, disse. Se o produtor mudar de propriedade, seguindo a noventena, o criador deve esperar por mais 40 dias para garantir a qualidade da carne para exportação.

“Quem precisar hoje de abate para março, já perdeu o prazo”, revelou. Segundo ele, todo o processo faz parte de uma política de conscientização de sanidade e qualidade da carne bovina brasileira diante do mercado internacional. Segundo Costa, a questão do rastreamento não se restringe somente ao mercado internacional. Os grandes frigoríficos brasileiros como Sadia, Friboi, Quatro Marcos e Marfrig só adquirem carne advinda de gado rastreado.

Por isso, os produtores que optarem por não aderir ao novo Sisbov estão fadados a liquidez do mercado dos “não-rastreados” uma vez que a mão-de-obra exigida nos frigoríficos é dobrada, porque há separação dos rastreados e não-rastreados em todo o processo. “É tudo diferente”, disse. “O produtor que não aderir ao sistema vai ficar sem mercado”, completou.

A frente de uma empresa de Rondonópolis, Costa afirmou que o Frigorífico Rondonópolis, Friboi e Agro Carnes abatem 1,5 mil cabeças por dia para abastecer o mercado interno e de Estados vizinhos. Ele revelou ainda que toda a carne vendida na rede de supermercados Carrefour é proveniente de Rondonópolis, dentro de uma lista de exigências. Para abastecer todos os supermercados, o Carrefour abate 500 cabeças por dia. “E é só gado rastreado para consumo interno”, disse.

O produtor que aderir às exigências do programa, segundo Costa, proporcionará facilidade no manejo do rebanho, uma vez que o preenchimento de várias planilhas concernentes à sanidade, vacinação e alimentação serão obrigatórias. “Antes o pecuarista não fornecia esses dados”, disse. Além disso, uma auditoria será estabelecida e uma certificação será expedida, garantindo a idoneidade do estabelecimento a cada seis meses através do Estabelecimento Rural Aprovado no Sisbov. “Esse é o grande diferencial”, disse.

A partir do dia 1º de dezembro de 2009, inclusive, os Estabelecimentos Rurais Aprovados no Sisbov não poderão mais adquirir animais de estabelecimentos não aprovados. Desta data em diante, todos os animais que ingressarem no Estabelecimento Rural Aprovado no Sisbov devem ser originários de outra propriedade que também é cadastrada. Assim, só será aceito o ingresso de animais não provenientes de fazendas certificadas se destinados exclusivamente à reprodução.

Somada às planilhas, um livro de registro será fornecido aos produtores para que eles tenham controle de todos os acontecimentos em sua propriedade, a exemplo de mortes naturais, abate, transferência de gados entre propriedades e vacinação, entre outras coisas. “Aí o sistema vai funcionar”, disse. “Terá uma certificação individual e da propriedade”, completou.

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