Boi gordo: Maior cotação da década

Agronegócio

Boi gordo: Maior cotação da década

Escassez de animais seguirá pelo menos até o mês de agosto
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Segundo projeção do Imea – considerando o atual cenário –, a arroba pode atingir recorde de preços a partir de maio

A oferta de boi gordo deverá continuar restrita, em Mato Grosso, e os preços poderão atingir seu pico no mês de outubro, segundo levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) junto às principais bolsas do país. Uma das explicações seria a “baixa produção de bezerras em 2006 e 2007” e ainda a falta de pasto em Mato Grosso. Por conta deste cenário, o Imea acredita que o mercado está caminhando para a maior cotação da última década, no mês de maio.

Analisando as cotações das bolsas na semana passada, para os meses de maio, que estavam na casa de R$ 101/arroba, e de outubro (R$ 105), o Imea aponta uma diferença de 3,8%, indicando que o mercado “ainda vê com certo pessimismo o preço para o segundo semestre”. Nos últimos dez anos, esta diferença de preços no período ficou na média de 13,6%.

Os pecuaristas apontam a estiagem prolongada do ano passado como o principal fator de redução de oferta de boi gordo. “No ano passado perdemos muito pasto e o confinamento foi antecipado por conta do forte período de seca”, analisa o diretor executivo da Associação dos Proprietários Rurais do Estado (APR), Paulo Resende.

Segundo ele, os pecuaristas contam com “muito pouco” gado pronto para abate. “Na verdade, tivemos um ano atípico em 2010 e a safra deste ano acabou virando entressafra. Esta inversão fez com que se mudasse o comportamento do mercado, com mais gado no ano passado e menos oferta em 2011”.

Resende diz que a safra de boi gordo virou entressafra hoje, em função dos confinamentos do ano passado. “Este ano o gado demorou muito para ter uma alimentação adequada (pasto) e ficar no ponto de abate. Praticamente não houve recuperação de pastagens e acreditamos que apenas 20% do rebanho que deveria ser abatido nesta época conseguiu peso para abate”. Os 80% dos animais que não engordaram devem ir para confinamento este ano, que começa entre o final de maio e o começo de junho.

Lembrou, contudo, que “o pouco que o pecuarista vendeu” foi suficiente para atender suas necessidades mínimas no período mais crítico do ano. “O produtor que conseguiu esperar até agora deve colocar o gado no cocho (confinamento) para vender em setembro, outubro e novembro”.

FÊMEAS - Outro fenômeno destacado por Resende é a matança indiscriminada de fêmeas, que está refletindo na falta de boi para abate desde o ano passado. Segundo ele, sem dinheiro os pecuaristas adotaram em safras passadas a alternativa de aumentar o volume de abate de fêmeas, como forma de gerar renda, o que comprometeu a oferta de bezerros para agora.

Em 2005, ano crítico da pecuária, o abate de matrizes oscilou em uma faixa entre 35% e 40% do total, contra a média de 26% em 2010. Em alguns estados, o índice de descarte de matrizes chegou a 50%.

Resende acredita que a oferta continuará restrita, só devendo melhorar a partir de agosto ou setembro, com a engorda do gado confinado. Em relação aos preços, disse que “vai depender do mercado e das exportações, mas a tendência é continuar nos atuais patamares”.

O presidente da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), José João Bernardes, também diz que sua expectativa é de que os preços fiquem nos patamares projetados pelas Bolsas. “Notamos um aumento no abate de fêmeas. Atualmente, os pecuaristas têm mais fêmeas terminadas do que machos. Mas isso não vai causar problemas. Pelo contrário, o produtor tem de avaliar sua situação e, se preciso, tem de vender [matrizes vazias e improdutivas] para evitar uma superoferta. Diz que este ano haverá menos bois ofertados, “o que pode ser compensado com o abate de fêmeas e o confinamento de animais mais novos”.

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