Boi gordo bate recorde e indústria pode parar

Agronegócio

Boi gordo bate recorde e indústria pode parar

Os valores negociados atualmente no mercado físico são os mais altos em 10 anos
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Apesar de a maioria dos frigoríficos do Centro-Sul do País afirmar que sua programação de abate é normal para um período de entressafra - de quatro a 10 dias, dependendo da região - o preço do boi gordo segue batendo recordes diários neste mês, o que dá margem aos boatos de que concederão férias coletivas. Nessa quinta-feira (09-08), a cotação fechou a R$ 64,78 a arroba, segundo o Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). O índice acumula valorização de 2,32% no mês e 20,4% no ano. Os valores negociados atualmente no mercado físico são os mais altos em 10 anos, com liderança no Rio Grande do Sul, onde a arroba ultrapassa a R$ 70.

"O recorde diário na BM&F indica que há maior falta de gado em agosto", avalia Maria Gabriela Tonini, analista da Scot Consultoria. Segundo ela, todos os frigoríficos estão trabalhando abaixo da capacidade, com dificuldade de compra, apesar de afirmarem o contrário. "De forma geral, todos estão com escalas muito abaixo do normal, entre 40 a 50%, por falta de boi", diz Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado.

Analistas explicam que além da entressafra, há problemas conjunturais que se refletem neste ano, como o descarte de matrizes ocorrido anteriormente, a redução da oferta de bezerros e o aumento da demanda internacional, que elevou o abate acima da capacidade de reposição.

No Rio Grande do Sul, onde a falta de boi gordo é maior, muitos frigoríficos deram férias coletivas e outros demitiram - quase 30% da mão-de-obra empregada no estado, no setor, foi dispensada. Em Mato Grosso do Sul, estaria havendo uma "queda-de-braço" entre produtores e indústrias em relação ao preço, forçando a redução das escalas das empresas naquele estado. A unidade do Grupo Friboi–JBS em Campo Grande (MS), que abate diariamente 1,3 mil cabeças de bovinos, está em férias coletivas por 20 dias. Em Goiás e em São Paulo, segundo analistas de mercado, "o momento também é delicado". Procurados, os maiores frigoríficos do País - e que têm unidades nestas localidades - afirmaram estar com escalas de sete a 10 dias e negaram fechamento de unidades. Em nota, o Bertin informou que trabalha com escala antecipada e que, por isso, "não precisou tomar nenhuma medida drástica até o momento".

"Os preços praticados hoje são os mais altos desde 1995, no período pós-real", afirma Molinari. De acordo com ele, a expectativa é que ao final de agosto comecem a surgir os grandes lotes de confinado. No entanto, não existe estimativa de que esta oferta reduza as cotações.

O diretor do Extremo Sul, José Alfredo Knorr, diz que há um sério problema de abastecimento de gado no Rio Grande do Sul e a ociosidade das plantas chega a 70%. Pelas suas estimativas, o estão não deverá conseguir abater nem 1,5 milhão de animais neste ano - em 2006 foram 2,3 milhões de abates. Por causa da crise, o frigorífico reduziu em 40% os postos de trabalho, ficando com apenas 300 funcionários.

Apesar de as empresas precisarem pagar os valores mais altos do País - arroba no estado varia entre R$ 70 e R$ 75 - segundo Knorr, nas últimas duas semanas a oferta de animais melhorou. Hoje a empresa trabalha com escala de quatro dias. "Acreditamos que começa a entrar gado novo", avalia.

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