Aumento na cotação da soja estimula vendas antecipadas no Paraná

Agronegócio

Aumento na cotação da soja estimula vendas antecipadas no Paraná

Em plena época de plantio, os produtores recebem 3,84% a mais que o preço médio do ano passado
Por: -José Rocher
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O aumento na cotação da soja verificado nos últimos 30 dias estimula as vendas antecipadas no Paraná. Em plena época de plantio, os produtores recebem 3,84% a mais que o preço médio do ano passado. Em Ponta Grossa, onde vêm sendo registrados os maiores preços, a saca de 60 quilos do grão vale mais de R$ 30. Trata-se do melhor preço deste ano, cerca de R$ 5 acima da média histórica (US$ 11,5). Os analistas acreditam que, diante desse quadro, os produtores deverão vender cerca de um terço da produção antecipadamente.

A surpresa em relação à alta é que ela acontece num cenário de superoferta do produto. Os armazéns acumulam cerca de 25 milhões de toneladas e devem receber mais 25 milhões até o fim desta safra. Além disso, os Estados Unidos comemoram a colheita de quase 87 milhões de toneladas, a maior safra da história norte-americana, praticamente 7 milhões a mais que o previsto em agosto.

Uma série de fatores provoca a elevação nos preços. Os investidores que compram papéis com lastro em soja, os agricultores decididos a produzir milho para fabricação de etanol, a elevação do preço do milho e do trigo por falta de estoque, tudo isso valoriza a soja. Mesmo assim, muitos produtores temem que os preços não permaneçam em alta por muito tempo, o que estimula as vendas.

“É impossível saber se este é o melhor momento para a venda da soja. Mas podemos dizer que é um bom momento. O mercado internacional reagiu, mudou completamente no último mês. Temos a melhor cotação do ano”, afirma o analista Flávio França Jr., da Safras & Mercado. Em sua avaliação, o preço atual não é uma bolha prestes a estourar. “Pode até haver uma queda nos preços, mas não será muito grande. A tendência mais consistente é a de alta.”

Ele considera que, pela primeira vez, a cotação da soja segue o mercado de energia, com preços tradicionalmente em alta. O fenômeno deve-se à destinação cada vez maior de milho e soja para a fabricação de etanol e biodiesel. “Só não dá para vender toda a soja”, ressalva França.

Antes da onda de elevação no preço da soja, apenas 9% da safra 2006/07 tinham sido comercializados. Além disso, restavam cerca de 5% da última colheita. Agora, a parcela da próxima safra já negociada está perto dos 20%, conforme dados da Safras & Mercado.

Para o analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas, Fernando Muraro Jr., “o importante é o produtor ter uma estratégia”. Ele afirma que, como o sojicultor paranaense dispõe de melhor logística do que os agricultores de regiões como o Centro-Oeste, por exemplo, ele tem condições de esperar mais. Porém, deve considerar que essa alternativa pode levar tanto a bons como a maus negócios.

“Um ganho de US$ 2 por saca de soja não é ruim. O produtor já teve diversas boas oportunidades de comercialização e elas podem se repetir. Mas não há garantias”, pondera o analista. Muraro trabalha com a estimativa de que a comercialização antecipada pode atingir 33% da safra 2006/07 no estado e 40% no país.

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