ANÁLISE

Brasil não vai importar trigo russo

Consultoria Trigo & Farinhas aponta diversas razões
Por: -Leonardo Gottems
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Um dos fatores (negativos) que movimentaram a Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (16.11) foi a possibilidade, aberta oficialmente pelo governo brasileiro, de importação de trigo russo. Na avaliação da Consultoria Trigo & Farinhas, o País não irá fazer isso: “Até porque as empresas privadas já poderiam ter feito essas compras externas através dos portos do Rio de Janeiro para cima (para não concorrer com o trigo nacional), mas os moinhos locais nunca usaram desta prerrogativa”.

Um forte razão apontada pela T&F para a não vinda do trigo russo é que o produto não tem a qualidade que os moinhos brasileiros precisam: “Tem 12,0 a 12,5% de proteína, é verdade, mas não tem muita força (W), que permite ao pão crescer sozinho. Esta é uma das razões pelas quais o trigo russo ganha quase todas as licitações do Norte da África, onde os habitantes comem aqueles bolachões (que nós chamamos de pão árabe, pão sírio, etc.), mas que não crescem. No Brasil, o pão, os bolos, as pizzas, etc. tudo precisa crescer”.

Outro motivo é que preço do trigo russo é mais caro que o do cereal de inverno argentino, que tem melhor qualidade para os padrões brasileiros, especialmente a crocância: “No final da semana passada o preço do trigo russo com 12,0% de proteína no porto russo de Novorossiysk era de US$ 192 FOB, ao passo que o trigo argentino é de US$ 176/t”. 

“Além disso, o frete do Mar Negro para o Nordeste está em aproximadamente US$ 32/t, enquanto que o do trigo argentino não chega a US$ 20/t até o seu ponto mais distante, o que levaria o trigo russo a um preço C&F de US$ 224,00/t, contra um preço de trigo argentino de US$ 197/t. Como conclusão, se você fosse comprador de um moinho brasileiro, mesmo no Nordeste ou do Sul, qual trigo compraria?”, conclui o analista Luiz Fernando Pacheco.

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