Biotecnologia para todos
CI
Agronegócio

Biotecnologia para todos

Diretora do CIB fala sobre os desafios de comunicar o desenvolvimento científico junto à sociedade
Por:
Adriana Brondani, diretora do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), fala sobre os desafios de comunicar o desenvolvimento científico junto à sociedade

Com 10 anos de história comemorados em 2011, o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) abre o caminho para uma nova e desafiadora etapa para a biotecnologia no Brasil: estar próxima do consumidor. Para dirigir a entidade nesta nova jornada, foi apresentada Adriana Brondani, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A nova diretora-executiva e porta-voz do CIB conversou com o Monsanto em Campo sobre os desafios de comunicar a ciência e firmar o Conselho como fonte de credibilidade para jornalistas, consumidores, professores e estudantes.

1. Nestes 10 anos, quais foram as principais contribuições do CIB no avanço da biotecnologia no Brasil?

A principal contribuição está ligada à nossa missão, que é levar a informação científica sobre biotecnologia para o maior número de pessoas, de uma forma simples e didática. Todo o trabalho do CIB, em dez anos de atividades, esteve voltado para tornar o tema mais próximo do consumidor, pois, afinal, a biotecnologia está presente em nosso dia a dia de diversas maneiras. Seguramente, essa orientação contribuiu para derrubar alguns mitos, algumas barreiras que a falta de informação permite criar. Biotecnologia não é nenhum bicho de outro mundo: é tecnologia de ponta, empregada no desenvolvimento de produtos que tornam a vida das pessoas melhor e mais saudável. Mas esse trabalho todo não seria possível sem a base da entidade, que é o grupo de conselheiros - profissionais ligados aos principais centros de pesquisa, universidades e institutos de cunho científico do país, além de consultorias especializadas em diferentes segmentos ligados, direta ou indiretamente, à biotecnologia. Hoje, o grupo é composto por mais de 100 profissionais que atuam em campos distintos do conhecimento científico. Tais profissionais são fonte segura de informação e conferem toda a credibilidade para o trabalho de divulgação da biotecnologia realizado pelo CIB.

2. Em sua opinião, qual é a percepção dos brasileiros sobre a biotecnologia e suas aplicações agrícolas? Há uma imagem diferente, por exemplo, da biotecnologia na área farmacêutica? Qual o motivo para isso?

É verdade, a percepção sobre os alimentos transgênicos e os produtos de saúde (vacinas, kits de diagnóstico etc), embora todos derivados da aplicação da biotecnologia, é diferente. Acredito que isso se deva ao fato de que a agricultura não seja tão bem entendida pela maioria das pessoas, especialmente para as que vivem em áreas urbanas. A falta de compreensão sobre a origem dos alimentos que estão no supermercado faz com que o consumidor não identifique o papel da biotecnologia na garantia de qualidade, oferta e preço dos produtos. Além disso, a aplicação da biotecnologia na saúde não sofre as influências político-ideológicas que atingem a agricultura. A pressão negativa e sem embasamento científico de alguns grupos que atacam a biotecnologia no setor agrícola negligencia seu importante papel na alimentação da nossa sociedade.

3. Com o avanço das aprovações dos eventos transgênicos pela CTNBio, a adoção das variedades pelos agricultores brasileiros e a chegada dos produtos ao consumidor final, o trabalho do CIB passa a ter ainda mais valia. Hoje, quais são os principais desafios do Conselho?

Nosso principal desafio é, em um país do tamanho do nosso, conseguir chegar a todas as pessoas. Não apenas pela questão geográfica em si, que já é bastante desafiadora, mas também pelos diferentes níveis de conhecimento sobre o tema. Temos como meta ampliar as atividades com educadores e nutricionistas, por exemplo, pois é importante que esses públicos tenham embasamento científico sobre biotecnologia no exercício de suas atividades.

4. Quais são os próximos passos que o CIB dará em busca dessas metas? Que ações práticas estão sendo iniciadas ou estão em planejamento?

Primeiramente, uma série de ações de comunicação faz parte do nosso dia a dia, a exemplo da atualização dos sites (www.cib.org.br e www.biotecpragalera.org.br) e dos perfis do Twitter (@biotec_br e @transgenicos_br), produção de newsletters eletrônicas e materiais impressos. Além disso, temos uma programação de palestras em eventos, feiras e congressos ao longo do ano para diferentes públicos, entre eles estudantes de ensino fundamental, médio e universitário, professores, profissionais de nutrição e outras áreas. Temos projetos de novos vídeos educativos, ampliação da atuação em mídias sociais e maior integração com nossas outras ferramentas eletrônicas, ações experimentais, como extração de DNA, em escolas e supermercados, entre outros.

5. As mídias digitais são a "menina dos olhos" das empresas para expor suas mensagens a seus stakeholders. Como o CIB enxerga essas redes e seu potencial para difusão da biotecnologia?

É uma mídia muito importante, uma vez que, por meio dela, temos uma via de comunicação com o consumidor final e com formadores de opinião. Além disso, as redes sociais possibilitam levar o internauta a conteúdos mais complexos, esmiuçados nos nossos sites, por exemplo, e ter do usuário uma resposta direta, rápida, que facilita o relacionamento conosco. Desde janeiro deste ano, o CIB conta com dois perfis no Twitter: @biotecnologia_br e @transgênicos_br. Esses perfis são atualizados diariamente e têm como objetivo contribuir para a penetração das informações cientificamente comprovadas sobre biotecnologia que o CIB divulga no ambiente online. A estratégia adotada para participação no Twitter foi de transparência, cautela e reciprocidade, guiados por uma política interna de uso de mídias sociais. Nossa meta era conseguir 1 mil seguidores espontâneos ao fim de um ano de projeto. Em junho, após seis meses, a resposta dos usuários tinha sido 100% positiva. Por essa razão, propusemos ações de reprodução de mensagens em consonância com promoções de entrega de livros e guias. As menções aos perfis do CIB aumentaram 200% em relação ao mês anterior. O número de seguidores nos dois perfis aumentou em 10% apenas durante as 3 horas em que a promoção ficou no ar. Propusemos, então, que nossos usuários do Twitter interagissem com o CIB também por meio de nosso canal no Youtube, o BiotecnologiaCIB. A resposta para essa ação foi ainda melhor. O número de inscritos aumentou 400% nas seis horas em que a promoção ficou no ar, e o número de visualizações de nosso conteúdo em vídeo cresceu 40%. Outro dado interessante é que, desde então, o ritmo de crescimento nos acessos também aumentou em 15%. Hoje, o canal tem mais de 600 inscritos e 9 mil visualizações. Sem dúvida, o CIB aumentará ainda mais sua atuação em mídias sociais ao longo de 2012.

6. Esse novo direcionamento do CIB tem um prazo para terminar ou passará a ser um direcionamento perene?

É um direcionamento natural, de acordo com a evolução da biotecnologia no Brasil e no mundo, e do trabalho do CIB na divulgação desse tema. A ideia é ampliar nossa atuação, estar mais próximo de todos os públicos, especialmente dos consumidores.

Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.