Avicultura: escala garante melhores resultados no PR
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Imagem: Pixabay
PECUÁRIA

Avicultura: escala garante melhores resultados no PR

Produtores tiveram impactos diretos também do maior intervalo entre lotes dos frangos
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Na região, de acordo com Juliana, os produtores tiveram impactos diretos também do maior intervalo entre lotes dos frangos. “Além de menos lotes, houve diminuição da densidade (quantidade de frangos alojados). Isso prejudica porque os custos continuam quase iguais e a gente deixa de faturar. Mesmo assim, nós não paramos, mesmo com todo aquele medo do que poderia ocorrer se houvesse colapso nas integradoras por conta da Covid-19. Continuamos muito fortes, determinados em continuar a produção. Mas posso dizer que foi um ano muito complicado”, avalia.

No Norte Pioneiro, em Jacarezinho, Hamilton Junior Camargo tem aviários com capacidade para 74 mil frangos. O produtor acompanha seus custos na ponta do lápis e vê a viabilidade da avicultura com cautela. “Mão de obra está complicado, energia elétrica e a manutenção dos aviários também. Nesses últimos seis meses, itens da parte elétrica, os derivados de ferro, tudo o que vai para substituir. Novos investimentos precisam ser bem avaliados, porque a situação é crítica”, aconselha.

Camargo bate na tecla de que os avicultores paranaenses precisam investir tempo no controle efetivo dos custos, para conhecer o terreno onde se está pisando. “Quero enfatizar essa questão de que precisamos fazer a conta de quanto ganhamos no ano inteiro e comparar com o ano anterior. É fundamental termos esses valores em um plano mais amplo para enxergar se houve ou não houve aumento e se o reajuste da integradora cobriu esse aumento. Sem isso, é impossível gerenciar custos de produção”, ensina.

Mão de obra

Como de costume, a mão de obra seguiu ocupando o posto de maior vilã nos custos de produção. Pegando como exemplo um aviário de 140 metros por 14 metros, em Chopinzinho, com produção de frango pesado, os gastos com obrigações trabalhistas representaram 44,54% do custo total. Em seguida aparece energia elétrica, com 14,43%, lenha/pellet com 9,19% e troca e reposição de cama 8,64%. Enquanto isso, no mesmo município, em aviários de frango griller, a participação dos custos ficou da seguinte forma: mão de obra (37,79%), energia elétrica (8,77%), lenha/pellet (19,74%) e troca e reposição de cama (8,03%).

Metodologia

A metodologia aplicada foi a mesma dos anos anteriores em relação às planilhas e fórmulas usadas nos cálculos (ver o quadro abaixo). Em reuniões em cada região, produtores levaram seus números e repassaram para o consultor da FAEP, Ademir Francisco Girotto. Depois, este compilou os números e fez as contas para chegar ao resultado final, com apoio da FAEP.

O que mudou, neste ano, foi que o levantamento foi feito à distância, via videoconferências online. Tradicionalmente, há dois estudos por ano, mas, por conta da pandemia do novo coronavírus, a rodada do início do ano foi suspensa. Assim, a comparação ficou sendo novembro de 2019 com novembro de 2020.

“As videoconferências no levantamento de custos foram uma novidade para todo mundo. Houve lugares que as conexões não ajudaram, mas deu para levantar as informações que precisávamos”, disse Girotto, que também agradeceu o empenho de todos os produtores que compareceram nos encontros digitais com dados para contribuir.

Levantar custos é garantir renda

O presidente da Comissão Técnica da Avicultura da FAEP, Carlos Bonfim, lembra que o levantamento de custos é uma ferramenta crucial para os avicultores não trabalharem no escuro. “É um instrumento muito bom para a gente avaliar o custo do dia a dia, na atividade, para ver como estão andando as coisas. Assim, temos como comparar o nosso estudo com as planilhas disponibilizadas pelas empresas integradoras. Há alguns anos estamos fazemos esse trabalho e tendo resultados em negociações de reajustes”, conta Bonfim.

O presidente da comissão lembra que em diversas ocasiões já ocorreram conquistas de melhores preços no âmbito das Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), que contam com todo o apoio da FAEP. “Temos que saber quanto estamos gastando de lenha, energia, funcionários, manutenção e todos os itens. Com o levantamento de custos, vamos vendo as oscilações nossas, comparando com outras regiões do Estado do Paraná”, aconselha.

O fato de ser uma metodologia com tradição, puxada pelo Sistema FAEP/SENAR-PR, fornece credibilidade aos dados. “As próprias empresas já não questionam a metodologia usada. Claro que isso não quer dizer que eles paguem o que a gente levanta, mas é uma referência. Hoje, é fundamental e eu acredito que vá ser cada vez mais importante fazer esse levantamento, pois os números são muito ajustados, temos que ficar em cima para cobrar e garantir uma boa rentabilidade à atividade”, revela.

ANÁLISE

Melhoras, mas abaixo das expectativas
Por Mariana Assolari, técnica do Detec do Sistema FAEP/SENAR-PR

As projeções para a avicultura em 2020 eram com certeza mais otimistas do que realmente pudemos vivenciar, mas ainda foi possível manter uma estabilidade, o que exigiu imensos esforços e investimentos nos estabelecimentos rurais e nas plantas frigoríficas para garantir a segurança de todos os envolvidos na cadeia.

Por um lado, a exportação da carne de frango paranaense em 2020 foi maior quando comparado a 2019. Por outro, o consumo interno teve redução em consequência da pandemia por impactar fortemente o setor de food services, com fechamento de bares, restaurantes e hotéis, por exemplo, grandes consumidores desse produto e seus derivados no país e no mundo. Os resultados foram números estáveis a campo, com ligeiro aumento no alojamento e abate de frangos de corte no Paraná.

Um desafio enfrentado pela avicultura durante o ano foi a crise na oferta de insumos importantes para a alimentação animal, como os grãos e outros compostos da ração, os quais atingiram valores nunca antes alcançados. A escassez obrigou as indústrias a reformularem a ração enviada aos avicultores, o que em muitas situações resultou em má qualidade da ração e, consequentemente, comprometimento no desenvolvimento das aves e prejuízo ao produtor.

O Sistema FAEP/SENAR-PR dará continuidade a esse trabalho em 2021, apoiando o avicultor paranaense na construção de uma atividade financeiramente sustentável, lembrando que a participação dos atores da cadeia – sindicatos rurais, avicultores, representantes das agroindústrias, vendedores de equipamentos e demais instituições – é essencial para a evolução do trabalho e conquistas almejadas pelo setor produtivo.


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