Boas expectativas para o setor de máquinas e implementos
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Agronegócio

Boas expectativas para o setor de máquinas e implementos

O ano de 2013 deve somar resultados positivos
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O ano de 2013 deve somar resultados positivos, visto que a situação internacional, somado às políticas internas poderão trazer novos rumos
O ano de 2013 ser "o ano da virada" para a indústria de máquinas e equipamentos, que apresentou resultados ruins e demissões ao longo de 2012. A expectativa é que a partir de 2013, se não vier nada muito ruim da Europa, a situação comece a tomar novos rumos. Uma série de fatores, internos e externos fez com que este setor passasse por grandes dificuldades durante os últimos meses, inclusive com demissões. Porém, mesmo que de um modo geral a Abimaq tenha contabilizado algumas dificuldades, um segmento em especial tem atravessado bons momentos, é o de máquinas e implementos agrícolas.

O presidente da Associação Brasileira de Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, chegou a comentar que o setor de máquinas e equipamentos já demitiu 9.082 empregados de outubro de 2011 até outubro deste 2012. Em outubro de 2012, o setor tinha 254.506 pessoas empregadas, queda de 0,7% ante setembro. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), de acordo com Aubert, será o menor dos últimos 40 anos. A média anual do Nuci está em 75% neste ano, ante 81,4% em 2011. "Nossas máquinas estão paradas. Paramos de fabricar e não estamos importando", comentou.

Em meio este cenário, o setor o setor agrícola atravessa um bom momento. Em entrevista com Celso Casale, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, ele traçou um panorama geral deste setor e falou sobre as expectativas para o próximo ano.

AgroDiário - O ano de 2012 foi um ano bastante complicado para o setor de máquinas e equipamentos, quais os principais fatores que influenciaram nos resultados negativos deste setor?
Celso Casale – Pelo menos no nosso segmento de máquinas e implementos agrícolas tivemos um bom ano, a exemplo dos anteriores. Os dados consolidados de janeiro a dezembro apontaram para um crescimento de 8,5% no faturamento nominal do segmento de máquinas e implementos agrícolas, que totalizou R$ 10,8 bilhões. Também no número de empregados atingimos a marca de 59.236 funcionários, o que representou um avanço significativo, na casa dos 8,4% em comparação com o quadro existente em dezembro de 2011. Nossa expansão foi decorrente de dois fatores principais: a boa safra com bons preços das principais commodities agrícolas e a regularidade da oferta de crédito para compra de máquinas, que deixaram os agricultores com recursos suficientes para investir em renovação ou ampliação de sua frota de máquinas e implementos.

AD- Como o setor está avaliando as perspectivas para o ano de 2013?
Celso Casale
– Acredito que os bons resultados alcançados pelo nosso segmento nos últimos anos deverão ser mantidos em 2013 em razão da tendência de continuidade dos investimentos na produção agropecuária. Produtores capitalizados por boas safras, regularidade na oferta de financiamento com estímulo aos programas de apoio à agricultura familiar e maior conscientização do agricultor em relação aos ganhos decorrentes da mecanização da produção devem confirmar o bom desempenho nas vendas de máquinas e implementos agrícolas. Apesar desse cenário promissor para o setor, com previsão de crescimento da ordem de 10% para 2013, entendo que devemos estar alertas, principalmente pelo fato de estarmos crescendo isoladamente em meio a uma economia que apresenta índices de expansão bastante discretos.

AD - De que forma as condições econômicas internacionais estão afetando o setor?
Celso Casale
– A desaceleração das economias centrais (Estados Unidos e Comunidade Econômica Europeia) tem despertado a atenção de fabricantes do mundo todo para o mercado brasileiro. Como a nossa agricultura tem registrado índices expressivos e constantes de expansão, todos os grandes fabricantes de implementos e máquinas do mundo olham com bastante interesse para o nosso mercado.

AD – Atualmente, como o mercado de máquinas e equipamentos está distribuído no Brasil? Como o senhor avalia o Rio Grande do Sul neste contexto?
Celso Casale
– Em virtude da forte presença do Rio Grande do Sul na agricultura e na pecuária, o Estado sempre se coloca entre os de maior demanda de máquinas e implementos. Há também entre os produtores gaúchos uma maior cultura e tradição de investir em tecnologia e inovação, o que acaba também puxando as vendas de implementos e máquinas. Além disso, nossa presença é forte aqui pela existência de um bom número de grandes indústrias do setor instaladas no Estado. Trata-se de um excelente mercado para nós fabricantes de máquinas e implementos, assim como são os mercados dos estados líderes na produção agrícola. No caso do Rio Grande do Sul, esperamos um aumento entre 10% e 15% para as vendas de máquinas e implementos agrícolas em 2013.

AD - Quais são as principais dificuldades encontradas pelo setor?
Celso Casale – Além dos elevados custos decorrentes da excessiva carga tributária e dos encargos trabalhistas, nossa principal preocupação no momento é em relação ao expressivo e constante aumento registrado nas importações. No acumulado de janeiro a dezembro do ano passado houve um aumento de 22,9% nas importações de máquinas e implementos agrícolas, mas houve período do ano passado em que as compras externas chegaram a registrar expansão de até 50%. Como conseqüência direta, nossas exportações acumularam um declínio de 12% no ano passado.

Um dos grandes desafios do segmento certamente está em preparar-se para o inevitável processo de consolidação que já começa a acontecer no setor, com rápida concentração do número de empresas na área. O bom momento vivido pela agricultura brasileira e, por consequência também a nossa atividade, tende a atrair grandes investidores dispostos a explorar o mercado brasileiro, o que pode provocar ou acelerar fusões, incorporações e aquisições. Outro desafio hoje da CSMIA é criar condições para elevar o padrão tecnológico das empresas associadas para que elas consigam melhorar sua competitividade e assim enfrentar uma concorrência cada vez mais acirrada e cada vez mais globalizada, inclusive com possibilidade de ocorrer fusões e incorporações no segmento.

AD - Como o Governo tem auxiliado no aquecimento deste setor? Há novas linhas de crédito sendo abertas para estimular a geração de emprego nesta área?
Celso Casale
– Em função, sobretudo, do empenho feito por nós da Abimaq e sua Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) junto ao governo Federal, diversas medidas de estímulo ao segmento foram anunciadas e algumas entraram em vigor. Nesse sentido, vale destacar a decisão anunciada no final do ano passado de definir melhores condições e taxas de financiamento do PSI-Finame que foram prorrogadas até dezembro deste ano. Isso representou uma importante ferramenta para estimular os investimentos na modernização de nosso parque industrial e, sobretudo, a mecanização agrícola, gerando demanda para os associados da CSMIA. Entendemos que a medida não soluciona integralmente os problemas de competitividade do nosso setor, mas é um sinal do comprometimento do governo com a política de priorizar investimentos e não consumo.

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