Brasil inunda de açúcar mercado internacional
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Imagem: Pixabay
PALAVRA DO ESPECIALISTA

Brasil inunda de açúcar mercado internacional

Nesta safra embarcou 10 milhões de toneladas a mais do que o mesmo período anterior
Por: -Leonardo Gottems

“O Brasil continua inundando de açúcar o mercado internacional. No mês de novembro embarcou quase 3.1 milhões de toneladas colocando o acumulado de doze meses (dezembro/19-novembro/20) em 29.46 milhões de toneladas, o maior nível desde setembro de 2017”. A afirmação é de Arnaldo Correa, consultor, palestrante, técnico para arbitragens e professor de gestão de risco em commodities agrícolas.

Nesta safra, de acordo com ele, o total acumulado é de 23.68 milhões de toneladas (abril-novembro), 10 milhões de toneladas de açúcar a mais do que o mesmo período anterior, que foi de 13.2 milhões de toneladas. Isso não é uma inundação, é um tsunami de açúcar. “O País tem substituído as ausências de Tailândia e outros produtores com larga margem”, observa.

Correa pontua que o mercado tem se comportado “como um ioiô, tentando com a ajuda dos fundos especulativos – sem sucesso – sobreviver acima dos 15 centavos de dólar por libra-peso, mas encontrando forte resistência por parte dos fundamentalistas. Os fundos, no entanto, continuam segurando uma posição comprada de 212.680 lotes, pelos números divulgados na sexta-feira pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), agência independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e opções das commodities, com base na posição da terça anterior”.

“Ainda tem muito chão até o vencimento do contrato março, mas acredito que a partir de meados de janeiro os fundos terão que começar a pensar na rolagem dessa imensa posição para o vencimento seguinte, que é maio/21 ou, alternativamente, liquidá-la. Estou aqui me perguntando quem poderia ser o comprador dessa posição a ser rolada e/ou liquidada. Para os fundos, a reversão satisfatória dessa posição comprada terá que contar com uma forte mudança nos fundamentos do açúcar”, explica o especialista.

Correa ressalta os pontos a observar daqui para frente:

    • O subsídio indiano está em vias de ser aprovado entre 6,000 e 7,000 rúpias por tonelada (cerca de US$ 100), ligeiramente inferior às 7,800 rúpias que estimamos aqui há um mês. Com isso, assumindo que o preço mínimo naquele país continue em 31,000 rúpias por tonelada (US$ 420) que – convenhamos - dada a situação de extrema crise fiscal na Índia, é um desafio, o ponto de equilíbrio para a exportação passa a ser de 15 centavos de dólar por libra-peso. Citando Churchill, um leitor comentou na semana passada que a política de açúcar da Índia é “um enigma, envolto em um mistério, dentro de um enigma". Vamos ver se teremos esse assunto superado/resolvido no início da próxima semana.
      
    • O real, assim como a maioria das moedas dos países emergentes, continua se valorizando em relação ao dólar e fechou a semana cotado a R$ 5,0632 ganhando 1.25% em relação à sexta-feira passada. Com isso, claro, as cotações de açúcar convertidas em reais por tonelada também experimentaram uma redução que variou de R$ 28 por tonelada no contrato maio/21 e R$ 16 para o período correspondente à safra 22/23.
      
    • É interessante notar que o contrato de petróleo WTI convertido em reais está muito próximo do nível pré pandemia, o que abre a possibilidade de – no evento de uma recuperação do consumo no primeiro trimestre de 2021 provocada pela introdução da vacina – um aumento no preço da gasolina na refinaria. A Petrobras deve ter uma folga de aproximadamente 8% neste momento. Existe, portanto, no nosso ver, razoável chance de os preços do etanol ficarem acima da média no primeiro trimestre do próximo ano e a paridade (que hoje mostra um desconto de 200 pontos em relação ao açúcar) estreitar.
      
    • As exportações do setor (açúcar e etanol) nos últimos doze meses alcançam US$ 9.52 bilhões, o maior valor desde junho de 2018. O recorde, no entanto, é em junho de 2013 quando o montante exportado pelo setor chegou a US$ 16.46 bilhões.


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