Biotecnologia molecular é pesquisada

Agronegócio

Biotecnologia molecular é pesquisada

Especialistas terão condições de saber o real potencial genético dos animais, antes mesmo de os bezerros nascerem
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Com objetivo de desenvolver uma tecnologia para solucionar o programa de melhoramento genético no Brasil, possibilitando aceleração de ganhos genéticos e incremento consideráveis de produtividade, a Agropecuária Jacarezinho, localizada em Valparaíso (SP), trabalha em um projeto inovador de pesquisa ligado ao desenvolvimento da biotecnologia molecular. O projeto é visto como um dos mais audaciosos trabalhos já conduzidos no setor de pecuária de corte mundial. De acordo Daniel Schwahosel de Carvalho, superintendente Comercial de Vendas e Marketing da Jacarezinho, depois de finalizado o mapeamento completo do genoma do gado zebuíno, os especialistas terão condições de saber o real potencial genético dos animais, antes mesmo de os bezerros nascerem.


A pesquisa resulta de uma parceria inédita entre a Conexão Delta G, Unesp Araçatuba (SP), USDA-EUA e DeoXi Biotecnologia, empresa responsável pela operacionalização das amostras e administração dos dados coletados de DNA. O projeto consistirá fundamentalmente em reunir as informações de desempenho mensuráveis do rebanho expressas por meio das Diferenças Esperadas nas Progêneses (DEP"s) quantitativas com a informação genômica, ou seja, o real potencial de expressão genética do animal segundo o mapeamento do seu DNA. Informações essas que estarão disponíveis após a conclusão do trabalho, em 2012.

O diretor da Agropecuária Jacarezinho, Ian David Hill, explica que a tecnologia permitirá a identificação dos animais que se sobressairão nas avaliações, antes que eles possam gerar os seus produtos, filhos e filhas avaliados. Assim, de maneira prática, pode-se dizer que haverá uma economia de 4 ou 5 anos na busca pelos animais mais produtivos. Ele diz ainda que o futuro sistema de avaliação não anulará ou inutilizará o sistema tradicional de avaliação quantitativa para obtenção das DEPs. Já que o novo sistema funcionará muito mais para confirmar as informações, atuando de forma sinérgica e vindo então a complementar e otimizar os ganhos genéticos, fazendo com que eles ocorram em muito menos tempo.


Tal tecnologia tem sido utilizada pelo USDA, nos EUA e Canadá há mais de 5 anos em Bos taurus taurus (gado taurino, de origem europeia). Os resultados são muito expressivos em rebanhos leiteiros de alta produtividade e alto nível genético. Já que a tecnologia conseguiu incrementos da ordem de 33% na produção. Números que, se extrapolados para gado de corte e produção de carne bovina, tornarão o Brasil um dos principais candidatos a fornecedor de carne para o mundo em escala ainda maior do que a atual. Contudo, a pesquisa é considerada inédita por que no Brasil será realizada apenas com Bos taurus indicus (gado zebuíno, de origem asiática), mais especificamente como animais Nelore.

O professor José Fernando Garcia, da UNESP, uns dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto, acredita que a seleção genômica na pecuária brasileira impulsionará a atividade no País. Segundo ele, com o auxílio deste programa nos próximos cinco anos o rebanho nacional estará no mesmo, ou melhor, padrão genético e produtivo dos Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália e Nova Zelândia.

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