Aumenta concentração do mercado brasileiro de agroquímicos

ANÁLISE

Aumenta concentração do mercado brasileiro de agroquímicos

Avaliação do diretor executivo da AENDA , Tulio Teixeira de Oliveira
Por: -Leonardo Gottems
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O mercado brasileiro de agroquímicos vem aumentando a concentração em torno das grandes empresas mundiais, ao ponto de transformá-lo em algo pior do que um “oligopólio”. Essa é a avaliação do diretor executivo da AENDA (Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos), engenheiro agrônomo Tulio Teixeira de Oliveira.

“Quando o mercado é dominado por poucos concorrentes denominamos o fenômeno de mercado oligopolizado. E quando esse referido oligopólio fica mais forte, restringindo ainda mais o espaço para os demais concorrentes, como devemos chamar? Pois é justamente o que está ocorrendo com o mercado brasileiro de Defensivos Agrícolas, por sinal, um dos maiores do mundo”, sustenta o dirigente.

De 2015 a 2017 esse segmento da indústria girou em torno de US$ 9 bilhões/ano no Brasil, o que indica que, sozinho, o Brasil representa 15% do mercado global desses produtos. Nestes três anos, diz Tulio Oliveira, apenas nove empresas abocanharam 70% das vendas de agroquímicos para a agricultura brasileira, “já grande e com possibilidades de crescer significativamente’.

De acordo com o dirigente, até o ano que vem essa concentração será ainda maior, porque as empresas detentoras da maior fatia de mercado serão reduzidas de nove para apenas cinco. 

“É isso mesmo, houve fusão entre Dow e Dupont e agora a Bayer comprou a Monsanto. A Syngenta e Adama, embora com estruturas separadas, representam uma só – a Chemchina. Um pouco antes a FMC havia capturado a Chemchina, e mais recentemente adquiriu o quinhão definido pelo governo no processo Dow-DuPont. Portanto as empresas proprietárias de 70% do mercado brasileiro de produtos fitossanitários serão apenas: Bayer, Syngenta/Adama, Corteva (Dow/Dupont), Basf e FMC.

Segundo ele, o termo “proprietárias” não é por deslize de linguagem ou exagero, mas porque o “domínio é realmente avassalador, tanto que os espaços para outras empresas devem ser chamados de frestas”. 

“O capitalismo se apresenta como sistema da liberdade, oposto ao socialismo definido como autocrático. Porém, na prática é a liberdade de quem pode mais, de quem tem investimentos em bancos para emprestar benefícios aos clientes, de quem pode transacionar produtos agrícolas (e até comprá-los antecipadamente) em troca de seus insumos, de quem pode impor exclusividade (surdas, sem contratos) com distribuidores de uma região, de quem organiza viagens internacionais de intercâmbio técnico para seus principais clientes, de quem tem uma legião de vendedores e técnicos de campo à disposição das propriedades rurais.Tudo dentro da maior legalidade. Estou apenas desenhando a realidade do nosso tempo. Uma sociedade desigual e sem qualquer expectativa de mudança nos rumos de organização mais humanitária”, conclui Oliveira.

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