Brasil exporta tecnologia em genética animal
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Agronegócio

Brasil exporta tecnologia em genética animal

País é líder mundial e referência em produção in vitro de embriões bovinos
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O Brasil está exportando tecnologia de melhoramento genético com a abertura de filiais de laboratórios especializados em transferência de embriões, fertilização in vitro e clonagem bovina em países da América Latina. Este mês, duas empresas inauguram unidades no México. A Bioembryo faz sua estréia fora do País no Estado de Tabasco e negocia instalação também na Colômbia. A Vitrogen tem três laboratórios externos e abre o quarto no México.

O laboratório da Vitrogen na Colômbia, aberto em 2004, é um dos maiores do mundo na produção de embriões. A previsão é de que este ano alcance entre 6 mil e 10 mil prenhezes por fertilização in vitro (FIV). O grupo se prepara para abrir mais duas unidades naquele país, informa o veterinário André Dayan, sócio da empresa.

O Bioembryo também negocia uma filial na Colômbia. Vários países da América Latina estão recorrendo à genética para multiplicação rápida de rebanho leiteiro e de corte. As técnicas de melhoramento reduzem à metade o tempo de abate, ampliam a produção de leite e permitem o nascimento de gado de elite, grandes reprodutores.

A In Vitro, com quatro laboratórios no Brasil e um quinto a caminho, estuda convite para atuar na América do Sul, com uma técnica específica de sêmen sexado, com 85% de chances de nascer uma fêmea. Ela é mais valorizada que o macho, pois além de produzir leite pode multiplicar o rebanho.

"O Brasil é hoje líder mundial e referência em produção in vitro de embriões bovinos", diz João Henrique Viana, presidente da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE). Segundo ele, a retração do mercado na Europa e nos EUA levou à redução de investimentos em pesquisa e desenvolvimento nessas regiões e abriu espaço para o Brasil se estabelecer como referência mundial.

O País realizou em 2005 cerca de 130 mil transferências de embriões bovinos in vitro, o equivalente a 48% de todo o movimento mundial. O negócio movimenta mais de R$ 20 milhões apenas em serviços diretos (produção e transferência). "Existe, porém, uma gama de atividades paralelas como prestação de serviços veterinários e mercado de doadoras e receptoras que não são contabilizados", diz Viana.

Com a FIV, é possível produzir, em média, entre 100 e 150 descendentes de uma vaca por ano. O método natural permite apenas uma gravidez, explica Dayan. Segundo ele, todos os laboratórios externos da Vitrogen atuam em parceria com os governos ou criadores locais.

No Brasil, o grupo emprega 70 técnicos e tem operações em Cravinhos (SP), Campo Grande (MS), Tocantins, Goiânia e uma unidade móvel que atende Pará, Espírito Santo e Rio. O investimento para abrir uma unidade na América Latina varia entre US$ 300 mil e US$ 500 mil, sem contar a estrutura física. Já o custo para montar estruturas de receptoras pode chegar a US$ 1 milhão.

O Bioembryo está investindo US$ 300 mil na unidade mexicana, numa parceria com o governo local, informa o diretor Walt Yamazaki. Paralelamente, o laboratório abriu uma unidade em São José do Rio Preto (SP). O grupo, com sede em Bauru (SP), tem também unidade em Uberaba (MG). Com 50 funcionários, tem arrecadação bruta estimada em R$ 6 milhões ao ano, produz anualmente 100 mil embriões e presta serviços de aspiração e prenhez.

Além das filiais, o Brasil exporta sêmen para países como Argentina, Angola e Equador. No ano passado, foram cerca de 100 mil doses, número que este ano será maior, na expectativa do presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), Lino Rodrigues.

O cruzamento consegue choque genético que gera a precocidade e diminui de 40 para 24 meses (ou até 18 meses, em alguns casos) o tempo para a carne estar pronta para o corte.

Novas experiências - Com técnicas avançadas e diversificadas no melhoramento genético bovino, o Brasil agora parte para experiências com ovinos. A In Vitro iniciou comercialmente este mês serviços de FIV em cordeiros.

A In Vitro também trabalha com clonagem, em parceria com a multinacional americana Cyagra, líder mundial nesse segmento. Foi na sede do laboratório em Mogi Mirim (SP) que o touro Bandido foi clonado e seis cópias nasceram em junho. A Vitrogen tem oito clones, informa Yeda Watanabe, outra sócia do laboratório. Essa técnica é mais recente no País em relação à de transferência de embriões (TE) e FIV.

O criador Luiz Adelar Scheuer, ex-dirigente da indústria automotiva, viu o faturamento do negócio com inseminação artificial dobrar desde 1992, quando iniciou o processo em fazenda em Capão Bonito. Ele tem mil cabeças de Canchim (mistura da européia Charolês com a brasileira Nelore).

No ano passado, 160 bezerros nasceram por meio TE ou FIV. O tempo para abate de animais que nascem desse processo diminui de 26 para 20 meses. Com a previsão de crescer mais 15% este ano, Scheuer estuda a aquisição de outra fazenda, fora de São Paulo. Por três anos, foi considerado o melhor criador no ranking nacional.


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