Brasil busca o controle da febre aftosa sem vacinação

Febre aftosa

Brasil busca o controle da febre aftosa sem vacinação

As medidas adotadas para o controle da febre aftosa sem vacinação no Brasil com foco na sua execução em MS foram o assunto discutido no painel
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Nesta quinta-feira, as medidas adotadas para o controle da febre aftosa sem vacinação no Brasil com foco na sua execução em MS foram o assunto discutido no painel “Novos Rumos para o controle da febre aftosa”, mediada pela pesquisadora da Embrapa Gado de Corte Vanessa Felipe de Souza na 14ª Dinapec - Dinâmica Agropecuária realizada pela Embrapa e Sistema Famasul. O chefe de saúde animal da Superintendência Federal da Agricultura de MS (SFA/MS), Elvio Cazola, abriu o diálogo descrevendo o Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (PNEFA) 2017-2026, elaborado pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para eliminar a doença no país.

Segundo o Mapa, o Plano Estratégico busca consolidar a condição sanitária conquistada no Brasil em relação à enfermidade ao fortalecer medidas de prevenção. Um dos principais objetivos é avançar com a zona livre de febre aftosa sem vacinação em todo o território nacional. “O Brasil, no ano passado, conquistou a condição de livre de febre aftosa”, diz Elvio. “Nós temos hoje uma zona livre sem vacinação, que é Santa Catarina, e o restante do país livre com vacinação”. Ele esclarece que a retirada da vacina não é uma ação isolada no Brasil: “esse plano foi apresentado em 2017 na Comissão Sul-Americana de Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa), que reúne 13 países”.

Luciano Chiocheta, diretor-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro MS), afirma que, no âmbito da execução local do plano, a previsão é que a vacinação possa ser suspensa no estado em 2021, atingindo o status internacional de livre de febre aftosa sem vacinação em 2023. “Associada à vigilância, precisamos ter uma metodologia eficiente para controlar o trânsito de animais (tanto interno quanto interestadual), que pode levar à disseminação da doença. Para isso, buscamos estabelecer rotas compulsórias dentro do estado, pré-estabelecidas para que os veículos transportadores possam transitar. Também redirecionamos os postos de fiscalização: hoje temos 24, mas somente 7 estão ativos. Estamos aumentando esse número para 29”, descreve.

O estado de Mato Grosso do Sul está há 13 anos sem a ocorrência da enfermidade, segundo a Iagro. O estado está dividido em três regiões sanitárias: Planalto, Pantanal e Zona de Fronteira, que possuem etapas de vacinação específicas. O Pantanal vacina uma vez ao ano, de maio a novembro; as demais regiões, duas vezes ao ano. O rebanho bovino está em torno de 21 milhões de animais, com 59 mil propriedades com espécies suscetíveis à aftosa – bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e suínos. João Vieira Neto, presidente da Câmara Técnica de Medicina Veterinária (CFMV), que discutiu no painel a estrutura técnica profissional dos médicos veterinários, reforça: “há que se buscar alternativas para que não fique somente a cargo do serviço oficial esse trabalho de defesa”.

O produtor rural Luis Alberto Moraes, vice-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), ressaltou que 30% do valor bruto de produção da agropecuária do estado vêm da pecuária. Desses 30%, 88% têm relação com animais suscetíveis à enfermidade. “Existem grandes mercados que ainda não conseguimos atingir justamente porque não temos o status de livres de aftosa sem vacinação. São países que só aceitam nosso produto in natura se tivermos esse status”, comenta. “Exportamos para mais de 130 países, mas a grande maioria do nosso mercado hoje ainda é interno. Vamos precisar crescer principalmente no mercado externo, em locais como Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, Indonésia”, finaliza.


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