Atraso pode comprometer safra de soja em MT
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Agronegócio

Atraso pode comprometer safra de soja em MT

Segundo Aprosoja, greves e falta de caminhões prejudicam entrega
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Segundo Aprosoja, greves e falta de caminhões prejudicam entrega
 
O plantio da safra 2012/13 de soja e Mato Grosso chega a uma etapa crucial em outubro. Este é o mês da chamada janela ideal e pode confirmar recordes produtivos para a temporada ou até mesmo frustrar as previsões de alta caso o produtor não aproveite a fase. Mas apesar de os trabalhos no campo ganharem força mediante intensificação das chuvas, o atraso na entrega dos insumos necessários ao cultivo do grão já preocupa.

De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), a greve nos portos e falta de caminhões para transporte dificultaram a chegada dos componentes até as propriedades. Além de esperarem mais tempo o agricultor também está pagando mais caro, lembra Naildo Lopes, coordenador da comissão de Gestão da Produção da Aprosoja.

"Tem produtores com problemas e o frete praticamente dobrou de preço. O adubo retirado em Paranaguá (PR), antes na base de R$ 100 a tonelada agora passou para mais de R$ 200. Alguns produtores não têm um quilo de adubo na fazenda", afirmou o representante. Com a ajuda do clima Mato Grosso pode ofertar neste ciclo a maior safra da história, projetada em patamares superiores a 24,1 milhões de toneladas.

Mas se o atraso persistir, inclusive a semeadura da segunda safra de milho pode ser afetada. Lopes lembra que além das greves deflagradas - a exemplo daquela pelos servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a mudança sobre a legislação que regulou a jornada dos motoristas também impactou na relação.

Em Campo Novo do Parecis, a 397 quilômetros de Cuiabá, onde plantará 6 mil hectares com soja, o produtor Alex Utida já conseguiu semear cerca de 5% da área. Mas com a dificuldade de se retirar os adubos dos portos a entrega atrasou. Utida lembra que na última safra já no mês de maio havia efetuado todas as aquisições. Mas neste ano, só conseguiu realizar as operações com um intervalo maior de 120 dias.

"Houve uma dificuldade porque não se achavam caminhões e também porque os preços do frete subiram. A falta logística também prejudicou". O produtor diz que apesar do atraso o desenvolvimento da safra não deve ser prejudicado, uma vez que parte dos insumos necessários ao plantio foi suficiente para iniciar o cultivo.

"Uma parte consegui receber, mas se tivesse comprado mais na boca da safra como houve produtores que deixaram seria prejudicado", alertou o agricultor.

No médio norte de Mato Grosso - onde está o maior celeiro de grãos do Brasil - os agricultores também enfrentam a mesma dificuldade. Na propriedade de Ronaldo Badan serão 650 hectares cultivados. Como destaca o produtor de Nova Mutum, 269 km da capital, os insumos são entregues concomitantemente ao plantio.

"Está chegando em cima da hora, quando a entrega deveria ter sido feita até o mês passado. Pelo menos 30% do que comprei já chegou", pontuou o produtor rural. Conforme acrescenta ainda, a medida que os fertilizantes chegam é preciso interromper a semeadura para receber as cargas.

Problema já anunciado

Gestor do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Daniel Latorraca diz ser o atual cenário reflexo de um problema já anunciado.

"Os produtores têm uma janela de plantio para cumprirem e não podem se dar ao luxo de não plantarem. Há uma preocupação porque com a falta do produto podem perder este período especialmente em outubro e não se garantir o bom desenvolvimento das lavouras", alertou o economista.

Somente em agosto - em decorrência da greve dos fiscais federais agropecuários - 657 mil toneladas de fertilizantes foram impedidas de entrarem no estado. "Se postergar o plantio perde-se a precipitação das chuvas", considerou ainda o economista do Imea.

Vendas em alta

Com o cenário de alta estimado para a safra agrícola 2012/13 no Brasil - ciclo em que o país deve se tornar o maior produtor mundial da cultura - elevou-se em 5% a demanda por fertilizantes no país. De acordo com a Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda), de janeiro a agosto os produtores brasileiros adquiriram 17,7 milhões toneladas de fertilizantes, frente a 16,9 mil toneladas do ano passado.

O total de nutrientes (NPK) entregues cresceu 4,7%. De acordo com a Associação, Mato Grosso concentrou o maior volume de entregas de fertilizantes no período, com 3,45 milhões de toneladas, seguido por São Paulo (com 2,421 milhões de toneladas), Paraná (2,273 milhões de toneladas) e Rio Grande do Sul (2 milhões de toneladas).

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