Agronegócio

BM&F quer ser uma CBOT do Brasil

Instituição quer massificar o uso de mecanimos de proteção de preço entre os agricultores
Por: -Neila Baldi
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Instituição quer massificar o uso de mecanimos de proteção de preço entre os agricultores. A Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F) quer atrair os grandes players do setor agropecuário e disputar mercado com seus pares internacionais. Hoje os contratos fechados na bolsa brasileira correspondem à metade dos negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). A meta da BM&F é crescer a uma taxa média 25% ao ano.

"Muitos produtores brasileiros operam apenas com as bolsas internacionais", diz Ivan Wedekin, diretor de Agronegócio e Energia da BM&F. Há cinco meses afastado do governo, o executivo foi para a bolsa no projeto de reestruturação do setor dentro da BM&F, que criou a diretoria da qual ele faz parte.

Desde o início do segundo semestre a bolsa vem sofrendo algumas modificações visando "alavancar o desenvolvimento dos mercados futuros e físico agropecuários". Na época, foi criado o Fundo de Operações dos Mercados Agropecuários (Foma), em que a instituição alocou R$ 50 milhões para a cobertura dos riscos, barateando os custos das operações. Outra medida neste sentido foi a aprovação de uma linha de crédito no Plano Agrícola e Pecuário 2006/07 para financiar o uso dos mecanismos de mercado futuro e opções, além dos convênios com instituições financeiras - o primeiro foi firmado com o Banco do Brasil.

Wedekin diz que a bolsa vem atuando em diversas frentes para atingir sua meta. Uma delas é tentar desonerar as operações. "Não há uma clareza em que momento os impostos devem incidir sobre alguns contratos", afirma o diretor. Isso, segundo ele, afasta a entrada de fundos de investimentos no mercado. Nos Estados Unidos, estima-se que até 40% dos contratos sejam operados por estes fundos.

Outro empecilho para aumentar o número de contratos da BM&F é a "falta de cultura de hedge por parte dos produtores". É neste sentido que entram os convênios com as instituições financeiras", diz Wedekin. Para o próximo ano, a bolsa estuda lançar um novo contrato de álcool, para exportação. A idéia e que os preços sejam formados no local de entrada, assim como no da soja - neste caso, em Santos (SP). A nova fórmula está sendo estudada com a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica).

Outra estratégia da busca de um maior número de produtores negociando na bolsa é trazê-los por meio dos contratos de opção. Segundo Wedekin, é mais fácil o entendimento deste mecanismo do que o de mercado futuro. O diretor afirma que a idéia é trazer agentes do mercado para lançar opções de milho atreladas aos preços futuros. Deste modo, segundo ele, o processo de formação do preço será mais transparente. "A opção é a estratégia mais fácil de o produtor fazer seguro de preço", diz. Mais uma vez, o convênio com bancos e a massificação dos players - entre elas, a entrada de grandes empresas do setor - servem para atingir a meta. Entre as estratégias da BM&F estão também a promoção dos derivativos e o desenvolvimento de novos produtos para uma integração entre o agronegócio e o mercado financeiro (fundos, etc).

Convênio

Em outubro, a BM&F firmou um convênio com o Banco do Brasil que começará a repercutir na safra 2007/08. Segundo o gerente de divisão da Diretoria de Agronegócio do banco, Antônio Pompoglio Júnior, a idéia é, a partir da próxima safra, a instituição lançar opções e também criar uma ferramenta em seu portal que informará ao produtor o cenário das commodities, permitindo que as ordens de compra ou venda de posições sejam feitas on-line. Ele diz que o banco está empenhado em aumentar o uso do seguro de preço entre os produtores. Segundo suas estimativas, já nesta safra 10% das operações de custeio utilizarão mecanismos de proteção das cotações das commodities.

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